terça-feira, 15 de julho de 2014

EDUCAÇÃO AMBIENTAL E COLETA SELETIVA: DESAFIOS PARA A HUMANIDADE

          Quando citamos o assunto em sala de aula, e os alunos apresentam seus trabalhos, podemos perceber muito claramente que o assunto passa somente como “mais um trabalho escolar”. Dificilmente conseguimos desenvolver um trabalho sério de coleta seletiva, principalmente a partir da própria escola, que, raramente adota o sistema, por “falta de espaço”, ou até mesmo por falta de interesse.

          Para que um trabalho obtenha sucesso, a entidade (escola) deve primeiro dar o exemplo à comunidade, ensinando na prática como se faz a coleta e apresentando suas vantagens (econômicas, sociais e ambientais). Para elaboração desta ação, não é necessária nenhuma proposta pedagógica mirabolante, essa prática deve ser trabalhada no cotidiano, como se fizesse parte da nossa cultura, para que, assim, os alunos possam adquiri-la e implantá-la por livre iniciativa nas suas residências mudando alguns hábitos e costumes.

          Muito se fala em coleta seletiva, nas aulas, na igreja, na televisão, nos seminários, nas palestras etc., porém, muito casualmente podemos encontrar alguém que realmente faça em seu ambiente a separação do lixo doméstico.

          Antes de tudo, vamos fazer um preâmbulo do lixo gerado nas residências.

          Podemos citar como lixo doméstico, desde a sujeira gerada pelos animais domésticos, até o lixo da cozinha, das compras, jornais, revistas, rascunho de papel, lixo do banheiro...

          Quanto à separação, torna-se muito mais fácil iniciá-la pela raiz, ou seja, já na entrada de casa. Faz-se necessária muita paciência e controle, pois, ao separá-lo devemos administrá-lo de forma que não se misture ao lixo não reciclável.

          Vamos citar abaixo, uma pequena tabela para esclarecer basicamente o que é e o que não é reciclável.
Vidro
Potes em geral e garrafas.
Papel
Jornal, revistas e folhas diversas.
Alumínio
Latas.
Plástico
Embalagens de óleo, sacolas e potes danificados.
Matéria orgânica
Guardanapos, restos de comida, folhas de árvores e pontas de cigarro.
Não recicláveis
Bandejas de isopor*, resíduos de limpeza (pó, esponja, palha de aço) etiquetas, fitas adesivas, papel carbono, papel de fax, fotografias, papéis sanitários e papéis metalizados.










* Apesar de não ser feito em grande escala, já existem estudos técnicos que prevêem o reaproveitamento do isopor em fumicultura pela Abrapex conforme artigo em www.setorreciclagem.com.brReciclagem de Bandejas de Isopor - RS”.

          Na cozinha, temos o costume de colocar sobre a pia um cesto para lixo, pois bem, sem muito trabalho podemos colocar mais uma ou duas, para que seja iniciado o processo de separação.

            Em um cesto, podemos utilizá-lo para o material orgânico, no segundo cesto, podemos utilizá-lo para plásticos, e o terceiro para materiais não recicláveis. Além de um quarto cesto, destinado às latas, se for o caso.

            Caso não disponha de um espaço para os três cestos, um deles (o para plástico) pode ser colocado na dispensa, assim, esse pode ser o ponto de descarte para tudo que for de plástico na residência como embalagens de revistas, embalagens de jornais, potes de manteiga, sacos de supermercado, garrafas plásticas etc.

            Quanto ao óleo de cozinha, evite jogá-lo na descarga do banheiro, pois, ao se misturar com a água, será muito difícil o tratamento, além do que, com o tempo o seu encanamento apresentará problemas. O ideal é coletar o óleo em uma garrafa “pet” e descartá-la junto com o resto do lixo, ou encaminhar a algum posto de coleta (mercado, escolas, igrejas, associações etc.).

            O papel gerado na residência (jornal, revistas, folhas) pode ser acomodado em uma caixa de papelão a fim de ser encaminhado à reciclagem.

            Feita a coleta seletiva, qual o caminho a ser dado para o lixo?

            Por mais que façamos a coleta seletiva residencial, não devemos descartá-lo como lixo comum, pois, dificilmente esse lixo será realmente reciclado. As empresas de coleta raramente têm equipamentos e funcionários para fazer a “garimpagem” do lixo, por sua vez, todo o trabalho que você teve, vai certamente parar no lixão ou em algum aterro sanitário.

            Para Miranda (1995) “das 12 mil toneladas de lixo que São Paulo produz diariamente, 90% são depositadas em aterros”.

            Obviamente, esse quadro apresentado em 1995 mostra um dado ultrapassado. A questão ambiental tem tomado a pauta de muitas Ong´s e empresa interessadas em reduzir os seus custos, ou atender a uma legislação. Muito se tem feito com questão à reciclagem do lixo, porém, ainda há muito por fazer.

            O destino correto seria, então, encaminhar a um ponto de coleta (ferro velho) ou, simplesmente destinar aos catadores ambulantes.

Catadora de lixo em Guarulhos-SP.
Pela falta da separação do lixo, as pessoas que dependem deste recurso são obrigadas a vasculharem os lixos domiciliares como forma de subsistência. Foto. Arquivo pessoal - 2006

            Os catadores de lixo, muitas vezes vasculham seu lixo e entram em contato com tudo que há nele: fezes, resto de comida, remédio... Fazendo essa seleção na sua casa, você, ao entregar esse material ao catador, estará ajudando-o a melhorar sua qualidade de vida, não estará fazendo sujeira na sua rua e não estará enviando o lixo para os aterros.

          Selecionando o lixo, seu volume diminuirá, pois só será descartado o lixo orgânico e não o reciclável, se cada um fizer a sua contribuição, todos agradecerão.

REFERÊNCIA
MIRANDA, Luciana Leite de  O que é lixo. – São Paulo: Brasiliense, 1995. – (Coleção Primeiros Passos; 299).


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