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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Reportagem especial sobre salário docente

Reportagem especial sobre salário docente 

É inegável que a carreira do professor no Brasil está extremamente desvalorizada. Muito já escrevi sobre esse assunto, e pode ser conferido aqui, no meu blog.


Salário por salário não vai resolver O PROBLEMA, mas vai permitir que outros problemas sejam resolvidos, quais sejam: 1 - dupla ou tripla jornada do professor; 2- falta de tempo para estudar (justamente pelo motivo 1) - 3 - desinteresse e dissimulação pelo trabalho - 4 melhor oportunidade de selecionar melhores profissionais - 5 elevação do nível cultural do professor, dentre outros.

Como já disse Falcão: "Dinheiro não é tudo, mas é 100%"

Salário do professor

Investir no salário do professor é investir na qualidade (de vida) profissional do docente, e consequentemente na qualidade da educação.

Diversos economistas, vereadores, prefeitos, governadores e até mesmo professores, massacram a hipótese do professor ser melhor valorizado. Muitos deles jogam a culpa da baixa qualidade da educação no colo dos professores. Basta consultar os textos do economista Gustavo Ioschpe que você entenderá do que estou falando.

O professor mal preparado, mal remunerado, que não estuda, que não dá uma boa aula, só contribui para a baixa qualidade da educação. E quem ganha com isso? Acredite: muita gente ganha com isso!

Assista o vídeo abaixo e deixem suas opiniões.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PROFESSORES, REALMENTE ACORDEM!

PROFESSORES, REALMENTE ACORDEM!

Economista de formação, Gustavo Ioschpe ataca professores, escola e pensamentos pedagógicos.



Em 11 de maio deste ano o economista Gustavo Ioschpe, articulista da veja, publicou um ilustre artigo tecendo suas críticas (novamente) aos professores. Independentemente de o referido conter sérios problemas mal resolvidos na infância, ou se ele é pago para escrever tais bobagens, não vamos nos ater a isso, pois não levaria a nada, e sim no que se discutiu no artigo. Para quem quiser ler o artigo, basta acessar a página http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/professores-acordem.

Em primeiro lugar, se o Gustavo acredita que “a educação só vai avançar quando houver demanda pública por melhorias”, porque ele sempre só critica o setor público e elogia o privado? Será que realmente as escolas particulares são tão boas assim? Da mesma forma que existem bons colégios particulares, existe péssimos colégios particulares. Devemos lembrar que muitas escolas particulares são tão “depósitos de crianças” quanto às da rede pública. Se na rede pública existe a aprovação automática, na particular existe o padrão PPP (Papai Pagou Passou).




A princípio, Ioschpe ataca os professores dizendo que “o discurso é sempre o mesmo: o professor é um herói, um sacerdote abnegado” etc, etc. Muito bem, é preciso deixar claro que professor, é uma profissão. É regulamentada por legislação e tem seus direitos e deveres como qualquer outra. Se existe funcionário que não a cumpre, deveria ser demitido, mas os estatutos dos funcionários públicos (que enquadra muitos outros profissionais, além dos professores) não permite! Entretanto é preciso deixar claro que atualmente é muito fácil ser professor, basta fazer um cursinho qualquer em uma faculdade qualquer e voilá: seu diploma está pronto! Vale lembrar que esta “faculdade qualquer” não se refere à faculdade que tem poucos alunos e poucas salas de aula, muito pelo contrário, o maior problema do ensino superior são os Mc Donald’s da educação que oferecem uma mensalidade de R$ 199,00 e atolam 150 alunos em uma sala de aula. Ora, considere a seguinte situação: um cidadão que ganha um salário mínimo por mês se vê diante da possibilidade de cursar uma fast food da educação e ganhar a bagatela de R$ 1.697,39 por 40 horas trabalhadas. Sabendo que o salário é um dos (se não for o) mais baixos de quem tem ensino superior, mas a garantia de contratação pelo poder público é quase que imediata, qualquer ser humano dentro das suas faculdades mentais toparia este desafio.

É claro que este cidadão não tem um bom ensino médio (até porque se o tivesse não ganharia apenas um salário mínimo, mas ao mesmo tempo reduziria as possibilidades de ser explorado), obviamente também não terá um bom ensino superior, pois é impossível querer qualidade de ensino com 100 ou 150 alunos em uma sala de aula, ou pior ainda, via EaD. Em menos de três anos o sujeito estará com diploma na mão e poderá ser efetivado na rede pública, ou em algum colégio particular meia boca.

Ao discutir os 10% do PIB na educação, gostaríamos de contar uma novidade que o nobre não deve saber: o problema do dinheiro na educação não é a quantidade, mas sim o “como é utilizado”.

Membro da Fundação Ioschpe e ligado ao Todos pela educação, o articulista deve conhecer os bastidores da educação. Ele deve saber que o que sai dos cofres públicos não é o que chega às escolas. Construções, reformas, mochilas, materiais escolares, manutenções, pregões eletrônicos, tomadas de preços, tablets, computadores, notbook’s, lousa digital, enfim, tudo o que se faz para a educação é superfaturado, e neste ponto se sobressaem as OnG’s que também levam suas parcelas do dinheiro público para serem utilizadas como bem quiserem, isso sem falar em lavagem de dinheiro, apresentação de projetos caríssimos aos cofres públicos que não existem... Acrescentar 10% ou até mesmo 30% do PIB na educação não vai resolver nada, enquanto a corrupção imperar em todos os segmentos da sociedade.

Em seguida é discutido sobre a relação “valor investido na educação – entre eles o salário do professor – e o aprendizado dos alunos”. Não vou gastar linhas neste assunto (já o fiz em outros artigos), mas gostaria de ver como o Gustavo sobreviveria nas condições citadas acima, com o salário anunciado. Dentro das suas perspectivas, muito provavelmente arrumaria outras escolas para trabalhar (Estado, prefeitura, particulares...). É preciso colocar na cabeça de algumas pessoas (e de alguns economistas) que o professor não trabalha 60 ou 70 horas em sala de aula por semana por amor à educação. Não, não se trata de “furor pedagógico” e sim de necessidade. Indicar atividades para casa, acompanhar os cadernos, corrigir minuciosamente as provas e os trabalhos é obrigação do professor! Mas tente fazer com uma somatória de 1200 alunos? Para não dizer que estou extrapolando nos números, citarei outro exemplo concreto: Professores de História, Geografia, Física, Química, Biologia, Educação Física, Sociologia, Filosofia, Inglês e Arte possuem duas aulas por semana, por turma. Cada turma tem em média 40 alunos (no melhor dos exemplos). O professor trabalha 30 aulas de manhã (das 7h às 12h20min), em seguida vai para outra escola com mais 30 aulas (das 13h às 18h20min), e/ou para o período noturno (25 aulas – das 19h às 23h). Pronto! Fez as contas? Animador, não?

A presença da comunidade na escola é fundamental. Este próximo item abordado no artigo diz que se a comunidade for para dentro da escola “vão descobrir que a escola brasileira é uma farsa (...) verão a quantidade abismal de professores que faltam ao trabalho, que não prescrevem nem corrigem dever de casa (...)”. Sim, seria muito interessante se a comunidade realmente fosse para a escola. Diversos exemplos demonstram que as escolas em que a comunidade participa, tiveram um salto de qualidade: os problemas de incivilidade diminuem, a comunidade passa a cobrar melhor os políticos, as brigas, furtos e ofensas diminuem, mas o grande problema é o “como” trazer a comunidade (que trabalha, que é de baixa renda, que precisa sustentar uma família – isso quando o próprio aluno não é este, o responsável) para dentro da escola. É possível sim, trazer todos para dentro da escola, o objetivo é o de melhorar, e não o de denegrir como o ilustríssimo o faz comumente na vossa coluna.

Adiante, Gustavo Ioschpe elenca quatro itens que os professores precisarão fazer para “melhorar a qualidade do ensino”. Dos itens elencados, respondo
:
Primeiro. Não somos vítimas. Somos profissionais e queremos ser respeitados, e nos dar ao respeito como tal. Se o professor está nesta situação e continua nela, pode haver duas hipóteses: 1. Incapacidade de arrumar outro emprego (como já discutido acima) e, 2. Ideologia. Sim, muitos professores fazem o que fazem por ideologia, mas não política-partidária, nem de direita nem de esquerda. A ideologia de que a educação poderá ajudar a construir uma sociedade menos hipócrita e mais humana, e obviamente que o salário é bem vindo, pois quanto mais eu ganhar, em menos escolas precisarei trabalhar e assim poderei estudar mais.

Segundo. Cada ser humano possui um conjunto de valores morais e éticos que é preciso respeitar. Ainda que o professor deva ser “neutro” e oferecer aos alunos diferentes pontos de vista, o professor é um ser humano e carrega consigo todo conjunto de valores que foi construindo ao longo da sua vida. Creio que o professor que estuda constantemente tem um bom discernimento sobre isso, portanto, para que os professores não negligenciem a literatura como Ioschpe diz, o professor deve estudar (e isso está ligado ao primeiro item tratado).

Terceiro. Todos tem o direito de debater a educação, assim como a saúde, a segurança, o transporte, etc. o debate deve ser democrático e as opiniões fundamentadas são sempre bem vindas. Entretanto é preciso deixar claro que o professor (sobretudo o Pedagogo) é um especialista da educação. Ele detém o conhecimento da fundamentação pedagógica para avaliar um aluno, bem como verificar a situação de aprendizagem. Se assim não o fosse, todos nós poderíamos dar palpite no procedimento em que o cardiologista está utilizando ao realizar uma operação, ou sobre como o policial deve empunhar a sua arma durante uma troca de tiros, ou ainda mais: o quanto o urologista deve se empenhar no exame de próstata!.

Quarto: qualquer ser minimamente pensante já terá compreendido a questão do salário. Caso não tenham entendido, podem encaminhar suas perguntas!

Para finalizar, gostaria de dizer que, realmente o respeito da sociedade não virá quando nós tivermos um contracheque mais gordo. O respeito virá quando conseguirmos educar a sociedade para que todos percebam que o problema não está nos jogadores do time, nem no técnico, muito menos no presidente do clube, mas sim na FIFA.

Talvez se “falar com o professor médio brasileiro (...) é mais inútil do que o proverbial pente para careca”, argumentar com um economista pode ser como discutir com uma porta. Vamos ver o debate!

Esse vídeo traz outra análise sobre as "ideias" de Gustavo Ioschpe:
https://www.youtube.com/watch?v=9iwDQZgntEE&feature=youtu.be

Ivan Claudio Guedes, 33, Geógrafo e Pedagogo
www.facebook.com/prof.ivanclaudioguedes 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Prefeitura de Guarulhos decreta que o professor não pode ficar doente!

A PREFEITURA MUNICIPAL DE GUARULHOS tendo como seu responsável o Prefeito Sebastião Almeida e o Sr. Secretário Municipal de Educação Moacir de Souza atestam NOVAMENTE seus certificados de INCOMPETÊNCIA.

Precisamos encaminhar o Sr. Secretário Moacir de Sousa à um psiquiatra.
Tudo indica que sofre de SÍNDROME DA AMNÉSIA PEDAGÓGICA.







Veja o vídeo no youtube

Este parecer é totalmente IMORAL, contra o bom senso, a cidadania e até mesmo a humanidade. Aonde já se viu um funcionário não poder ir ao médico e comprovar sua ausência temporária através do atestado de horas?

Será que os nobres nunca precisaram ir ao médico durante o horário de trabalho?
Será que os nobres não conhece seu próprio sistema de saúde pública?

Já diz o velho ditado: "A democracia é quando eu mando em você"

Lamentável, mais uma vez...
Falta muito pra essa corja sair do poder?

Prof. Ivan Claudio Guedes.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Salário pago em São Paulo afasta docentes


DAVI LIRA - O Estado de S.Paulo
04 de outubro de 2012 | 3h 05
O valor do salário do professor em São Paulo - cerca de R$ 1.780 por mês - apontado no estudo, torna a profissão "pouco atrativa". É a posição do professor de Educação da Universidade de São Paulo (USP) José Marcelino Rezende, especialista em financiamento público.
Segundo ele, os melhores alunos dos cursos de formação de docentes preferem se submeter a concursos públicos em outras áreas que encarar a rede de ensino ao final da graduação. "E é evidente que essa cadeia afeta a qualidade da educação básica", diz.
Rezende também cita que, com a educação a distância oferecendo mais de 1 milhão de vagas, o salário poderia cair ainda mais, com mais profissionais no mercado.

Esse quadro de pouca atratividade também é reconhecido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). "Esses dados só confirmam o que nós temos colocado nesses últimos anos", afirma o presidente da CNTE Roberto Franklin de Leão.
Para ele, o salário médio dos professores deveria ser igual ao rendimento recebido pelos servidores de mesma titulação que atuam no serviço público. Hoje, o valor seria 40% menor.
No entanto, para o pesquisador Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), o aumento do salário não melhoraria necessariamente o resultado das escolas. "Mas, se tiver um patamar mais alto de rendimentos, já vai ser possível recrutar gente mais qualificada nas próximas seleções."
Esferas de governo. Para o Ministério da Educação (MEC), "não há surpresas" nos valores revelados pelo estudo. O ministério, no entanto, cita como avanço desse quadro o estabelecimento do piso nacional (mais informações nesta página).
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo "estranha" a metodologia utilizada na média do salário e informa que o valor base pago pelo governo é de R$ 2.088, para a jornada de 40 horas. Em 2013, o valor chegará a R$ 2.213.
A Secretaria Municipal de Educação informou desconhecer detalhes do estudo, mas citou que o professor que recebe anualmente o Prêmio por Desempenho Educacional, o bônus da área, ganha quase 70% mais que a média apontada no levantamento. Hoje, o município emprega mais de 62 mil professores.

domingo, 22 de abril de 2012

MOBILIZAÇÃO DOS PROFESSORES

MOBILIZAÇÃO DOS PROFESSORES

A paralisação dos professores e os professores paralisados: um simples trocadilho ou um fato?





Desde o final de 2011 que ouvimos falar em uma mobilização nacional para forçar os Estados, os Municípios e o Distrito Federal a cumprirem a Lei n. 11.738 de 2008 (chamada Lei do Piso) que institui nos seus oito artigos o piso salarial nacional dos profissionais do magistério público da educação básica, a composição da jornada de trabalho, reservando o limite máximo de 2/3 da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos e 1/3 em Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC) e Aula de Trabalho Pedagógico Livre (ATPL) e, também sobre o Plano de Carreira. Pois bem, desde 2008 que vem se travando a discussão sobre essa Lei, e pouquíssimos Sistemas de Ensino vem cumprindo-a integralmente. Alguns cumprem a parte do salário, outros cumprem com o Plano de Carreira. Não conhecemos nenhum que cumprissem com as horas de atividade com alunos. 

O que nos chamou a atenção foi a ausência desse debate desde que a Lei foi publicada em 2008. Nas escolas foram raras as oportunidades de discussão durante as Horas de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), agora denominadas ATPC. Nas redes sociais, também pouco se falou. Entretanto, há alguns meses esse debate ganhou espaço (nas redes sociais). Indiferentes a isso, continuamos sem debater esses assuntos nas escolas. O tempo foi passando e a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) convocou uma paralisação nacional para os dias 14, 15 e 16 de Março de 2012. Desde o início de 2012 que estamos acompanhando essa tentativa de mobilização. Independentemente do corrente ano eleitoral e dos interesses políticos e, sobretudo partidários que permeiam esse debate, gostaríamos de centrar nosso foco sobre a figura do professor e sua formação filosófica, ou política. 

Já faz algum tempo que as ciências humanas perderam sua função na educação básica (se é que alguma vez, realmente tiveram essa função) que é a de proporcionar ao aluno uma reflexão crítica e autônoma sobre os acontecimentos sociais. Com a expansão descontrolada e a monetarização desenfreada do ensino superior no Brasil as ciências humanas também perderam seus espaços (inclusive dentro dos próprios cursos de ciências humanas). É comum hoje verificar cursos de Pedagogia, Filosofia, História, Geografia, Letras, Sociologia, entre outros, uma formação a “toque de caixa”, sem que haja leituras essenciais para a formação deste profissional ou debates em torno das ideias centrais do seu ramo de atuação. Isso posto, é de se esperar que o futuro profissional não domine sua área de atuação e seja um trabalhador “meia boca”. Para deixar mais claro, é possível citar José Carlos Libâneo (Adeus Professor, Adeus Professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. Ed. Cortez, 1998)  em que no terceiro capítulo o autor faz uma brilhante análise da desprofissionalização do docente, mediante o sistema neoliberal de ensino. Em que o professor é formado sem que haja condições deste partir para o mercado de trabalho plenamente qualificado e, sendo assim, também formará alunos sem qualificação. 

O que queremos discutir aqui é que os professores, diferentemente de outras categorias (tais como os metalúrgicos, os petroleiros, os mineradores, os caminhoneiros...) não sabem, ou não querem, brigar pelos seus direitos trabalhistas. Talvez a sensibilidade do professor diante do turbilhão de atividades e controvérsias que permeiam seu trabalho tenha diminuído seu interesse em formar cidadãos livres e conscientes do seu papel social. Entretanto, cabe outra citação. Desta vez, verificamos em Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido. Ed. Paz e Terra, 1987) é dito que é preciso ensinar ao oprimido que ele o é, e portanto, a partir da sua consciência de oprimido adquirida, o mesmo tenha condições de emancipar-se intelectualmente. Pois bem, fazse a questão: Como ensinar a um oprimido que ele o é, se o professor também o é e não sabe? 

Como criar uma sociedade emancipada e democrática se o professor, papel central neste processo, não é emancipado e muito menos democrático? Como formar um aluno crítico e consciente dos seus 
deveres e direitos se o professor também não tem consciência dos seus? 

As faculdades não proporcionam tal formação para seus alunos, por conta de um currículo enxuto, mensalidades baixas para atrair qualquer tipo de alunopagante, salas superlotadas (100 – 150 alunos, sem exagero), professores mal remunerados, e portanto, sobrecarregados de aulas e sem estímulo para continuarem sua formação (até porque se continuarem a formação se tornarão profissionais mais caros), falta de pesquisa e publicações acadêmicas, cortes de custos a qualquer preço, a quantidade e o lucro em detrimento da qualidade do ensino, são alguns dos fatores que contribuem para o círculo vicioso, má forma-
ção gerando má formação, ou seja, o professor mal formado no ensino básico, também é mal formado no ensino superior e vai contribuir com a má formação no ensino básico.  

Se formos analisar a situação sob esta ótica, veremos que os sindicatos e seus diretores, pessoas astutas e possuidores de uma oratória invejada, utilizam-se deste círculo vicioso na razão direta dos seus interesses políticos-partidários, pois sabendo que o professorado é mal formado politicamente e também não consciente da sua posição de formador de opinião, usam os mesmos como massa de manobra, assim como o governo, usa desse expediente para reforçar o círculo vicioso que resulta na má formação do aluno que por sua vez ao se formar numa faculdade também terá grandes chances de ser um mal profissional. 

Tal situação, a má formação do professor, foi no citada no “Jornal da Educação” em sua edição on-line nos idos de 2007 onde é dito que os mestres e doutores, responsáveis pela formação dos profissionais da educação, deveriam assumir parte na responsabilidade da má formação dos alunos da educação básica, pois eles tem participação nesse processo, haja visto que eles formam os professores. O mesmo jornal cita ainda a possibilidade, caso o governo fosse sério (adendo nosso), de que todos os professores poderiam ser chamados a fazer atualizações e especializações GRÁTIS (grifo nosso).  Impossível? Não nos parece. Afinal seria uma bela demonstração de seriedade. Alguns, menos avisados, poderiam aventar de que o governo já proporciona bolsa mestrado e doutorado para os professores da rede. Mas, isso é 
em número reduzido e insignificante para uma rede de aproximadamente 200 mil profissionais da educação. É necessário mais, muito mais. 

Segundo Cunha (CUNHA, M. I. Aprendizagens significativas na formação inicial de professores: um estudo no espaço dos Cursos de Licenciatura. Artigo on line, disponível em: h t t p : / / 1 6 8 . 9 6 . 2 0 0 . 1 7 / a r / l i b r o s /anped/0425T.PDF),  ”Não são os conteúdos ou as informações que carregam as relações sociais que geram a reprodução social ou cultural, mas a forma de transmissão, entendida como a teia de relações de poder e de subjetividade que a permeiam”. Daí deduz-se que o especialista recémformado, muitas vezes, não detém a capacidade necessária para a devida transmissão do conhecimento adquirido. Ele é de fato um especialista em sua área, porém em um mundo globalizado e contextualizado, como o de hoje, talvez fosse necessária uma formação acadêmica global. Seria o professor do tipo “canivete suíço”. Como um professor desse  naipe, provavelmente, custaria mais caro às universidades e faculdades elas acabam optando por aqueles que possuem o conteúdo, porém vazios de competência. Onde isso irá desembocar? Claro, evidentemente na má formação do aluno do Ensino Básico. 

Ainda referenciando Cunha, ”esse profissional mal preparado vai encontrar dificuldade para se encaixar no mercado. Vai, então, para a especialização na Pós-Graduação. Escolhe uma área específica, forma-se, e vai dar aula. Seu método será o mesmo utilizado pelo professor que ele teve durante a graduação. E a 
inovação? Sem ela, não há mudança.” De fato, como o professor ,durante a sua especialização, não inovou em nada, há de se entender que nada irá mudar e ele agora com diploma na mão irá ensinar exatamente aquilo que aprendeu e da forma que aprendeu. Faz-se necessária uma ruptura epistemológica que permita reconfigurar os conhecimentos para além das regularidades propostas pelo paradigma da modernidade.

 Percebemos então que, o balaio é muito maior do que imaginávamos inicialmente. Por fim, podemos concluir afirmando que há interesses por parte de alguns grupos sociais para que a formação inicial e continuada do professor seja de baixa qualidade. Há interesses políticos e econômicos evidentes para que a formação da educação básica seja de baixa qualidade. Esses interesses partem de diversos lugares, tanto do Governo, quando dos sindicatos e das empresas que precisam de mão-de-obra semi qualificada e barata.  

Para quebrar esse ciclo só existe um meio: Estudar. Amigo professor, é preciso estudar mais!

Omar de Camargo 
Técnico Químico
Professor em Química
Pós-Graduado em Química

Ivan Claudio Guedes 
Geógrafo e Pedagogo.


Texto disponível em http://www.gazetavaleparaibana.com/053.pdf

sábado, 31 de julho de 2010

PLANO DE CARREIRA PARA PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO

Recebi recentemente pelo Prof. Domingos www.prof.domingos.com.br parecer do Ministro da Educação sobre o Plano de carreira para os que trabalham com educação. É interessante ler e perceber o quanto é complexo a formação dos nossos alunos e nos livrar da falsa ideia de que o professor é o único responsável pela formação do aluno. O documento tem 23 páginas e vale a pena ler e discutir, pois isso interfere na nossa profissão e na estrutura da educação brasileira para os próximos anos. Para baixar o documento clique no link abaixo. http://www.megaupload.com/?d=2AIUU6AX Aguardo os debates sobre o tema. Ivan C. Guedes
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