terça-feira, 12 de novembro de 2013

Para onde caminha a humanidade? (II)

 Para onde caminha a humanidade? (II)

Não adianta chorar pelo leite derramado. Ou seja, se não educar seu filho desde cedo, não vai adiantar querer começar aos quinze anos de idade, quando talvez já for tarde de mais.





  
Uma célebre frase de Molière diz que “Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer”. Muito se tem falado no que se tem feito para diminuir a violência. Mas o que deixamos de fazer? E é nesse ponto que entramos com aquilo que dissemos da terceirização das responsabilidades.

A violência ganha um sentido mais amplo se nos responsabilizarmos por aquilo que deixamos de fazer. Percebam que, quando deixamos de verificar uma lição de casa, ou quando permitimos que uma criança se exceda em sua birra, ou damos à criança muito além daquilo que seria necessário, no intuito de aplacar nossa consciência pela ausência provocada por nós mesmos e pela desculpa de não ter tempo em função do trabalho ou algo assim, estamos afastando essa criança do convívio e com o tempo passando ela irá tomar isso como desinteresse dos pais por ela, daí à violência é um passo, pois o que ela quer é atenção, ser repreendida, coisa que nunca foi.

A violência abrange todos os níveis sociais, e a violência escolar é apenas uma das facetas da violência que vemos emergir por aí, ela não tem preferência por cor, raça, religião ou condição social. Na organização da nossa sociedade atual ela adquire um papel primordial devido às interações de uma série de fatores políticos, socioeconômicos e também culturais tanto de grupos sociais como de áreas determinadas. Porém cabe destacar um grupo especialmente vulnerável que são as crianças e adolescentes. Considerando a escola como um espaço de socialização do indivíduo, é óbvio que os conflitos irão aparecer.

            Vamos nos arriscar a dizer que a violência pode ser fruto da falta de educação. Ora, se a terceirização da educação é uma realidade moderna porque não também dizer que a banalização da violência escolar também é.

            O que gera muitas vezes na escola a violência (verbal, física ou intelectual) é a falta de educação. A sociedade moderna é uma sociedade de privilégios, e não de direitos (e muito menos de deveres). Todo mundo está certo e todo mundo tem razão. Chegamos a pensar que está faltando normas claras de convivência em sociedade.

            Ao longo dos tempos quem ditava tais normas era a Igreja. Em outros tempos as normas foram ditadas pelos governos. Consequentemente a família ditava as normas aos seus filhos e aos filhos dos filhos. Com a quebra do poder da igreja e com a abertura para a democracia o Brasil deixou de ter normas claras de convivência. Os valores de uma época se perderam e não existe mais o porque de se cumprir com determinadas tarefas, ou de respeitar determinadas pessoas (como se umas merecessem mais respeito do que outras).

            Na política a corrupção se banalizou e virou algo aceitável. A legislação trouxe demasiados privilégios para o mundo do crime. O poder público tirou a responsabilidade dos pais sobre a educação do seu filho (inclusive proibindo a palmada pedagógica). A Constituição de 1988 é bem clara quando diz no artigo 205 que “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Ora, é neste momento que a “educação”. Ou seja, a educação é colocada, antes pelo Estado do que pela família (esta em segundo lugar).

            No que diz respeito a educação que a família deve colocar aos seus filhos, os limites e os valores que desejam inserir é preciso repetir a célebre frase “quem pariu Mateus que o crie”. Sendo assim, vale algumas dicas:

1. Professor não é pai. Professor deve ensinar competências e habilidades conforme um plano de ensino.
2. Babá não é mãe, babá deve ser um complemento às necessidades da família.
3. Aluno é aluno durante um ano, ou um período. Filho é filho para sempre.
4. Dizer não ao seu filho não vai traumatizá-lo. Vai ensinar que ele não pode ter tudo e que não é a pessoa mais importante do mundo.
5. Escola não é reformatório. Escola é um espaço de interação social para que se aprendam os conteúdos mínimos para viver em sociedade.
6. Pai e mãe devem ser os responsáveis pelos atos dos seus filhos.
7. Proteger seu filho quando estiver errado hoje pode significar assumir a culpa por um assassinato amanhã (ainda que [não] seja só um acidente beber e dirigir).
8. Não espere que seus filhos não sigam seus exemplos. Nenhuma criança aprende a falar mal, brigar, ser nervoso, cuidar da vida alheia, fazer picuinhas, distribuir fofocas e ser mal educado sozinho.
9. Não acredite que a sociedade ou “a vida” vai educar o seu filho. Muito pelo contrário, o que podem fazer é ensinar, e geralmente, aquilo que não presta.


10. Não adianta chorar pelo leite derramado. Ou seja, se não educar seu filho desde cedo, não vai adiantar querer começar aos quinze anos de idade, quando talvez já for tarde de mais.


Omar de Camargo 
Técnico Químico 
Professor em Química. 
Pós-Graduado em Química. 
decamargo.omar@gmail.com 

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo.
Articulista e palestrante.
Especialista em Gestão Ambiental, mestre em Geociências. Doutorando em Geologia Regional.
icguedes@ig.com.br

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