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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Competências e habilidades na educação segundo Perrenoud

O conceito de competências e habilidades (conforme Perrenoud) muitas vezes é mal compreendido principalmente pelos professores das matérias específicas que não possuem formação em Pedagogia.
Neste vídeo, a partir de uma conversa simples e descontraída, explicamos esses conceitos e apresentamos alguns exemplos.
Ideal para quem vai prestar algum tipo de concurso público para professor, ou para que está estudando Perrenoud e o ensino por meio de competências.



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

DILMA PROPÔS RETIRAR SOCIOLOGIA E FILOSOFIA DO CURRÍCULO ESCOLAR?

DILMA PROPÔS RETIRAR SOCIOLOGIA E FILOSOFIA DO CURRÍCULO ESCOLAR?

Presidente afirma em entrevista ao Bom Dia Brasil que há muitas disciplinas no Ensino Médio.





A polêmica gerada em torno da declaração da Presidente Dilma sobre a exclusão do currículo escolar das disciplinas de Filosofia e de Sociologia só ajudam ilustrar o quanto capenga está a estrutura escolar brasileira.

É importante lembrar que há pouco tempo houve uma reforma curricular em que as disciplinas de Sociologia e Filosofia foram retiradas do currículo (até 1996 eu tive Filosofia, Sociologia e Psicologia), na época, o presidente era um sociólogo. Costumo dizer que coube a um metalúrgico trazer novamente essas disciplinas ao currículo escolar (sem ofender nenhuma classe trabalhista, inclusive a dos sociólogos).

Dilma Bom Dia Brasil

A defesa de Dilma para o corte de algumas disciplinas justifica-se pela brilhante ideia que surgiu no seio de movimentos (ditos) sociais em defesa de uma suposta educação que julgam que o currículo escolar brasileiro, no ensino médio, possuem muitas disciplinas (tadinho dos alunos que precisam estudar, estão sobrecarregados... sobrecarregados de que se não estudam nada?) São elas: Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Filosofia, Sociologia, Biologia, Física, Química, Educação Física, Arte e Língua Estrangeira (Inglês). Observa-se ainda que no Senado e na Câmara dos Deputados existem diferentes projetos para inclusão de outras disciplinas, tais como: Ciência Política, Direito básico, Trânsito, Economia doméstica, e por ai vai.

Na realidade, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) não define currículos, mas sim conhecimentos básicos que o aluno deve adquirir, que estão expressos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Quanto muito algumas emendas apresentam a obrigatoriedade do ensino da cultura afro-brasileira, música, direitos humanos (sobretudo infantil) e a obrigatoriedade de trabalhar com filmes brasileiros (2 horas por mês, no mínimo).

Minha indagação (e indignação) não recai sobre a quantidade de disciplinas em si, mas na vontade de alguns grupos em discutir o que não precisa ser discutido. Piorar o que já está ruim. Lembrando que até pouco tempo também se ensinava (e naquela época se aprendia) Latim, Italiano, Educação Moral e Cívica, OSPB e por ai vai. Das ilustres disciplinas que já tivemos no currículo, posso citar: Curso Bíblico (1549-1827), Lápis e bordado (1827-1879), Francês (1890-1946), Lavoura e horticultura, marcenaria e economia (para os meninos), costura e economia doméstica (para as meninas) (1879-1890), enfim, como já discuti anteriormente, o currículo é o foco de diversos interesses e conflitos.
Quer comparar o currículo brasileiro com outros exemplos de ponta do PISA?

Dois exemplos: na Finlândia, por exemplo, o Ministério da Educação não fixa os conteúdos, mas sim o mínimo que deve ser aprendido, cabe às escolas e às secretarias regionais definirem o currículo. Já no Japão, se observa para o equivalente Ensino Médio: Língua Japonesa, Estudos Sociais, Matemática, Ciências, Música, Artes, Educação Física e Sanidade, Treinamento Técnico e Economia Doméstica, Língua Estrangeira (Inglês), Educação Moral e Atividades Especiais.

O problema que ninguém quer discutir são as condições de trabalho do professor, sua baixa qualidade na formação inicial e continuada, o péssimo salário, a falta de respeito, a terceirização da educação aos professores (que teimam em chamá-los de educadores), a falta de interesse em estudar (e não saber estudar – uma vez que se estuda para tirar nota, e não para aprender), e por ai vai... Ao pressionarem o governo para nivelar por baixo (pior do que já está) a impressão que dá é a de que, justamente, estão fazendo de propósito para piorar tudo. Imagine como ficaria juntar Geografia, História, Filosofia e Sociologia em uma única matéria? Física, Química e Biologia como uma coisa só? Já não bastam alguns lugares que retiraram História, Geografia e Ciências do currículo nos anos iniciais com o pretexto de que os alunos devem aprender a ler (é claro, para aprender História, Geografia e Ciências não é preciso ler, certo?) e também já querem extirpar o Ensino Médio?

Quanto à entrevista da presidente, ora, assista a entrevista completa e não se prenda a vídeos de 20 segundos que estão rolando pela internet em que foi recortada uma fala fora de contexto com o puro pretexto das eleições. Na realidade ela ainda tentou justificar o pífio rendimento do Brasil pelo IDEB através do currículo. Grande engano da presidente, mas não vou discutir isso aqui (não agora).

O que precisamos discutir são os tópicos levantados acima, e não quantas disciplinas são ensinadas, mas como são ensinadas e, principalmente, como são aprendidas.
São aprendidas?

Tire suas conclusões. Veja a entrevista aqui:

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

REFLEXÕES SOBRE O CURRÍCULO ESCOLAR

REFLEXÕES SOBRE O CURRÍCULO ESCOLAR

O currículo escolar deve ser flexível e atender às necessidades da sociedade. Na prática, muitas vezes é uma reprodução “mais do mesmo”.





Vários professores devem se perguntar: “Qual conhecimento ou saber é considerado importante ou válido ou essencial para merecer ser considerado parte do currículo?”, ou “Por que esses conhecimentos, e não aqueles?”, “Qual é o tipo de ser humano desejável para um determinado tipo de sociedade?”, “Qual é a função da escola, das disciplinas e dos conteúdos para a formação desse cidadão?”.

Currículo

                  Muitas perguntas vêm à tona quando se discute “o currículo”. As definições do que devem conter em um currículo estão expressas em diversos artigos da Lei 9.394/1996. Essa lei já sofreu diversas alterações e muitas propostas andam pelo Congresso propondo emendas.

                Na realidade, o currículo deve oferecer condições básicas para que o aluno entre no sistema escolar e saia conforme as ansiedades e angústias da sociedade. Tais demandas variam de tempos em tempos. Novas necessidades vão surgindo e velhas necessidades vão deixando o espaço escolar.

               O currículo nada mais é do que um caminho que será submetido ao aluno para que o mesmo possa formar-se conforme as expectativas do sistema (espaço-tempo) em que está inserido. Tal concepção vai depender do grupo que se encontra no poder e sua relação com a sociedade. De tempos em tempos tais concepções mudam, como já dito. Hora há necessidade de um currículo tradicional, hora progressista, hora técnico, hora mais humanista e por assim vai. Em cada espaço de discussão sobre o currículo os diferentes segmentos da sociedade “brigam pelo seu espaço”. O choque de interesses sobre as determinações do currículo é um campo de batalha minado e explosivo. Althusser estabelece a conexão entre a ideologia e a educação. O currículo é entendido como um “aparelho de controle do Estado” para que se “formem” de acordo com as instruções de um determinado governo.

           Na estrutura nacional, o Plano Nacional de Educação prevê o estabelecimento de um currículo comum (básico) com conhecimentos mínimos que deveriam ser apreendidos por todos. Tal discussão também é polêmica, ainda mais quando se tem clareza sobre o conteúdo acima exposto. Nesse campo há duas correntes: aquela que prega o currículo mínimo, estabelecendo o que deve ser ensinado em todas as séries da educação básica e; os que acreditam que o currículo deveria ser construído localmente, atendendo às peculiaridades locais. Diante dessa discussão, acresce-se os exames externos (PISA, Prova Brasil e ENEM, por exemplo) que se baseiam em suas diferentes “Matrizes de Referência”.

           Quanto às Matrizes de Referência, essa discussão ganha escopo nos debates sobre o currículo, a partir do momento em que as Matrizes ganham maior conotação e importância sobre a prática pedagógica do que o currículo em si. Ou seja, na prática, trabalha-se em detrimento de atingir tal índice ou indicador, ao invés de se trabalhar para fazer com que o aluno atinja as competências e habilidades, o conjunto de valores e atitudes e as outras indicações que constam nos currículos.

            Sem querer se prolongar. Minha intenção é apenas trazer a discussão sobre esse assunto, e não provar academicamente essa ou aquela teoria, deixo como sugestão três vídeos para análise. O primeiro trata-se do currículo dentro do Projeto Político Pedagógico (algo que também precisa ser muito bem discutido, uma vez que muitos o encaram somente como burocracia), o segundo é um vídeo do programa Extra-Classe, sobre a diversidade e o currículo e, por fim o Programa Nota Dez, do Canal Futura, em episódio sobre a valorização da diversidade étnica e racial na educação infantil.

Como é possível perceber, discutir o currículo vai muito alem de falar das disciplinas e conteúdos, a complexidade dessa discussão precisa ser levada à linha de frente, ou seja, aos professores e estes precisam ser ouvidos pelo poder público.


Vejam os vídeos abaixo:

O projeto político-pedagógico e a gestão democrática - Vasco Moretto




Programa Extra-classe - Currículo e Diversidade





Programa Nota Dez - Diversidade na Educação


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

DE ESCOLA REPRODUTORA A ESCOLA TRANSFORMADORA

DE ESCOLA REPRODUTORA A ESCOLA TRANSFORMADORA

Apenas deter o certificado de pedagogia não garante o conhecimento 





A criação da escola no Brasil está ligada estritamente ao desembarque dos jesuítas para “catequizar e domesticar” os índios. Em seguida, o sistema de ensino implantado tinha como objetivo atender aos anseios da nobreza instalada na colônia para que seus filhos fossem corretamente instruídos para voltarem ao velho continente e concluir o ensino superior. Desta forma, por muito tempo nossa escola pública também foi elitista e considerada como uma arma importante para adentrar no mundo universitário. Bom, de lá para cá muita coisa mudou e a universalização do ensino tão pregada pelos escolanovistas, está se tornando uma realidade, apesar dos tropeços e enganos cometidos, temos avançado nesse ideal de escola para todos.

Mas, porque não temos alcançado os louros da vitória tão desejados? O que estaria faltando para alçarmos voos mais altos em direção ao topo da lista das avaliações externas como, por exemplo, o PISA?  Avançamos timidamente e às vezes recuamos nos índices e quase que invariavelmente o debate recai sobre os professores. Será que a culpa é só e tão somente dos professores? Que escola nós temos, ou seja, que tipo de escola nós temos? Quais os objetivos dessa escola? Bem, a resposta, acreditamo-nos, é que a nossa escola calcada em valores elitistas e/ou tecnicistas não mudou em quase nada do que era, ou melhor, ela é ainda carrega a estrutura de uma escola tecnicista com ranços elitistas. 
O que é pedagogia nova

A estrutura curricular verticalizada baseada na escola reprodutora de conteúdos inadequadamente agrupados, sem transversalidade e sem interdisciplinaridade está mais presente e vivo do que durante os anos 1960 e 1970. As disciplinas são desligadas e desconexas da realidade, recheadas de conteúdos estanques, nada (ou muito pouco, para não generalizar) aplicáveis ao nosso mundo. Então qual a diferença entre a tradicional e a atual?

O século XXI iniciou-se com mudanças bruscas nos paradigmas sociais, estamos diante de uma nova realidade, novos interesses, novos objetivos. O lado negativo é que ainda estruturamos a escola com base em critérios da segunda metade do século XX (que é uma caricatura da estrutura europeia do século XIX). Temos uma escola “para todos” com valores elitistas. Agregado a isso se soma o Estado lento e burocrático que não sabe se assume uma postura neoliberal ou de bem-estar social. Um Estado que funciona no papel, mas que não se aplica à realidade, ou seja, temos um Estado de “faz de conta” que proporciona uma educação “faz de conta”.

 E porque chegamos a esse ponto? Primeiro por que não produzimos nenhum sistema educacional estritamente nacional voltado às nossas realidades. Segundo, a ingerência de partidos políticos na educação tem sido uma constante, haja vista que a cada eleição, as mudanças de secretários, de ministros e agregados políticos resulta em uma reformulação do que estava sendo feito, partindo do zero. Os debates sobre a educação têm sempre o mesmo discurso e a mesma receita. Na prática, o resultado é sempre o mesmo: A má qualidade da educação. 

Até agora ninguém, de qualquer partido político, teve a sensatez de dizer que educação deveria ser apartidária, traçada em longo prazo, mas com critérios objetivos e bem definidos, visto tratar-se de um bem maior do que as mesquinhas políticas partidárias. Em terceiro lugar, podemos dizer que gostamos de importar “modismos pedagógicos” e modelos do hemisfério norte. Dentre os modelos importados, só não importamos orientais até agora por que, a bem da verdade, veem mostrando bons resultados, mas requerem uma mudança de postura social e, principalmente, política (sobretudo no campo da ética).

Nessa imensa colcha de retalhos que é o nosso sistema educacional, podemos apontar os temas transversais que, na Espanha, tem apresentado bons resultados e poderiam ser melhores trabalhados por aqui. Porém, no Brasil, não passa de um empilhado de temas e ideias que quase não estão presentes em livros didáticos ou em estruturas curriculares elaborados pelos sistemas de ensino.

O trabalho interdisciplinar, na prática, fica a cargo do professor que se aventura em desenvolver projetos, diga-se de passagem, à parte do menu acadêmico. Coordenadores pedagógicos ficam torcendo para que apareça um grupo de professores dispostos a introduzir os temas transversais e ligar suas disciplinas num âmbito interdisciplinar e com isso dar sentido às suas aulas. As universidades, por sua vez, limitam-se ao conteúdo curricular ensinado às várias gerações. Não há mobilidade curricular. Professores são engessados dentro de uma “caverna”. Esses profissionais são jogados no mercado profissional e levam consigo a sua “caverna”. Repassam aos seus alunos as mesmas sombras que um dia aprenderam a acreditar. 

Kant em sua pedagogia de valores morais, assim como outros, como, por exemplo, Paulo Freire e Rubem Alves, nos convidam a olhar com outros olhos, a termos um olhar quase metafísico em que o ser é muito mais importante. O ser humano está em constante evolução e, portanto o ensino deveria acompanhar essa evolução. O que se vê nas escolas é a transmissão de ideias arcaicas a respeito das ciências. Uma ciência imutável? As teorias científicas se sucedem ao longo do tempo e, em tom jocoso podemos dizer que nada é absoluto e tudo é relativo, e essas mudanças profundas ou não, e que podem ser de natureza epistemológicas, refletem diretamente na educação.

Diante desses fatos porque não se fazer uma integração de saberes? O ensino das disciplinas curriculares está enclausurado em gaiolas como pássaros que já não alçam voo. Precisamos de uma força transformadora que faça com que o dia a dia esteja presente no ensino dessas matérias curriculares. Evidentemente, não podemos relegar a desprezo o ensino tradicional, não se trata de abandonar um e acolher o outro, mas de integração, união. 

Nada melhor para transformar do que miscigenação dos conhecimentos, dos saberes. Os temas transversais e a interdisciplinaridade tem o papel importante de ser o agente aglutinante que irá dar vida nova ao conteúdo curricular bem como despertar no aluno a necessidade de se tornar um ser humano melhor. Um ensino integrado pode despertar no horizonte, mas é preciso ter cautela, pois uma simples canetada juntando disciplinas e mudando a estrutura curricular de uma hora para outra (como já desponta o MEC), pode piorar o que já está ruim. 

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química
omacam@gmail.com

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
Consultor e assessor pedagógico
ivanclaudioguedes@gmail.com

CAMARGO, O.; GUEDES, I.C. De escola reprodutora a escola transformadora. Gazeta Valeparaibana [online], São José dos Campos, 01 ago. 2014. E Agora José? - Opinião. Disponível em http://www.gazetavaleparaibana.com/081.pdf  Acesso em 02 ago. 2014.


terça-feira, 29 de julho de 2014

PROFESSOR GANHA MAL PORQUE É BRASILEIRO!

PROFESSOR GANHA MAL PORQUE É BRASILEIRO!

Com graduação em Ciência política e em Administração estratégica pela Wharton School, na Universidade da Pensilvânia e mestrado em Economia internacional e Desenvolvimento econômico, pela Universidade Yale, nos EUA, Gustavo Ioschpe adora atacar os professores e a pedagogia brasileira. 







O economista Gustavo Ioschpe ataca novamente os professores (deve ter um sério problema de trauma na infância) e lança seu novo livro "O que o Brasil quer ser quando crescer". A matéria publicada na revista Veja traz o título "Gustavo Ioschpe derruba 12 mitos da educação".

Será que são realmente mitos?

Entenda a "análise" de Ioschpe e vejam os nossos comentários a respeito.



domingo, 20 de julho de 2014

PARA QUÊ SERVE A ESCOLA?

PARA QUÊ SERVE A ESCOLA?

A função da escola é discutida por muitos, mas compreendida por poucos.



A princípio a resposta à pergunta acima é fácil de responder. Alguns dirão que é para preparar para a vida. Outros dirão que é para ensinar conteúdos. Outros dirão que é para educar. Muitas respostas prontas vêm à cabeça e todas elas parecem convergir. A própria legislação caminha nesse sentido, uma vez que a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 dizem que a função da escola é preparar para o “pleno exercício da cidadania e para a qualificação para o mercado de trabalho”. Entretanto, de qual tipo de cidadania estamos falando? O que é cidadania? Qual tipo de mercado de trabalho?






            Preparar um aluno para a cidadania é complexo e contraditório se nos perguntarmos “o que é cidadania?”. Uma cidadania limitada ao voto bianual? Uma cidadania em que não se pode questionar nossos representantes porque, mais cedo ou mais tarde, acabará preso? Uma cidadania forjada na “representatividade” do voto em que escolhemos entre os escolhidos pelos seus pares? Uma democracia baseada em um agrupamento de leis que não servem para o povo? Uma democracia contaminada pelo preconceito étnico, econômico, de gênero e intelectual? Que tipo de democracia estamos falando?

Uma escola unida por todos os povos


            E o que é mercado de trabalho? Aquele em que “todos têm oportunidades”? Oportunidades para quê? Para trabalhar em uma loja ou para ser banqueiro? Para lavar carros ou para ser dono de montadora de veículos?

            Para aqueles que trabalham com a escolarização existem normas, regras, currículos, programas e projetos. Entretanto, o professor cai em um constante senso comum ao não se perguntar qual é o real objetivo do seu trabalho. Todo currículo traz uma ideologia, toda disciplina é repleta de ideologia, independentemente de qual tipo de ideologia estamos abordando, todo documento tem. Aquele que recebe e trabalha com esses documentos também carrega seu conjunto de valores morais e éticos, também carrega sua ideologia, suas angústias e suas intenções. Seus preconceitos e suas ideias.

            Na ponta deste processo há o aluno.  O aluno, assim como o professor, também carrega seu conjunto de valores, também possui suas aspirações, seus preconceitos, suas ideias e seus valores. Ao entrar em contato com a escola, tudo aquilo que ele acredita é colocado em prova. O currículo o coloca em uma forma para que ele saia “formado”, dentro dos padrões estabelecidos, ou seja, dentro do “script social” (como diz P. Ghiraldelli Jr.).

            Mas, voltando ao assunto, para quê serve a escola? Que tipo de sociedade querem que se forme? Florestam Fernandes afirma que “feito a revolução nas escolas, o povo a fará nas ruas”. Frase difícil de compreender, uma vez que todos que estão dentro da escola fazem parte do “povo”. O conflito de interesses dentro do ambiente escolar é tão grande que é quase impossível mensurá-lo, e não dá para fazê-lo por decreto, pois existe o fator “humano”, que pensa, que atua e que questiona o que está escrito. Mesmo aquele mais bem intencionado quando elabora uma política pública, um currículo ou uma legislação não consegue sanar todas as angústias da sociedade, sendo assim, sempre haverá essa discussão sobre a função da escola.


            Cada núcleo da sociedade tem uma aspiração: os humanistas querem uma escola voltada à cidadania, os empresários querem melhores funcionários, os marxistas querem a revolução, os cientistas querem mais ciência na escola, alguns querem o controle social, outros querem a liberdade social. Falta um modelo, falta um norte, ou seja, antes de se pensar em um modelo de escola, falta ser construída uma sociedade. 

Ivan Claudio Guedes, 34. Geógrafo e Pedagogo.

terça-feira, 20 de maio de 2014

PARABÉNS PEDAGOGOS!

PARABÉNS PEDAGOGOS!

A função do pedagogo vai muito além da sala de aula. A sociedade precisa entender as diferenças entre pedagogos, professores e pais.



A escola antiga



A figura do pedagogo começa na Grécia antiga entre os escravos que conduziam as crianças à escola. Este escravo era submisso à criança, mas deveria fazer valer a sua autoridade quando necessário. O contato constante com a criança fez com que estes desenvolvessem habilidades no cuidado com a criança. “Aquele que conduz a criança”, era seu condutor ou guardião.

         O tempo passou, a tecnologia avançou, a sociedade mudou e o pedagogo não é mais um escravo, mas continua sendo um servo da criança, e mais, hoje a sociedade e os pais incubem ao pedagogo a tarefa de educar a criança, ou seja, a terceirização da responsabilidade de educar uma criança recaiu sobre o pedagogo.





         A diferença entre educação e escolarização requer um grande debate e não vou fazê-lo hoje. Minha intenção é trazer ao pedagogo a sua responsabilidade para com o seu trabalho e à sua significância profissional.

Hoje o pedagogo possui diversas ramificações no mundo do trabalho: Criou-se o Pedagogo Hospitalar, o Pedagogo Empresarial, o Pedagogo Social ou o Pedagogo Escolar, ou seja, onde houver a relação de ensino x aprendizagem, um pedagogo deverá estar presente.

A RESOLUÇÃO CNE/CP Nº 1, DE 15 DE MAIO DE 2006, disponível em http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rcp01_06.pdf, define as competências básicas do pedagogo e norteia os cursos de formação de pedagogos, entretanto esta mesma resolução não trata o pedagogo como um cientista da educação ou um pesquisador na área da educação. Ela o remete pura e simplesmente ao exercício da docência e da administração escolar.

A discussão que se espera neste artigo é sobre a função do pedagogo enquanto um pensador, pesquisador e articulador da escolarização (ou da educação formal), e não quanto um substituto do pai que delega a função da educação familiar ao pedagogo.

A educação familiar apresenta condicionantes ímpares do conjunto de valores morais e éticos que cada um constrói no convívio com a sua família e com a sociedade em que está inserido, desenvolvendo também seus vínculos emocionais. Caso um pedagogo, que também possui tais características, seja o responsável pela educação (familiar) de uma criança, é inevitável que haja conflitos de interesses sociais na educação de uma criança! Portanto, não é nem um pouco recomendável que os pais deleguem esta tarefa, pois não será bem realizada.

O pedagogo deve se ater à educação formal, ou seja, à escolarização em seus diferentes níveis. Deve saber conduzir uma criança com dificuldade ou deficiência de aprendizagem ao profissional competente. Pedagogo não é médico, não é psicólogo, não é psicopedagogo, nem assistente social. Portanto, não deve realizar uma tarefa para a qual não tenha estudado.

Um pedagogo bem formado, e antenado com a sua profissão deve conhecer (e dominar minimamente) a psicologia da educação, as leis que regem a educação, as políticas públicas, as metodologias científicas, a história, sociologia e a filosofia da educação, as diversas metodologias de ensino e os diversos fatores sociais que contribuem para as significativas mudanças na educação (formal), ou escolarização.

Outro ponto de capital relevância é a falta de clareza quanto a sua função na educação infantil. Como diz Paulo Freire “Professora sim, tia não!” ou como diz Armindo Moreira “Professor não é educador”, o pedagogo não deve ser substituído por um ente familiar, justamente pelos motivos expostos acima. Cabe dizer, também, que nem todo professor é pedagogo, mas todo pedagogo é um professor. Todos possuem uma tarefa específica em um ambiente específico, e que fique claro: pedagogo não é pai, nem mãe, nem tio, nem tia! Pedagogo é um especialista da educação, a quem cabe o papel de conduzir à aprendizagem formal, com planos, metas, indicativos e objetivos bem claros e definidos.

Quantas vezes nos defrontamos com situações em que o pedagogo se sente “obrigado” pela condição do seu trabalho, em substituir um ente familiar (pela falta de um ou mesmo pela negligência dos mesmos). Quantas vezes o pedagogo se desdobra em 40 para conseguir ensinar os seus 40 alunos? Quantas vezes vimos pedagogos gastarem do seu próprio dinheiro para suprir demandas escolares ou até mesmo familiares? É justo exigir isso de uma profissão?

Se nem na Grécia antiga o pedagogo era o responsável pela educação familiar das crianças, porque agora tem que ser?
O projeto de Lei nº 7264/2010 (http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=764303&filename=PL+7264/2010) aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, instituiu o Dia Nacional do Pedagogo, em que um dos seus objetivos é o de trazer “grande importância para o conhecimento do trabalho e valorização dos pedagogos na sociedade brasileira”, e ainda estamos engatinhando. A primeira valorização de um pedagogo deve vir dele mesmo, e não de outros. Por isso, digo com muito orgulho: SOU PEDAGOGO!

Ivan Claudio Guedes, 33, Geógrafo e Pedagogo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

PARA ONDE CAMINHA A HUMANIDADE?

PARA ONDE CAMINHA A HUMANIDADE?

A falta de educação e a banalização da violência são quase sinônimos, na sociedade atual





Depois de algum tempo escrevendo no Jornal Gazeta Valeparaibana sobre a educação formal, nós do “Programa E agora José?” nos vimos, de certa forma, obrigados a mudar o foco da nossa atenção para a educação informal. Necessariamente o que estamos vivenciando é uma generalizada falta de educação
(informal).

Violência


Temos visto ultimamente acontecimentos que nos saltam à vista e nos chamam a atenção. Acontecimentos violentos, de pais contra filhos, de filhos contra pais, de estudantes contra estudantes, de estudantes contra professores, de professores contra estudantes... Não dá para negar que alguma coisa vem acontecendo com a sociedade e por mais que se tente entender, o fato é que está difícil encontrar a resposta.

Temos tentado encontrar a razão para a violência generalizada e banalizada. Buscamos resgatar na linha do tempo de nossas vidas e nos acontecimentos recentes respostas que nos satisfaçam e nos ajudem a compreender essa faceta do ser humano.

Algumas pessoas poderão afirmar que a violência sempre acompanhou a sociedade. Desde que o mundo é mundo que a sociedade é violenta e que estamos sendo moralistas. Outras pessoas poderão dizer que é “sinal dos tempos, coisa do demo, apocalipse ou que está escrito na Bíblia”.

Na realidade nós acreditamos que, atualmente, a generalização da falta de educação e da violência gratuita, pode ser compreendida a partir da terceirização de responsabilidades. Deixamos de lado nossas responsabilidades sociais e não nos assumimos enquanto pais, professores, alunos, policiais, etc. Se estamos vendo uma onda crescente de violência é porque não estamos assumindo nossas responsabilidades e estamos deixando para outros assumirem o que nós não fazemos.

Uma vez que a sociedade se mostra violenta e compreendendo que a escola faz parte da sociedade, logo isto estará bem reproduzido no ambiente escolar. Nas escolas pululam casos onde a falta de responsabilidade dos pais é gritante, também é gritante os casos de violência gratuita. Vídeos de brigas nas escolas são diariamente inseridos no youtube como uma diversão. A impressão que se dá é a de que não saímos dos tempos romanos com gladiadores, pão e circo. Mas, pensando em tempos atuais, o que está havendo com a sociedade?

Uma das hipóteses para a perda do pátrio poder dos pais sobre seus filhos é a de que, após a segunda metade do século XX com a inserção da mulher no mercado de trabalho e consequente divisão de responsabilidades no seio familiar, teria provocado uma quebra na responsabilidade para educação das crianças. A mulher deixou de ser a dona de casa para ser a dona da casa, fazendo muitas vezes o
papel de pai e mãe ao mesmo tempo, pois a figura do pai em certas famílias acabou deixando de existir. Isso trouxe uma ruptura da estrutura familiar que se conhecia e que já estava estabelecida até de certa forma, como sólida (pelo menos nas famílias mais tradicionais).

Nessa estrutura antiga a mulher desempenhava um papel de educadora dos filhos, era ela quem mantinha a ordem familiar e ditava, em seu âmbito, as regras morais. O pai, por sua vez, era o mantenedor, aquele que provinha o sustento através do seu trabalho. Com o desenvolvimento da estrutura social moderna, o
filho foi sendo deixado de lado, aos cuidados dos avós, ou de uma creche, ou até mesmo ficam sozinhos com os mais novos sendo cuidados pelos mais velhos. A responsabilidade pela educação das crianças foi terceirizada. Não se tem mais tempo para os filhos e para aplacar a consciência os pais exageram na permissividade (na doce ilusão de não serem pais, mas amigos dos filhos).

Esse assunto extenso, polêmico e controverso precisa ser retomado. Precisa ser melhor analisado. Por isso no próximo mês, vamos tentar contribuir com mais discussões sobre este assunto.


Este artigo continua em: PARA ONDE CAMINHA A HUMANIDADE II
http://portaldaeducacaoreflexiva.blogspot.com.br/2013/11/para-onde-caminha-humanidade-ii.html

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química.
Pós-Graduado em Química.
decamargo.omar@gmail.com

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo. Especialista em Gestão
Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando
em Geologia.
Articulista e palestrante.
icguedes@ig.com.br

Para referenciar este artigo:

CAMARGO; O.; GUEDES, I.C. Para onde caminha a humanidade? Gazeta Valeparaibana. Ed. 71. Ano IV. Disponível em: <http://www.gazetavaleparaibana.com/071.pdf>, 2013, p. 09.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

SÍNDROME DA AMNÉSIA PEDAGÓGICA

SÍNDROME DA AMNÉSIA PEDAGÓGICA


Você já reparou quantas visões diferentes há sobre uma mesma escola? Já parou para analisar a opinião dos seus colegas sobre seu próprio trabalho? Já trocou ideias com outros trabalhadores da educação para ver quantas opiniões diversas há sobre o trabalho docente? Há algum tempo temos percebido as diferentes visões que pairam sobre o sistema educacional. Para didatizar vamos englobar os grupos, mesmo sabendo que não é correto fazê-lo, pois sempre há uma exceção à regra.

Síndrome da amnesia pedagógica


O primeiro grupo é dos professores. Esse grupo constitui o corpo docente, professores egressos das faculdades e universidades e que tomaram nota de uma vasta literatura tanto na sua área de formação específica (no caso dos professores especialistas) quanto pedagógica (no caso dos pedagogos). Passaram de 3 a 4 anos lendo e relendo teorias e conceitos. Fizeram planos de aula, técnicas de ensino e estudo de metodologias, mas ao chegar à escola fizeram uso do livro didático e do currículo escolar tal qual uma bíblia ou uma camisa de força. Limitaram-se a entrar em sala de aula, passar o texto na lousa (ainda que os alunos tenham livros) e mandar os alunos responderem questões. Em seguida, aplicam a prova (quando o fazem) e partem para o capítulo seguinte. Seu posicionamento com a direção é sempre crítico. Acham defeito em tudo: classificam a gestão escolar como incompetente, omissa, preguiçosa e enrolona, cumpridora cega de ordens do governo e por aí vai.

O segundo grupo é da gestão escolar. Esta dividida entre vice-direção e direção, coordenação pedagógica e supervisão escolar (englobando aqui todo o núcleo da diretoria de ensino, secretaria de ensino ou delegacias de ensino – dependendo da região). Este grupo tem a incumbência de organizar e administrar a escola, desde o projeto pedagógico, as finanças, prestação de contas, logística, fluxo de alunos e execução do projeto pedagógico. De formação igual ao do professor em sala de aula esses profissionais tendem a classificar o professor como enrrolão, preguiçoso, sem liderança, incompetente na sua função, sem postura e por aí vão os adjetivos negativos. Obviamente que a percepção daqueles que estão nas secretarias de ensino (ou diretorias regionais de ensino) é semelhante àqueles que estão na direção da escola e/ou na coordenação pedagógica, e o sentimento destes em relação àqueles também é mútuo.

Mas enfim, o que acontece para que exista esse jogo de empurra-empurra? Essa terceirização da responsabilidade do trabalho? Para melhor analisar este momento vamos lançar uso de um novo conceito que denominamos como a “Síndrome da Amnésia Pedagógica” (SAP). Esse conceito, até então desconhecido expressa o esquecimento de uma função, fazendo o profissional rapidamente cair no trabalho via senso comum, projetando nos outros os problemas causados pela sua função. Não obstante, esse ainda passa a trabalhar como um mero reprodutor do sistema cumprindo “sua função”.

No caso dos professores, esses se limitam a transcrever aquilo que os manuais indicam. Esquecem-se das metodologias, não conhecem (ou esqueceram) as tendências pedagógicas, os estudos filosóficos, sociológicos e psicológicos sobre a educação e/ou a História da educação.

No caso do segundo grupo, seu trabalho limita-se a tocar papel, preencher relatórios, responder estatísticas, gerar papel e papel, bater carimbos e fazer assinaturas em mais papeis.

Ao que tudo indica, quando o sujeito troca de função, tem-se a impressão de que este troca “de caverna” (fazendo alusão ao mito da caverna de Platão). Em pouco tempo de trabalho na nova função ele esquece o que aprendeu (ou deveria ter aprendido) na faculdade e limita-se ao descrito acima (reproduzir “o sistema”) e criticar os outros. Já o caso do segundo grupo é mais sério, pois os mesmos passaram por um bom tempo pela experiência da sala de aula e ao sair dela são acometidos da SAP onde passam a enxergar tudo com bons olhos e terceirizar o problema da educação, principalmente, aos professores.

Queremos chamar a atenção dos leitores para esse fato, que é de certa forma corriqueiro no meio escolar. Demos o nome de SAP ao esquecimento, momentâneo ou não, daquilo que já se fez ou professou em sala de aula quando da ida para uma função na gestão escolar, ou da volta à sala de aula. É interessante, pois o profissional nessa situação não percebe-se dessa forma e, com certeza, nos diria que estamos “viajando na maionese”. O curioso dessa situação é que todos independentes da função que exerçam na escola, deveriam remar para um mesmo sentido, de maneira que o resultado fosse aparente. O que vemos na realidade é que são diversos remadores, mas que o barco fica virando em volta, pois uns remam num sentido e outros noutro sentido. Isto porque, no nosso modo de ver, todos estão imersos no que chamamos de senso comum, sem a coragem de realizar algo novo, diferente. E qual é o senso comum nesse caso? É que a culpa sempre é dos outros e não nossa. É a terceirização da responsabilidade. Não podemos e, principalmente, não devemos esquecer que toda moeda tem dois lados e não são iguais. Se conseguirmos transcender nossos problemas pessoais e nos percebermos como um grupo, cujo interesse é a qualidade do ensino, evidentemente o barco irá andar num sentido apenas. Rumo ao sucesso.

É importante dizer que o jogo de empurra-empurra não vai levar ninguém a lugar algum, e que, se realmente quiser uma educação de qualidade o professor (independentemente da função que ocupa) deverá continuar estudando. Precisará sair do senso comum, da sua zona de conforto, mas se mesmo assim a SAP não for curada, recomendaremos sair da profissão e deixar para realmente quem está trabalhando com seriedade.

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo. Especialista em Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
Articulista e palestrante.
icguedes@ig.com.br

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química.
Pós-Graduado em Química.

decamargo.omar@gmail.com

Para referenciar este artigo:

GUEDES, I. C.; CAMARGO, O. Síndrome da Amnésia Pedagógica. Gazeta Valeparaibana. Ed. 69. Ano IV. Disponível em: http://www.gazetavaleparaibana.com/069.pdf Ago, 2013, p.09.   

segunda-feira, 17 de junho de 2013

REFLEXÕES SOBRE EDUCAÇÃO, EDUCABILIDADE E EDUCATIVIDADE

Publicado originalmente no Jornal Gazeta Valeparaibana, Junho de 2013  http://www.gazetavaleparaibana.com/067.pdf  página9.

Para entendermos melhor o que quer dizer cada uma dessas palavras, temos que defini-las. 

Educabilidade é a qualidade daquele que é educável. O ser humano possui educabilidade, ou seja, pode ser educado. Lembrando que a “educação” vai muito além da educação escolar, por isso são compreendidas: a educação formal, informal e não formal. 

Educatividade é basicamente potencializar qualidades. A EDUCATIVIDADE na educação formal refere-se a potencializar no aluno, qualidades que ele porventura já tenha e que esteja disposto a melhorá-las. Pois, segundo Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia, é enfatizado que “nenhuma escola conseguirá fazer mais por um aluno do que a sua decisão pessoal de se desenvolver, de crescer, de aprender, de adquirir conhecimentos”. Daí, que se um aluno (entendendo como qualquer ser humano) não quiser aprender, não haverá mágica que o faça aprender. 

Diante da apresentação desses conceitos e somando-se ao artigo publicado no mês passado “Porque o professor precisa estudar?” (http://www.gazetavaleparaibana.com/066.pdf - p.9), tem que se propor um novo eixo, pois a maioria das práticas pedagógicas escolares ainda trabalha no sentido da mera transmissão de conhecimentos e desta forma, nada acrescentam no desenvolvimento do aluno enquanto ser humano. Esse novo eixo deve ser comportamental e direcionado não só ao campo profissional, mas também ao campo pessoal. Eis que novamente chamamos a atenção para Zaballa (A prática educativa: como ensinar), quando trata da prática pedagógica dentro da aprendizagem de conteúdos Factuais, Conceituais, Procedimentais e Atitudinais. 

 Compreendemos que a educação escolar é uma via de mão dupla, ou seja, tem que haver um aluno para “aprender” e um professor para “ensinar”, para que o processo se complete, é necessário que o aluno apresente educabilidade, ou seja, seja maleável e permeável aos ensinamentos e também possua educatividade, quer dizer, desejo de aprender novos conhecimentos, bem como o professor deverá ter clareza do seu papel em sala de aula. Se assim não for, a escola, enquanto espaço de aprendizagem, nada poderá fazer. Como diriam os antigos, “é malhar em ferro frio”. 

 Esse processo, assim colocado, nos faz lembrar de uma notícia que havíamos comentado em um dos nossos programas sobre uma nova designação para o professor que seria o “designer de currículo”, este profissional não seria um mero transmissor de conhecimentos, mas seria uma espécie de tutor do aluno que então escolheria o que quer aprender. Isso vem de encontro ao que falamos de educatividade, ou seja, potencializar qualidades que promovam não só o lado técnico, mas também o humano. 

Aliada à educabilidade, a educatividade faz todo sentido; é como dizemos na gíria popular “juntar a fome com vontade de comer”. Mas, claro nem tudo é um mar de rosas, e é evidente que não temos visto educabilidade e tampouco educatividade em nossos alunos, assim como também não é muito comum encontrar, grosso modo, o professor realmente consciente do seu trabalho. Ao contrário, o que vemos é uma total, ou quase total, indiferença em relação à escola e aos seus professores, e vice-versa. Por que essa apatia? O que diferencia essas gerações recentes de alunos das gerações passadas? Qual o papel do professor nesse processo? 

 Para tentarmos buscar algo que nos norteie, temos que necessariamente fazer um passeio pelas ideias de Platão onde ele junta numa amálgama, o filósofo, o educador e o político. Para Platão, esses três não podendo ser separados devem ser exercidos pela mesma pessoa, isto é, o filósofo educador tem que fazer política. Daí a pergunta inevitável – Quem em sala de aula, enquanto professor desenvolve ideias filosóficas e com isso, transforma o aluno em um ser político e pensador? Assim como a pergunta foi inevitável a resposta também o é: quase ninguém. E por quê? 

Tentamos buscar resposta na filosofia liberal da educação em que a finalidade última: são os ensinamentos profissionalizantes e, desta forma, extinguiram a figura do professor filósofo, pensador e consequentemente político.  As universidades por sua vez, ávidas em atender ao novo modelo educacional, nitidamente (neo) liberal, onde a produção é corroborada pelo capitalismo visceral, começam a produzir professores que venham de encontro aos interesses da sociedade, ou seja, se parou de pensar e fazer política em função do aumento de produção em que o país se viu inserido. Morre assim a figura do professor crítico, provocador, construtor, incentivador, transmissor de ideias e altamente político; consequentemente os novos professores passaram a produzir novos alunos que não criticam o sistema e tampouco fazem política. 

Estão assim dissociados aquilo que para Platão seria indissociável, o educador filósofo e político. Vamos tentar estabelecer um parâmetro entre educabilidade, educatividade e os conceitos de educação redentora, educação reprodutora e educação transformadora, a fim de entendermos a nós mesmos enquanto professores. 

 Na corrente filosófica que entende a educação como redentora do ser humano tem-se o pensamento de que a educação pode e deve salvar o indivíduo e consequentemente a sociedade. A educação redentora é assim por dizer uma instância exterior à sociedade, buscando inserir o indivíduo nela, ou seja, promovendo sua adaptação ao modelo existente. Atua sobre a sociedade corrigindo seus desvios. Nesse modelo, a educação redentora, no máximo tenta “curar as mazelas da sociedade existente”, através da simples obediência aos mandamentos divinos. Não leva em conta a educatividade, pois o educando poderia não querer ser “salvo”. Considera as gerações mais novas (crianças) mais educáveis do que os adultos e nesse aspecto temos aí inserido o conceito de educabilidade no tocante às crianças. 

 A segunda corrente filosófica entende que a educação está inserida na sociedade, faz parte dela. Estaria assim condicionada a fatores econômicos, sociais e políticos. A educação reprodutora é crítica e reproduz seus elementos condicionantes (LUCKESI, C. C. Filosofia da Educação, p. 41). Essa teoria também é denominada por Demerval Saviane como “teoria crítico – reprodutivista”. Traz ainda em seu bojo o modelo marxista de infra estrutura e supra estrutura, conforme Althuser. Desta maneira, silenciosamente a escola reproduz o ideologismo do Estado. O Estado usa a educação/escola para reproduzir os valores necessários para a própria sobrevivência da sociedade. Utiliza-se da Educabilidade dos mais novos e introduz para os adolescentes o ensino profissionalizante. Extinguindo dessa forma os dois cursos existentes, o Clássico e o Científico. Perde aí o jovem a possibilidade de escolher ou decidir o que gostaria de fazer. A Educatividade, de certa forma, é introduzida com os cursos profissionalizantes, pois oferece aos jovens a oportunidade de melhorar suas habilidades ou então adquirir habilidades para o exercício de uma profissão. 

 Na terceira corrente filosófica, (cf. LUCKESI) é a aquela em que a educação é vista como um agente transformador da sociedade, tendo como perspectiva a mediação de um projeto social. Nesta proposta a educação não é um fim, mas um meio. 

Uma maneira de realizar um projeto de sociedade. Sendo assim, Ela irá se adaptar segundo o modelo de sociedade vigente num determinado momento. Para que seja transformadora é necessário que os educandos tenham atingido uma determinada autonomia intelectual. Para que esse nível seja atingido é necessário que o aluno seja respeitado na sua educatividade (consideramos que ele tenha a educabilidade necessária), ou seja, para que o aluno seja um agente transformador é necessário que ele, de posse de suas habilidades, queira aprimorá-las criando nele a autonomia requerida no processo transformador. Nesse sentido, entendemos que o professor também o deve ser, pois não dá para ensinar o que não se sabe. Não da para querer transformar um aluno e o “eu” não for transformado primeiro. 

 A educação, qualquer que seja a corrente filosófica, nada conseguirá se não houver o real interesse em aprender. A educabilidade advém, segundo nossa opinião, dos ensinamentos recebidos em casa, da docilidade do lar e dos pais. A educatividade terá que ser estimulada a partir de um determinado momento em que se perceba as habilidades natas do aluno e de seu interesse em desenvolvê-las. Para tal é necessário que o professor esteja apto a descobri-las e a escola seja condizente com uma determinada escolha. É necessário libertar o aluno do jugo desnecessário de informações cristalizadas pelo tempo. Proporcionar projetos em que ele se sinta útil, incutir neles a ideia de que podem se quiserem, fazer a diferença.

Projetos que contemplem o respeito, a cidadania, o conhecimento, a socialização. Desta maneira, afirmamos nosso compromisso com a corrente transformadora da sociedade, pois é possível transformar o indivíduo e consequentemente a sociedade. Pois como dizia Florestan Fernandes “feita a revolução nas escolas, o povo a fará nas ruas”.

Omar de Camargo
decamargo.omar@gmail.com
- Técnico Químico
- Professor em Química.
- Pós Graduado em Química.

Ivan Claudio Guedes
icguedes@ig.com.br
- Geógrafo e Pedagogo. Especialista
em Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
- Articulista e palestrante.

sábado, 18 de maio de 2013

PORQUE O PROFESSOR PRECISA ESTUDAR?

Artigo originalmente publicado no Jornal Gazeta Valeparaibana, edição 66 - Maio 2013 - p.9.


Corintiano, palmeirense, são paulino, santista, flamenguista, gremista... Quando se pergunta ao cidadão “qual 
é o seu time?” Todo mundo sabe responder. Católico, evangélico, umbandista, kardecista, muçulmano... Quando perguntado sobre a religião, sempre está na ponta da língua. 

E o professor? 

Quando perguntam sobre qual filosofia da educação, ou qual “ideologia pedagógica” este representa? Ai faltam palavras. Palavras e conhecimento. Salvo os cursos de Pedagogia, os cursos de formação de professores não abordam essa discussão em sala de aula. Consequentemente os professores acabam por serem empurrados para a “filosofia dominante”: A da classe dominante! 

Luckesi (1994) apresentou três grandes correntes da Filosofia da Educação: A educação enquanto redentora da sociedade (acredita que a educação pode exercer domínio sobre a sociedade, compreendida como as pedagogias liberais); A educação enquanto reprodutora da sociedade (que a percebe como reprodutora de um modelo social vigente) e, a educação enquanto transformadora da sociedade (com uma postura crítica às duas anteriores e considerando o papel social e político da educação). 

Longe de querer esgotar o assunto, este breve comentário tem como objetivo trazer ao debate a falta de embasamento filosófico e pedagógico dos professores especialistas (e porque não também de pedagogos?) que atuam na educação básica e no ensino superior. Aprendemos a dar aula tomando como exemplo os nossos professores do passado, entretanto, salvo algumas exceções, os nossos professores também aprenderam com os seus professores do passado. 

A essa transmissão de valores, sem espaço para reflexões e debates filosóficos sobre a educação, costumamos chamar de “senso comum”. Então, pensando na formação de professores para trabalhar com a 
“massa”, somos, por natureza, reprodutores da sociedade. 

Frisamos que, se realmente queremos mudar o caminho da sociedade, devemos aproveitar os espaços de Hora Atividade, Planejamento e Replanejamento para discutir (com um pouco mais de embasamento) sobre 
“qual é a função da escola?”. Se acharmos que está tudo bem e que não precisamos fazer nada, então podemos continuar entregando os planejamentos iguaizinhos ao que recebemos do sistema público de ensino ou idênticos aos dos livros didáticos. É só copiar, mudar o ano e entregar. 

Discute-se sobre planejamento, sobre avaliação, sobre aprovação-reprovação, sobre regimento escolar, sobre normas de conduta, mas não se discute “qual é a função da escola”. 

Como prover o objetivo da escola (considerando que o questionamento anterior foi discutido e compreendido)? Além do mais, o próprio professor não se discute enquanto professor e perde-se no seu papel. O senso comum nos leva a práticas pedagógicas nem sempre corretas, mas que estão em uso e são transmitidas entre os entes constituintes de uma sociedade chamada corpo discente. 

A sociedade é, em muitos casos, acrítica, pois não discute, não questiona os rumos da educação propostos 
pelos governantes, mesmo porque foram formados dentro de uma escola reprodutora da própria sociedade, ou seja, que trabalha na manutenção dos status vigente, que por sua vez, atualmente, é proveniente de um sistema neoliberal cuja política é a subserviência das classes não dominantes. Então, o fato de se não discutir e não refletir sobre quais são os objetivos da escola, e mesmo dos professores, nos leva a reproduzir uma política educacional e outras políticas que não atendem aos anseios de uma sociedade menos subserviente, dotada de uma quase ampla liberdade de apropriação do conhecimento (via Internet). 

Aqui, talvez caiba um parêntesis sobre os alunos questionadores e tidos como indisciplinados pelo sistema 
atual. Será que o professor, cria da escola reprodutora, sabe lidar com esse tipo de comportamento? Ou é 
mais fácil excluir esse aluno para que ele não cause problema à sociedade? Lembre-se que o sistema não suporta pessoas críticas e questionadoras, pois isso é ameaça à classe dominante. 

Estamos nos aproximando de uma encruzilhada onde a apropriação dos saberes está diretamente relacionada com os objetivos a serem atingidos e nós, professores, gestores, pedagogos e outros, teremos que nos decidir para que lado deveremos andar e essa decisão só será possível de ser tomada se houver conhecimento dos processos pedagógicos que poderão ser úteis à transformação da sociedade. 

Por isso novamente frisamos a importância de se compreender o processo histórico em que se deu o desenvolvimento da escola e os seus diferentes objetivos. O professor neste processo é uma peça central, pois é o executor das tarefas pedagógicas. Sendo assim, se continuarmos trabalhando dentro de um processo “senso comum”, vamos continuar formando alunos “senso comum”, para uma sociedade “senso comum” executora de tarefas. 

Se considerarmos a escola como um aparato de controle de massas (tal como entende Althusser e Foucault), conceito esse que, ao que parece, está sendo usado pelos neoliberais com o intuito de produzir seres producentes, mas não questionadores, poderemos sim conduzir a massa a uma revolução; a revolução do saber, onde o conhecimento terá tanto valor quanto o mais fino ouro. 

O difícil é deixar ser um professor “senso comum”, pois fomos educados dessa forma, mas em algum momento esse ciclo deve ser quebrado, e só será quebrado se nos debruçarmos sobre os estudos filosóficos pedagógicos que tratam a essência dessa nossa profissão, por isso precisamos estudar mais, não só para apreender “metodologias inovadoras” ou “formas diversificadas de avaliações”, mas para saber porque estamos trabalhando em sala de aula. 

Omar de Camargo 
decamargo.omar@gmail.com 
- Técnico Químico 
– Professor em Química. 
- Pós Graduado em Química. 

Ivan Claudio Guedes 
icguedes@ig.com.br 
- Geógrafo e Pedagogo. Especialista em 
Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em Geologia. 
- Articulista e palestrante.


domingo, 16 de setembro de 2012

Segredos de Estado.

Segredos de Estado é um documentário que aborda a ausência dos professores da rede estadual de São Paulo no debate público sobre educação. Apesar de ter sido revogada no Estado em setembro de 2009, a chamada Lei da Mordaça, cujo texto impedia os funcionários públicos de referirem-se depreciativamente à Administração e às autoridades constituídas, é retratada como uma das principais causas para esta situação.

O filme foi apresentado como trabalho de conclusão de Bruno Meirelles no curso de jornalismo da ECA/USP, sob orientação do professor Renato Levi.



sábado, 10 de março de 2012

PEDAGOGIA DA ESMOLA

PEDAGOGIA DA ESMOLA

Segundo Lao-Tsé "Se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentá-lo por um dia. Se o ensinares a pescar, vais alimentá-lo toda a vida". Na prática, não é o que acontece.






Vivemos em uma época de esmolas. Gostamos de ganhar “coisas”. Ganhar bolsas, ganhar brindes, ganhar bugigangas. Nossas crianças não são diferentes. Gostam de ganhar notas, ganhar material escolar, ganhar tempo a mais de intervalo. Os políticos, por sua vez, gostam de ganhar votos e claro, muito dinheiro.

Acontece que vivemos em um sistema em que o governo não assume seu papel de Estado de Bem Estar Social, nem seu papel de governo Neoliberal. Ficamos sobre o muro.

Ao mesmo tempo em que o Estado cria leis em que chama para si a responsabilidade social, na prática ele próprio negligencia essas leis.
 
EsmolaComo bem sabemos a esmola não desenvolve e não devolve a autoestima. Na verdade, a esmola mantém quem a recebe sempre no mesmo patamar de pobreza.  Existem também aqueles que recebem esmolas, mas na verdade não precisam delas, apenas usufruem de uma facilidade ou do espírito de caridade que temos inerente em nós. Seja de que forma for, a esmola não promove inclusão alguma, pelo contrário nos mantém distantes dos mais pobres que nós.

A “Pedagogia da esmola” assim denominada por nós, é aquela desenvolvida ao longo dos anos pelos governos, e acatada pelos professores, quer sejam nas redes estadual ou federal, em que tudo é oferecido aos alunos, ou professores, de maneira a mantê-los sob a custódia do estado sob a falsa ideia de que estamos felizes.  Obviamente, se a multidão de esfomeados físicos e culturais virem, de alguma maneira, suas necessidades básicas sendo atendidas estarão contentes e isso significa menos problemas.

O sistema assistencialista aplicado nos últimos anos (Bolsa Família, gás, leite, material escolar, uniforme, alimentação, Cotas...), tem servido para anestesiar grande parte da sociedade quanto aos problemas políticos e sociais que estamos vivenciando.

O sistema de progressão continuada (leia-se promoção automática) aliado a política assistencialista tem servido para camuflar os verdadeiros problemas que vão estourar nas próximas gerações (em um futuro não tão distante, pois seus reflexos já são possíveis perceber).

As crianças já não ligam para suas responsabilidades, pois têm quem os dê “coisas”.  Os pais, por sua vez já não fazem valer seu pátrio poder. Educam as crianças de maneira atabalhoada e terceirizam a responsabilidade ao Estado e aos professores.

Os professores sentem-se impotentes, seja pela fraca formação inicial, ou pela complexidade de ações que influenciam na prática docente. As famílias que, por força das condicionalidades do bolsa família, mantêm seus filhos na escola, mas nada fazem para que eles, efetivamente, aproveitem seus estudos, são tão responsáveis tanto quanto aqueles que querem manter sob o jugo eleitoral essas mesmas famílias, pois elas não querem perder as benesses dadas.  Portanto continuam colaborando, nesse caso votando, com a manutenção do sistema.

As diversas bolsas mantidas pelos governos, quer seja estadual ou federal é sim um processo eficiente para atingir o objetivo comum a eles – manterem-se no poder.  É um processo pedagógico no sentido de aplicar as teorias de subjugo do povo. De um lado dá-se dinheiro ou outra quinquilharia qualquer e por outro lado eles são mantidos no comando. Simples teoria do toma lá da cá. Se retirarmos da noite para dia todas as bolsas, as famílias voltam a ser pobres como eram antes, sem oportunidades como antes.

Isso é promover o bem estar social? De quem?

Na escola, o sistema de meritocracia não é aplicado aos alunos. O que temos é um falso sistema de meritocracia aplicado aos professores. A contratação via concurso (de baixa qualidade) cria a falsa expectativa no professor de que ele é merecedor daquele cargo.

Sobre os concursos de baixa qualidade é importante dizer que, mesmo sendo de baixa qualidade ainda há um grande número de formados em licenciaturas que não conseguem a pontuação mínima para assumirem tal cargo (o que denota a péssima formação que estão tendo nas faculdades).

Sobre o sistema de esmola-docente, podemos explorar um pouco o chamado “bônus-docente”. O bônus que é dado aos docentes cuja escola  atingiu os índices esperados pelo sistema de ensino. No caso das escolas públicas do Estado de São Paulo temos o bônus calculado sobre o IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo) – uma cópia mal feita do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – promovido pelo Governo Federal).  Pois bem, o IDESP é calculado a partir de dois índices: Desempenho X Fluxo. Entende-se por desempenho a nota do SARESP (considerado somente para as turmas de 5º ano, 9º ano e 3º ano do ensino médio) e o fluxo em que se leva em consideração a quantidade de alunos reprovados e evasão escolar.

Pois bem, sabendo-se que os alunos não vão tão bem no quesito avaliação, o que a escola faz para elevar o índice? Aprova-se à revelia.

Dentro dessa concepção, verifica-se aqui, também, um sistema de esmola. Em que os professores são coagidos a aceitarem o que é imposto pelo sistema de ensino para não perderem o famigerado bônus-docente. Ninguém, com o mínimo de capacidade intelectual e física, precisa de bolsas ou outras medidas assistencialistas. O que precisamos é de geração de empregos, valorização do mérito e dos estudos e de salários dignos.

O grande problema é que a maioria das pessoas não tem esse mínimo de senso para contestar o modelo da Pedagogia da Esmola que se instalou neste país. Por fim, o que vemos nesse sistema assistencialista generalizado que estamos vivendo é o modelo de “Cenoura de mula”, em que se pendura à frente do animal para que ele ande sem parar e nunca alcance. Assim estamos nós sociedade, correndo atrás da nossa “esmola” e reelegendo aqueles que tem o controle da “cenoura”.


CAMARGO, O.; GUEDES, I.C. Pedagogia da esmola. Gazeta Valeparaibana, v. 52. Disponível em: http://gazetavaleparaibana.com/052.pdf, 2012, p. 6.

Autores:
Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química
Pós-Graduado em Química
omacam@professor.sp.gov.br

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
icguedes@ig.com.br

sábado, 26 de novembro de 2011

Especial de Aniversário de PAULO FREIRE

A Revista Científica e-curriculum da PUC publicou uma edição especial de Aniversário de Paulo Frere.
Segue abaixo os artigos acadêmicos publicados.

Que este trabalho seja muito útil para nossa formação e melhor entendimento sobre esse grande educador brasileiro.

http://revistas.pucsp.br/index.php/curriculum/index

PAULO FREIRE: IMPORTÂNCIA E ATUALIDADE DE SUA OBRA
Osmar Fávero
PAULO FREIRE: UM PENSAMENTO CLÁSSICO E ATUAL
Mário Sergio Cortella
PAULO FREIRE, PEDAGOGIA CRÍTICA E AS TAREFAS DO ESTUDIOSO CRÍTICO ATIVISTA
Michael W. Apple
CONTRIBUIÇÕES DE PAULO FREIRE E DA EDUCAÇÃO POPULAR À CONSTRUÇÃO DO SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO
Pedro de Carvalho Pontual
CINCO RAZÕES PARA DIALOGAR COM PAULO FREIRE
Danilo Romeu Streck
CRÍTICA DA EDUCAÇÃO INDECISA: A PROPÓSITO DA PEDAGOGIA DA AUTONOMIA DE PAULO FREIRE
Licínio C. Lima
O PENSAMENTO DE PAULO FREIRE NO CAMPO DE FORÇAS DAS POLÍTICAS DE CURRÍCULO: A DEMOCRATIZAÇÃO DA ESCOLA
Ana Maria Saul, Antonio Fernando Gouvêa Silva
FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM PAULO FREIRE: UMA FILOSOFIA COMO JEITO DE SER-ESTAR E FAZER PEDAGÓGICOS
Maria Eliete Santiago, José Batista Neto
A CONTRIBUIÇÃO DE PAULO FREIRE PARA O DESENVOLVIMENTO DE PRÁTICAS PSICOEDUCATIVAS NO ENCONTRO ESCOLA, COMUNIDADE, FAMÍLIA
Heloisa Szymanski
PAULO FREIRE NO RIO GRANDE DO SUL - DIÁLOGOS, APRENDIZAGENS E REINVENÇÕES...
Balduino Antonio Andreola, Gomercindo Ghiggi, Evaldo Luis Pauly
A PRESENÇA DE PAULO FREIRE NOS GRUPOS DE PESQUISA DO CNPq
Ivanilde Apoluceno de Oliveira, João Colares da Mota Neto, Salomão Antônio Mufarrej Haje
PAULO FREIRE 90 ANOS LEMBRANÇAS PESSOAIS E COMENTÁRIOS
Moacir Gadotti
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