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domingo, 5 de julho de 2015

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL PRÓS E CONTRAS

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL PRÓS E CONTRAS

Minha modesta redação para contribuir com o debate

Pros e contra redução da maioridade penal
Argumentos prós e contras divulgados nas redes sociais

Os debates sobre a redução da maioridade penal no Brasil apresentam fatores positivos e negativos. Dos fatores positivos, posso destacar o debate que está ocorrendo. Dos fatores negativos, posso destacar a superficialidade sobre debates. De qualquer forma, o fato de haver debate sobre um assunto, é algo que deve ser comemorado. Se pensamos numa sociedade democrática (ainda que nós não entendemos muito bem o que é isso) o debate é primordial para aflorarmos as ideias e contrapor os argumentos.




Na realidade, nessa redação eu pretendo também apresentar a minha opinião sobre a redução da maioridade penal. O que eu vou expor, está longe de ser a realidade ou uma imposição sobre a realidade, é somente a minha opinião e a minha breve análise. Também não pretendo ficar citando diferentes autores para embasar o meu texto. Não vou fazer uso de autores (ou o farei muito pouco) da Sociologia, da Psicologia, da Filosofia ou da Pedagogia).

Os debates que ocorrem sobre a redução da maioridade penal no Brasil são, na sua maioria, baseados no senso comum, assim como a burra discussão PT x PSDB. No que se refere à redução da maioridade penal, quando muito, cita-se fatos que são noticiados no “noticias populares” da televisão moderna ou, do outro lado, se reproduz um discurso vazio sobre a “importância da educação para salvar a sociedade”. Em raras oportunidades os dois lados apresentam argumentos concretos para apresentar a sua postura. De qualquer forma, a primeira afirmação está baseada na inconsciente (ou consciente) vontade de vingança, de sangue, de empalar em praça pública aquele que provocou a dor em alguém. Já a segunda está calcada em uma falsa ideia de que a educação (entenda-se a relação escola x professor x aluno), em uma profunda harmonia quase tibetana, é a única responsável pela condução ética e moral da sociedade.

Algumas pesquisas apontam que quanto maior a escolarização do jovem, menor a probabilidade dele cometer crimes. Pois bem, seria necessário discutir o conceito de crime, uma vez que a maioria daqueles que “nos representam”, possuem nível superior. Ou será que o debate sobre crime só se dá sobre os cometidos no “chão de fábrica” (estupros, homicídios, latrocínios, venda de drogas nas bocas, sequestros e etc.)?

Entendo que manter um jovem na escola, com um projeto pedagógico bem elaborado, com professores qualificados e com dedicação exclusiva, com projetos ativos e interdisciplinares, com suporte pedagógico e psicopedagógico, com infraestrutura adequada e com alimentação saudável, possa sim “salvar” muitos jovens de forma a conduzi-los ao mercado de trabalho e ao exercício da cidadania, porém, não é o que acontece na prática. Alguns defendem, inclusive, a escola de tempo integral como forma de “prevenir o acesso do jovem ao crime”, porém, sem os itens que elenquei acima, só o vai transferir de uma prisão para outra. Ou seja, manter o status quo.

Debater a educação enquanto uma provável propulsora do desenvolvimento social é importante, realmente eu acredito que muitos poderiam ter a possibilidade de escolher outros caminhos, mas, tenho que chamar a atenção para outro fato: E se ele simplesmente não o quiser?

Ainda sobre a educação, mas agora não sobre a educação escolar, e sim sobre a educação familiar, lembro-me do meu pai e da minha mãe dizendo que independente de qualquer coisa eu sempre deveria assumir os meus atos e ser responsável por eles. A máxima dessa frase consistia em “trate o outro como gostaria de ser tratado”. Sobre essa frase devo dizer que está em desuso, saiu da moda e hoje a responsabilidade da “educação de berço” está terceirizada à escola.

Sem me alongar, cito aqui o livro de Ana Beatriz Barbosa Silva “Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado” em que é discutida a questão biológica da psicopatia. Em um mundo perturbado como o nosso, as condições são totalmente favoráveis para que aflorem personalidades indesejáveis em que não há remédio ou educação que resolva o problema.

No meu entender, a grande questão não está no julgamento do crime, mas no crime em si, ou seja, a grande questão que se deve discutir não é sobre o tempo de permanência ou punição daquele que comete o crime, mas justamente o que devemos fazer para que não se cometa o crime. Pensar sobre essa possibilidade de evitar o crime me lembrou o filme “Minority Report” (uma ficção de 2002) em que se captura, julga e executa o futuro criminoso antes de ele cometer o crime, mas não seria necessariamente assim, e mesmo com tamanha tecnologia, erros e injustiças não estariam livres de serem cometidos.


Sobre a redução da maioridade penal no Brasil eu posso afirmar que sou categoricamente contra. Na minha modesta e ingênua opinião, o crime deve ser julgado segundo a sua tipologia, e não segundo a idade de quem o cometeu.

Ivan Claudio Guedes, 35.
Geógrafo e Pedagogo.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS NÃO É MOTIVO PARA EXPULSAR ALUNOS

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS NÃO É MOTIVO PARA EXPULSAR ALUNOS







Direito da criança em ter acesso à escola não pode ser suprimida pela imposição da presença do menor infrator


Recentemente fomos surpreendidos pela notícia que no Rio Grande do Sul, o Conselho Estadual de Educação e outros especialistas discutem a ideia de por fim à “expulsão escolar”. O fato surpreendeu por três motivos: primeiro que, na prática, a expulsão já não existe; o que existe é a transferência compulsória de estabelecimento de ensino, mediante a oferta de outra vaga; segundo que ninguém opta por reunir um Conselho de Escola e colocar tal punição por motivos fúteis, tais como: não fazer lição de casa, não ter um bom relacionamento ou ofender colegas ou professores (sim, isso hoje em dia é motivo fútil) e, por último é que, se a moda pega, esse vírus vai se alastrar por todo território nacional.

            Para quem não é do meio escolar, vamos apresentar como se dá o processo de “transferência compulsória de um aluno”.

Primeiro que todas as ocorrências que esse aluno teve devem ser devidamente registradas. Os pais devem ser estar cientes do que ocorre na escola e, numa ação em conjunto com os professores corrigir e orientar a criança ou o adolescente.

Aluno expulso

Quando o caso se torna insuportável e insustentável na escola, reúne-se o Conselho de Escola (em que há representantes dos professores, dos funcionários, dos alunos e dos pais), juntamente com a presença dos seus responsáveis e do aluno (para que haja ampla defesa) e dá-se a votação. Mas, o que são casos graves? Assédio moral ou sexual, tráfico ou consumo de drogas, agressões físicas, furtos ou roubos, enfim, tudo aquilo que não é condizente com o ambiente escolar. Em qualquer pais mais sério, tais casos teriam que ser resolvidos diretamente com a polícia e com o poder judiciário, e não em uma escola. Em se tratando de Brasil, resolve-se na escola e fica por ai mesmo.

No que concerne aos direitos do menor, a Constituição da República e o Estatuto da Criança e do Adolescente dizem que a educação é um direito e que cabe ao Estado prover esse direito, havendo inclusive a punição prevista para a sua não oferta. Entretanto, o que é possível fazer quando a presença de um menor põe em risco a segurança dos outros? O que fazer quando um aluno (se é que se pode chamar de aluno) impede com que outros tenham acesso às aulas?

O jovem que chega a uma situação extrema em que a única alternativa é a expulsão, denuncia o fracasso dos pais, da sociedade e da escola para com a sua educação, entretanto, a falta de clareza de que cada um deles tem que ter com a sua obrigação diante da sociedade só faz agravar os problemas escolares. A família é a grande responsável pela educação. O conjunto de valores e regras morais e éticos serão passados dentro dos padrões daquela família. A sociedade educa dentro dos seus padrões éticos e a escola tem a função primordial da educação formal, ou seja, a escolarização do educando. Se o primeiro falha, o efeito dominó sai derrubando todas as outras possibilidades de educação.

A escola deve ser acolhedora por sua própria natureza, mas quando não há condições mínimas de convívio social e esgotadas todas as demais possibilidades, a solução menos prejudicial ao coletivo é a expulsão. Um ato necessário por preservar o bem de todos e garantir as condições mínimas de trabalho e salubridade. Não deve ser possível evitar a expulsão de um jovem desse naipe, pois estaremos comprometendo a segurança dos demais alunos e professores.

São inúmeros os relatos de violência contra colegas e professores, casos até noticiados pela mídia e muitos outros que não chegam a ser divulgados, e não precisa ser intelectualizado para perceber isso.

Devemos considerar que a mudança de ambiente para o aluno infrator pode até ser benéfica, já que sem as mesmas amizades e inimizades por perto ele se sinta menos agredido e com isso ser levado a uma reflexão dos seus atos.

Queremos salientar que não estamos falando de casos genéricos de indisciplina sem maiores consequências, estamos falando de agressões físicas, verbais, explícitas ou veladas, e mais grave ainda, o tráfico de drogas dentro da escola.

São casos extremos onde a escola é totalmente impotente na solução, e nem deveria ser potente, uma vez que a escola não é consultório, delegacia ou centro de assistência social.

Estranhamente os psicopedagogos, mais precisamente a diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Sra. Maria Teresa Messeder Andion, cuja coerência deveria se fazer diante da análise global dos problemas escolares, mas que resumiu essa discussão à falha institucional, ou seja, falha da escola que não motivou esse aluno e não ofereceu a ele aulas diferenciadas. Vitimizam o jovem infrator a exemplo de outros infratores, eximindo a culpa pela má educação por parte dos responsáveis e até mesmo a omissão dos mesmos; imputando toda responsabilidade à escola.

A Constituição é clara, todo jovem tem direito à educação e realmente a escola não pode se furtar a isso, para tanto, no caso de expulsão do aluno a mesma pode (ou deve) vir acompanhada de uma vaga em outra instituição escolar. Cabe lembrar que, atualmente essa responsabilidade de arrumar outra vaga para o aluno, recai sobre o diretor da escola (sic), ou seja, continua sendo responsável pela (má) educação desse sujeito.

Só para levantar uma “lebre”, em uma escola particular, por muito menos há a expulsão do aluno, e a legislação que a rege é a mesma, e o mais agravante é que este vem na maioria da vezes parar na escola pública, porque o responsável não está mais disposto a “gastar dinheiro”; embora muitas escolas primam pelo “aluno pagador”, há escolas em que realmente existe a necessidade da expulsão, e elas o fazem, sem direito a recurso, sem remorso e sem que haja defensores apaixonados pela má qualidade da escola pública. Considerando que vivemos em uma democracia liberal, porque o sistema escolar público deve “segurar a bronca”?

Ps. Para quem quiser saber um pouco mais sobre esse assunto, leia os seguintes artigos:
Para onde caminha a humanidade?
Para onde caminha a humanidade II?

Deixe suas críticas e sugestões nos comentários. Vamos construir um debate!

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química
omacam@gmail.com

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
Consultor e assessor pedagógico
ivanclaudioguedes@gmail.com


CAMARGO, O.; GUEDES, I.C. Pelo direito de expulsar um jovem infrator da escola. Gazeta Valeparaibana[online], São José dos Campos, 01 set. 2014. Espaço Educação. Disponível em: http://www.gazetavaleparaibana.com/082.pdf Acesso em 03 set. 2014.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

PARA ONDE CAMINHA A HUMANIDADE?

PARA ONDE CAMINHA A HUMANIDADE?

A falta de educação e a banalização da violência são quase sinônimos, na sociedade atual





Depois de algum tempo escrevendo no Jornal Gazeta Valeparaibana sobre a educação formal, nós do “Programa E agora José?” nos vimos, de certa forma, obrigados a mudar o foco da nossa atenção para a educação informal. Necessariamente o que estamos vivenciando é uma generalizada falta de educação
(informal).

Violência


Temos visto ultimamente acontecimentos que nos saltam à vista e nos chamam a atenção. Acontecimentos violentos, de pais contra filhos, de filhos contra pais, de estudantes contra estudantes, de estudantes contra professores, de professores contra estudantes... Não dá para negar que alguma coisa vem acontecendo com a sociedade e por mais que se tente entender, o fato é que está difícil encontrar a resposta.

Temos tentado encontrar a razão para a violência generalizada e banalizada. Buscamos resgatar na linha do tempo de nossas vidas e nos acontecimentos recentes respostas que nos satisfaçam e nos ajudem a compreender essa faceta do ser humano.

Algumas pessoas poderão afirmar que a violência sempre acompanhou a sociedade. Desde que o mundo é mundo que a sociedade é violenta e que estamos sendo moralistas. Outras pessoas poderão dizer que é “sinal dos tempos, coisa do demo, apocalipse ou que está escrito na Bíblia”.

Na realidade nós acreditamos que, atualmente, a generalização da falta de educação e da violência gratuita, pode ser compreendida a partir da terceirização de responsabilidades. Deixamos de lado nossas responsabilidades sociais e não nos assumimos enquanto pais, professores, alunos, policiais, etc. Se estamos vendo uma onda crescente de violência é porque não estamos assumindo nossas responsabilidades e estamos deixando para outros assumirem o que nós não fazemos.

Uma vez que a sociedade se mostra violenta e compreendendo que a escola faz parte da sociedade, logo isto estará bem reproduzido no ambiente escolar. Nas escolas pululam casos onde a falta de responsabilidade dos pais é gritante, também é gritante os casos de violência gratuita. Vídeos de brigas nas escolas são diariamente inseridos no youtube como uma diversão. A impressão que se dá é a de que não saímos dos tempos romanos com gladiadores, pão e circo. Mas, pensando em tempos atuais, o que está havendo com a sociedade?

Uma das hipóteses para a perda do pátrio poder dos pais sobre seus filhos é a de que, após a segunda metade do século XX com a inserção da mulher no mercado de trabalho e consequente divisão de responsabilidades no seio familiar, teria provocado uma quebra na responsabilidade para educação das crianças. A mulher deixou de ser a dona de casa para ser a dona da casa, fazendo muitas vezes o
papel de pai e mãe ao mesmo tempo, pois a figura do pai em certas famílias acabou deixando de existir. Isso trouxe uma ruptura da estrutura familiar que se conhecia e que já estava estabelecida até de certa forma, como sólida (pelo menos nas famílias mais tradicionais).

Nessa estrutura antiga a mulher desempenhava um papel de educadora dos filhos, era ela quem mantinha a ordem familiar e ditava, em seu âmbito, as regras morais. O pai, por sua vez, era o mantenedor, aquele que provinha o sustento através do seu trabalho. Com o desenvolvimento da estrutura social moderna, o
filho foi sendo deixado de lado, aos cuidados dos avós, ou de uma creche, ou até mesmo ficam sozinhos com os mais novos sendo cuidados pelos mais velhos. A responsabilidade pela educação das crianças foi terceirizada. Não se tem mais tempo para os filhos e para aplacar a consciência os pais exageram na permissividade (na doce ilusão de não serem pais, mas amigos dos filhos).

Esse assunto extenso, polêmico e controverso precisa ser retomado. Precisa ser melhor analisado. Por isso no próximo mês, vamos tentar contribuir com mais discussões sobre este assunto.


Este artigo continua em: PARA ONDE CAMINHA A HUMANIDADE II
http://portaldaeducacaoreflexiva.blogspot.com.br/2013/11/para-onde-caminha-humanidade-ii.html

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química.
Pós-Graduado em Química.
decamargo.omar@gmail.com

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo. Especialista em Gestão
Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando
em Geologia.
Articulista e palestrante.
icguedes@ig.com.br

Para referenciar este artigo:

CAMARGO; O.; GUEDES, I.C. Para onde caminha a humanidade? Gazeta Valeparaibana. Ed. 71. Ano IV. Disponível em: <http://www.gazetavaleparaibana.com/071.pdf>, 2013, p. 09.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Manifestações ou vandalismo?

As manifestações nas cidades em que houvera aumento da tarifa do ônibus são altamente justificáveis. O governo não negocia com a população, negocia com empresas, que visam ao lucro e nada mais.

O que a mídia e o governo chamam de “vandalismo” é a insatisfação daqueles que não aguentam mais as balelas dos governos em “negociar pacificamente”. Não existe negociação pacífica entre governos e empresas, porque haveria entre governo e população?

Se o cidadão deixasse seu carro em casa e fosse trabalhar de ônibus e metrô saberia o que é passar mais de 2 horas no trânsito apertado e pagando o absurdo que se paga pela péssima prestação de serviço.

Me indigna os governos petistas classificarem as manifestações como atos de vandalismos, eles que tiveram uma origem marxista deveriam saber muito bem sobre como se faz um protesto popular, mas agora que estão no poder em muitas cidades e no governo federal mudam de lado como fizeram os porcos (A revolução dos bichos de George Orwell), já os do PSDB que vieram do MDB deveriam atentar-se mais aos problemas da sociedade e não ao interesse financeiro das empresas.

Alias, a mensagem que eu mandei para a EMTU sobre o motorista ser cobrador ainda não foi respondida. Isso é negociação pacífica?

Vão me desculpar, mas eu acho o povo brasileiro muito pacato. Essas pequenas manifestações contra o aumento dos ônibus, contra a corrupção, contra esses governos podres, eleitos por voto de cabresto ainda não é nem um terço do que realmente precisávamos: Uma revolução na educação e nas ruas para um povo realmente consciente e solidário. Mas isso é quase uma utopia.

Por enquanto o que vou continuar vendo são esses idealistas lutando na rua contra a polícia (que obedece a ordens) e não contra os governos, que de certa forma ajudaram eleger.

A propósito, sobre o vandalismo? Vandalismo é o que os governos e as empresas vêm fazendo com a população há tempos: Sucateamento proposital da saúde, da segurança, da educação. Diminuição dos salários, flexibilização das leis trabalhistas, diminuição dos direitos das minorias populares e aumento dos direitos e privilégios da minoria elitista. Aumento das políticas populistas, aumento das taxas de juros e inflação, aumento das expectativas para os especuladores e diminuição do poder de compra do cidadão trabalhador. Isso é vandalismo, isso deve ser combatido e rechaçado. 

E quem é contra essas manifestações, que pegue seu carro e vá passear na cidade, pagando 2,80 no litro da gasolina.


Prof. Ivan Claudio Guedes

domingo, 16 de dezembro de 2012

A VIOLÊNCIA ESCOLAR


Pedagoga/Criminóloga da Comumviver – Escola especializada
Professora da Rede Estadual MG – Escola especializada
Diretora Pedagógica – Colégio SEAL BH/MG –Ensino Regular/inclusivo

A violência é hoje uma das principais preocupações da sociedade. Ela atinge a vida e a integridade física das pessoas . É um produto de modelos de desenvolvimento que tem suas raízes na história .
A definição de violência  se faz necessária para uma maior compreensão da violência escolar. É uma transgressão da ordem e das regras da vida em sociedade. É o atentado direto, físico contra a pessoa cuja vida, saúde e integridade física ou liberdade individual correm perigo a partir da ação de outros.  Neste sentido  Aida    Monteiro  se expressa " entendemos a violência, enquanto ausência e desrespeito aos direitos do outro"[1].  No estudo realizado pela autora em uma escola, buscou-se perceber a concepção de violência dada pelo corpo docente e discente da instituição.


Para o  corpo discente " violência representa agressão física, simbolizada pelo estupro, brigas em família e também a falta de respeito entre as pessoas ". Enquanto que para o corpo docente " a violência, enquanto descumprimento das leis e da falta de condições materiais da população, associando a violência à miséria, à exclusão social e ao desrespeito ao cidadão" .

É importante refletirmos a diferença entre agressividade, crime e violência.

A  agressividade é o comportamento adaptativo intenso, ou seja , o indivíduo  que é vítima de violência constante têm dificuldade de se relacionar com o próximo e de estabelecer limites  porque estes às vezes não foram construídos no âmbito familiar.  O sujeito agressivo tem atitudes agressivas para se defender e não é tido como violento.  Ele possui "os padrões de educação contrários às normas de convivência e respeito para com o outro ." ABRAMOVAY ; RUA ( 2002)   A construção da paz vem se apresentando em diversas áreas e mostra que o impulso agressivo é tão inerente à natureza humana quanto o impulso amoroso; portanto é necessária a canalização daquele para fins construtivos, ou seja, a indignação é aceita porém deve ser utilizada de uma maneira produtiva.

O crime é uma tipificação social e portanto definido socialmente é uma rotulação atribuída a alguém que fez o que reprovamos. " Não reprovamos o ato porque é criminoso. É criminoso porque o reprovamos"(Émile Durkheim).

Violência pode ser também “uma reação conseqüente a um sentimento de ameaça ou de falência da capacidade psíquica em suportar o conjunto de pressões internas e externas a que está submetida” LEVISKY (1995) apud  DIAS;ZENAIDE(2003)
Tipos de violência

A violência que as crianças e os adolescentes exercem , é antes de tudo, a que seu meio exerce sobre eles COLOMBIER et al.(1989). A criança reflete na escola as frustrações do seu dia-a- dia.
É neste contexto que destacamos os tipos de violência praticados dentro da escola .

*   Violência contra o patrimônio - é a violência praticada contra a parte física da escola. " É contra a própria construção que se voltam os pré-adolescentes e os adolescentes , obrigados que são a passar neste local oito ou nove horas por dia." COLOMBIER et al.(1989)
*   Violência doméstica - é a violência praticada por familiares ou pessoas ligadas diretamente ao convívio diário do adolescente.

*    Violência simbólica - É a violência que a escola exerce sobre o aluno quando o anula da capacidade de pensar e o torna um ser capaz somente de reproduzir. " A violência simbólica é a mais difícil de ser percebida ... porque é exercida pela sociedade quando esta não é capaz de encaminhar seus jovens ao mercado de trabalho, quando não lhes oferece oportunidades para o desenvolvimento da criatividade e de atividades de lazer; quando as escolas impõem conteúdos destituídos de interesse e de significado para a vida dos alunos; ou quando os professores se recusam a proporcionar explicações suficientes , abandonando os estudantes à sua própria sorte , desvalorizando-os com palavras e atitudes de desmerecimento".  (ABRAMOVAY ; RUA , 2002, p.335) a violência simbólica também pode ser contra o professor quando este  é agredido em seu trabalho pela indiferença e desinteresse do aluno. ABRAMOVAY ; RUA ( 2002)

*     Violência física -  "Brigar , bater, matar, suicidar, estuprar, roubar, assaltar, tiroteio, espancar, pancadaria, neguinho sangrando, Ter guerra com alguém,  andar armado e, também participar das atividades das guangues " ABRAMOVAY et al. (1999)

Os fatores que levam os jovens a praticar atos violentos

São inúmeros os fatores que podem levar uma criança ou um adolescente a um ato delitivo,  a seguir,  abordaremos os que acreditamos serem os mais relevantes .
A desigualdade social é um dos fatores que levam um jovem a cometer atos violentos.  A situação de carência absoluta de condições básicas de sobrevivência tende a embrutecer os indivíduos, assim, a  pobreza seria  geradora de personalidades desruptivas.  " A partir desse ... de estar numa posição secundária na sociedade e de possuir menos possibilidades de trabalho, estudo e consumo, porque além de serem pobres se sentem maltratados, vistos como diferentes e inferiores. Por essa razão, as percepções que têm sobre os jovens endinheirados são muito violentas e repletas de ódio..." ABRAMOVAY et al. (1999)  é uma forma de castigar  à sociedade que não lhe dá oportunidades.            

A influência de grupos de referência  de valores , crenças e formas de comportamento  seria também uma motivação do jovem para cometer crimes.

" o motivo pelo qual os jovens...aderem às gangues é a busca de respostas para suas necessidades humanas básicas, como o sentimento de pertencimento, uma maior identidade, auto-estima e proteção, e a gangue parece ser uma solução para os seus problemas a curto prazo" ABRAMOVAY et al. (1999), assim,  o infrator se sente protegido por um grupo no qual tem confiança.  " Valores como solidariedade, humildade, companheirismo,  respeito, tolerância são pouco estimulados nas práticas de convivência social, quer seja na família, na escola, no trabalho ou em locais de lazer. A inexistência dessas práticas dão lugar ao individualismo, à lei do mais forte, à necessidade de se levar vantagem em tudo, e daí a brutalidade e a intolerância", (MONTEIRO,2003)  a  influência das guangues que se aliam  ao fracasso da família e da escola. A educação tolerante e permissiva não leva a ética na família. Os pais educam seus filhos e estes crescem achando que podem tudo.

É dentro das  guangues ou das quadrilhas como se refere Alba Zaluar que os jovens provam sua audácia , desafiam o medo da morte e da prisão. É  uma subcultura criminosa marcada pela atuação masculina(ZALUAR, 1992, p.27).

O indivíduo enfrenta uma  grande oferta de oportunidades:  o uso de drogas, uso de bebidas alcoólicas, uso da arma de fogo aliada a inexistência do controle da polícia , da família e comunidade tornam o indivíduo motivado a concluir o ato delitivo.  " Carências afetivas e causas sócio-econômicas ou culturais certamente aí se misturam, para desembocar nestas atitudes" . (COLOMBIER,1989,p.35) . " A Disponibilidade  de armas de fogo e as mudanças que isso impõe às comunidades conflituosas, contribuindo para o aumento do caráter mortal dos conflitos nas escolas " ABRAMOVAY ; RUA ( 2002, p.73) " a falta de policiamento agrava a situação na medida em que a polícia pode ser sinônimo de segurança e ordem" ABRAMOVAY ; RUA ( 2002, p.337).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABRAMOVAY, Miriam; RUA, Maria das Graças - Violência nas escolas. Ed.Unesco, doações institucionais.

ABRAMOVAY, Miriam ; et alli - Guangues , galeras, chegados e rappers. RJ, Ed. Garamond , 1999.

COLOMBIER,Claire; MANGEL,Gilbert; PERDRIAULT,Marguerite . A violência na escola. São Paulo, Ed.Summus,1989.

GUIMARÃES, Eloisa. Escola, Galeras e Narcotráfico. Ed. UFRJ.

SILVA,Aida Maria Monteiro. EDUCAÇÃO E VIOLÊNCIA: qual o papel da escola?  www.dhnet.org.br/inedex.htm, 2002

SILVA,Aida Maria Monteiro. A VIOLÊNCIA NA ESCOLA : A PERCEPÇÃO DOS ALUNOS E PROFESSORES.www.dhnet.org.br/inedex.htm, 2002

ZALUAR, Alba (org).  Violência e educação. São Paulo, Cortez editora, 1992
VIVIANE AVELINO MARCELOS - Perfil do Autor:

Pedagoga/Criminóloga da Comumviver – Escola especializada
Professora da Rede Estadual MG – Escola especializada
Diretora Pedagógica – Colégio SEAL BH/MG –Ensino Regular/inclusivo
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