quinta-feira, 24 de abril de 2014

EM BUSCA DA AULA PERDIDA

          EM BUSCA DA AULA PERDIDA

Buscar novos métodos e se atualizar sempre é obrigação primordial do professor



      Numa alusão ao filme “Em busca do tesouro perdido”, em que Nicolas Cage personifica  Benjamin, um caçador de tesouros, que durante toda sua vida procurou um tesouro que ninguém acreditava existir, resolvemos escrever esse artigo. Acreditamos que todos os professores, ao menos aqueles interessados, estão sempre à procura da aula perdida, ou aula perfeita como se fosse um tesouro que ninguém mais acredita existir, somente ele. Quem não se perguntou: O que está faltando? Onde posso melhorar? Será culpa do aluno ou eu não estou me fazendo entender?





                Uma coisa é certa, os tempos e as pessoas mudaram, e como mudaram. Uma aula regada à lousa e giz não atrai mais ninguém e se o professor parar para pensar verá que nem a ele agrada esse tipo de aula. Hoje em dia temos uma dinâmica muito maior, a interação com as coisas, pessoas, informações, etc. tudo está a um clique do mouse.

                Muitos professores se vêm perdidos diante de tanta informação rolando na tela de um IPhone ou Tablet nas mãos ágeis dos alunos. Então o que fazer?

                Muito se tem falado em despertar o interesse do aluno. Aliás, quem nunca ouviu a fala: - “Professor sua aula não é interessante, faça alguma coisa”. E aí você vai para casa e fica matutando no que fazer, remoendo seus pensamentos e se sentindo inferiorizado. Calma amigo professor, você não é o único a se preocupar com isso. A aula perfeita assim como um tesouro repousa perdida em algum lugar na nossa mente. É necessário buscá-la em nós mesmos, revolver nossos preconceitos, garimpar nossa didática, esmiuçar nossas metodologias e, quiçá buscar ajuda externa. Há um mundo novo a ser explorado, novas metodologias, novas possibilidades e o professor não pode ficar parado no tempo senão ele fica ultrapassado, velho antes do tempo. Depois da invenção do computador tudo ficou mais rápido, rápido até demais e nós professores ficamos focados nos ensinamentos que remontam ao século passado. Não queremos dizer que o que se aprendeu é descartável, pois não é. Numa comparação grosseira o que aprendemos é como um carro antigo, bem conservado que nos leva aonde queiramos ir, porém nada se compara com um carro atual, com ar condicionado, GPS, freios ABS e direção hidráulica. Bem, apenas citando alguns itens de conforto para a lista não ficar comprida. Percebe a diferença?

                Vivemos um momento de paradigmas sociais e filosóficos, que trazem no seu bojo certas tendências pedagógicas. O professor deve estar atento para as interações didático-pedagógicas que isto propicia e desta forma ir construindo sua prática educativa.

                O professor precisa se atualizar. Isto é indispensável para sua sobrevivência como professor. Aliás, como todo profissional, o professor precisa estar atualizado. É preciso estudar e conhecer diferentes opiniões, diferentes concepções pedagógicas e diferentes ideologias sobre a função do ensino. Fazendo uma alusão a outros profissionais, o advogado é obrigado a se atualizar diariamente, o engenheiro idem, o médico ibidem, e o professor? Porque lança o livro didático de baixo do braço e faz dele uma “bíblia”?

                Os diferentes níveis de ensino (Infantil, Fundamental I e II, Médio e Superior) requerem um conjunto de competências e habilidades de cada profissional que seja condizente com o a etapa em que esteja trabalhando. Um professor que atue em diferentes modalidades deve saber separar as necessidades de cada etapa e os embasamentos teóricos e metodológicos que permeiam orientações didáticas.

                Neste contexto figuram-se faculdades que não estão muito preocupadas em formar professores para diferentes segmentos de ensino. A formação do professor se faz, muitas vezes, nos cursos de pedagogia (para os atuantes na educação infantil e no ensino fundamental I). Estes pedagogos carregam em seus cursos uma carga razoável de teorias pedagógicas e estratégicas de ensino, mas o que dizer dos professores especialistas? Os cursos de formação de professores especialistas dão conta da sua carga específica e pedagógica? Porcamente há que se dizer,  os cursos de licenciaturas trabalham com Psicologia da Educação, Didática e Estrutura da Educação Básica, ou seja, três disciplinas que irão “atestar” ao aluno de ensino superior a competência de lecionar no ensino fundamental II e médio (e que muitas vezes são ministradas por “professores” que não possuem formação pedagógica).

                Apropriar-se de teorias e tendências pedagógicas certamente irá trazer inúmeras ferramentas para a solução dos acidentes de percurso durante sua vida como docente. Não estar preso a uma teoria apenas é uma maneira de manter a mente aberta e disposta à mudanças.

Muito se tem falado da formação do docente, ou melhor, da formação “ideal” do docente, porém tal discussão não tem passado de um embate teórico que nunca se transformou em realidade. A nossa diversidade cultural e econômica social é enorme e sugerir apenas um caminho é, no mínimo, inconsequente. Neste sentido temos as orientações curriculares que traçam apenas indicações de caminhos a serem trilhados e, convenhamos, é o máximo que se pode exigir de algo tão amplo.

Considerar que tudo possa ser resumido a aplicação de um saber metodológico, fundamentado epistemologicamente em outros campos de saberes é algo duvidoso, pois são tantos os meandros a serem percorridos na busca da aula perfeita (ou perdida) que apresentar uma fórmula seria como prender o professor a um método, assim como pretendia Comênio e a exemplo de Bacon que considerava possível resumir o ensinar/aprender a um método.

Com tantas inovações pululando em nossa volta, a escola de hoje é uma escola diferente daquela de ontem. Não chega ser um retrocesso, porém diríamos que é uma escola nova, cheia de novas possibilidades. Isto possibilita aos professores determinar novos rumos, investigar novas teorias, quiçá a sua própria teoria. É preciso nunca deixar de procurar pela aula perdida, numa constante transformação, num eterno aprender ensinando.

OMAR DE CAMARGO
Técnico Químico
Professor em Química
decamargo.omar@gmail.com

IVAN CLAUDIO GUEDES
Geógrafo e Pedagogo
Articulista e Palestrante
Especialista em Gestão Ambiental, mestre em Geociências e doutor em Geologia.


icguedes@ig.com.br

Publicado originalmente em: http://www.gazetavaleparaibana.com/077.pdf 
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