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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

GERAÇÃO NEM NEM:

GERAÇÃO NEM NEM:

Nem trabalha nem estuda, essa geração mostra o desinteresse pelo trabalho e pelo estudo


Geração nem nem


Estamos vivendo uma época, no mínimo inusitada, pois a geração de jovens que aí está recusa-se a sair da casa dos pais para enfrentar a vida e seus desafios. Se voltarmos um pouco no tempo, e isso se faz necessário, veremos que os filhos não viam a hora de fazer dezoito anos para terem liberdade de ir aonde quisessem e chegar em casa fora da hora marcada, além claro, de se buscar um emprego e trabalhar para ter o seu dinheiro e poder comprar o que quisesse, apesar de que parte do salário que se ganhava ficava com os pais. Hoje em dia, está ocorrendo justamente o contrário, ou seja, os jovens não querem sair da casa dos pais. Também, pudera quem quer perder a mordomia – casa, comida e roupa lavada? Ninguém com certeza. O problema, a nosso ver, que irá desencadear uma situação insustentável, é o fato de que eles não querem estudar nem trabalhar. E daí o nome Geração NEM – NEM, nem estuda e nem trabalha.






            Na contramão dessa tendência, quem está voltando ao mercado de trabalho são os aposentados. Seja para manter seu padrão de vida, ou para bancar os remédios. Aproximadamente 159,4 mil dos 265,7 mil aposentados pelo INSS voltaram ao trabalho. Enquanto isso, seus filhos ou netos, enquadram-se na geração nem-nem.

Acontece que sem estudo como irão conseguir um emprego que lhe gere renda?

Esse fenômeno não é recente. Estudos da OIT (Organização Internacional do Trabalho) em 2014, através do Relatório de Tendências Mundiais de Emprego, mostram que o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos continua aumentando e já esbarra em 74 milhões de pessoas. Entre os 40 países pesquisados 30 deles tiveram sua população NEM – NEM aumentada.

Pesquisa efetuada no Brasil pelo PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) demonstra um crescimento entre os jovens da geração NEM-NEM. Em 2001 eram 22,5 % dos jovens entre 18 e 20 anos e em 2009 estava em 24,1%.

Poder-se-ia pensar que são jovens desfamiliarizados, porém nem tanto, pois já existe até uma classificação para aqueles que têm estrutura familiar definida, eles são chamados de geração NEM-NEM acolchoados. Estudos mostram que esse fenômeno nada tem a ver com o fato de um pais ser capitalista ou não, evoluído ou emergente. É um fenômeno mundial.

O termo surgiu no Reino Unido como NEET (not in education, employment or training) e lá já está na casa dos 15 %. Na Espanha, conforme o Instituto Metroscopia, 54 % dos jovens até 34 anos não estudam e nem trabalham. A situação é tão preocupante que já se fala em intervenção do Estado para tentar resolver o problema.

Nesses países, assim como no Brasil, o que se nota é uma falta de interesse nos estudos e consequentemente a má preparação para o mercado de trabalho que cada vez está mais exigente e necessitado de mão de obra qualificada. Evidentemente, sem o estudo necessário, principalmente na área técnica, o jovem irá encontrar enormes barreiras para se colocar no mercado de trabalho, achando melhor continuar sob as asas dos pais. Já os programas governamentais, tais como, Jovem Aprendiz e ProJovem não atingiram as metas projetadas inicialmente pelo governo, trazendo uma enorme preocupação pois é uma massa de pessoas à  margem do processo, que não está produzindo nada.

Num país como o nosso, essa massa de jovens é potencialmente perigosa, pois a ociosidade faz fronteira com a criminalidade e a violência. Atendendo a uma lei natural de similaridade, ou seja, semelhante atrai semelhante, vemos que fatores negativos acabam se somando, o que leva o jovem a se juntar com más companhias e formando grupos de pensamento semelhante (não estudam e nem trabalham). Esses fatores unidos a uma sociedade consumista são, com certeza, material combustível suficiente para um incêndio bastando apenas uma centelha para o início da combustão.

Ainda que em outros países esse movimento seja transitório, no Brasil o problema tende a permanecer, uma vez que boa parte dos jovens brasileiros não conseguem encontrar um trabalho, por conta da baixa formação (e desistem facilmente de continuar procurando) e por entender que a escola não os preparam para o trabalho. No limite, o país não tardará para entrar em uma grave crise de mão de obra aprofundando a crise econômica nacional.

Na ânsia de melhorar a educação brasileira o Estado promulgou lei que estabelece as 20 metas do PlanoNacional de Educação, em um esforço para atender às demandas empresariais e responder positivamente aos péssimos índices educacionais do nosso país. Dentre essas metas, o esforço que o Estado pretende investir (claramente pressionado por setores não muito preocupados com a educação) na remodelação do currículo do Ensino Médio, eliminando disciplinas e juntando tudo em um bloco só. O objetivo? Criar um currículo atrativo. Será?

O que pode (e vai) acontecer, realmente, é piorar o que já está ruim, ou seja, nivelar por baixo. Ensinar o mínimo possível, melhorar as notas mas não ensinar de verdade, mas isso já é outra história que merece ser discutida.

Mas e sobre essa geração Nem-nem, o que fazer? O Estado deveria intervir? Qual o papel dos pais nesse processo que consideramos de autodestruição do futuro? Qual o papel da escola? A sociedade capitalista estaria ameaçada por essa força? O governo com seu pacote de assistência social (Veja nosso artigo sobre Pedagogia da Esmola) não estaria promovendo essa inércia?  A facilitação da promoção escolar, nos moldes atuais, não é um fator que beneficia esse desinteresse pelos estudos?


Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química
omacam@gmail.com

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
Consultor e assessor pedagógico


ivanclaudioguedes@gmail.com

Referência:

CAMARGO, O.; GUEDES, I.C. Geração Nem-nem: nem estudar nem trabalhar é uma bomba relógio para quebrar o Brasil. Gazeta Valeparaibana [online], São José dos Campos, 01 nov. 2014. Espaço Educação. Disponível em: http://www.gazetavaleparaibana.com/084.pdf Acesso em 03 nov. 2014. 


Conheça o jornal Gazeta Valeparaibana:

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS NÃO É MOTIVO PARA EXPULSAR ALUNOS

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS NÃO É MOTIVO PARA EXPULSAR ALUNOS







Direito da criança em ter acesso à escola não pode ser suprimida pela imposição da presença do menor infrator


Recentemente fomos surpreendidos pela notícia que no Rio Grande do Sul, o Conselho Estadual de Educação e outros especialistas discutem a ideia de por fim à “expulsão escolar”. O fato surpreendeu por três motivos: primeiro que, na prática, a expulsão já não existe; o que existe é a transferência compulsória de estabelecimento de ensino, mediante a oferta de outra vaga; segundo que ninguém opta por reunir um Conselho de Escola e colocar tal punição por motivos fúteis, tais como: não fazer lição de casa, não ter um bom relacionamento ou ofender colegas ou professores (sim, isso hoje em dia é motivo fútil) e, por último é que, se a moda pega, esse vírus vai se alastrar por todo território nacional.

            Para quem não é do meio escolar, vamos apresentar como se dá o processo de “transferência compulsória de um aluno”.

Primeiro que todas as ocorrências que esse aluno teve devem ser devidamente registradas. Os pais devem ser estar cientes do que ocorre na escola e, numa ação em conjunto com os professores corrigir e orientar a criança ou o adolescente.

Aluno expulso

Quando o caso se torna insuportável e insustentável na escola, reúne-se o Conselho de Escola (em que há representantes dos professores, dos funcionários, dos alunos e dos pais), juntamente com a presença dos seus responsáveis e do aluno (para que haja ampla defesa) e dá-se a votação. Mas, o que são casos graves? Assédio moral ou sexual, tráfico ou consumo de drogas, agressões físicas, furtos ou roubos, enfim, tudo aquilo que não é condizente com o ambiente escolar. Em qualquer pais mais sério, tais casos teriam que ser resolvidos diretamente com a polícia e com o poder judiciário, e não em uma escola. Em se tratando de Brasil, resolve-se na escola e fica por ai mesmo.

No que concerne aos direitos do menor, a Constituição da República e o Estatuto da Criança e do Adolescente dizem que a educação é um direito e que cabe ao Estado prover esse direito, havendo inclusive a punição prevista para a sua não oferta. Entretanto, o que é possível fazer quando a presença de um menor põe em risco a segurança dos outros? O que fazer quando um aluno (se é que se pode chamar de aluno) impede com que outros tenham acesso às aulas?

O jovem que chega a uma situação extrema em que a única alternativa é a expulsão, denuncia o fracasso dos pais, da sociedade e da escola para com a sua educação, entretanto, a falta de clareza de que cada um deles tem que ter com a sua obrigação diante da sociedade só faz agravar os problemas escolares. A família é a grande responsável pela educação. O conjunto de valores e regras morais e éticos serão passados dentro dos padrões daquela família. A sociedade educa dentro dos seus padrões éticos e a escola tem a função primordial da educação formal, ou seja, a escolarização do educando. Se o primeiro falha, o efeito dominó sai derrubando todas as outras possibilidades de educação.

A escola deve ser acolhedora por sua própria natureza, mas quando não há condições mínimas de convívio social e esgotadas todas as demais possibilidades, a solução menos prejudicial ao coletivo é a expulsão. Um ato necessário por preservar o bem de todos e garantir as condições mínimas de trabalho e salubridade. Não deve ser possível evitar a expulsão de um jovem desse naipe, pois estaremos comprometendo a segurança dos demais alunos e professores.

São inúmeros os relatos de violência contra colegas e professores, casos até noticiados pela mídia e muitos outros que não chegam a ser divulgados, e não precisa ser intelectualizado para perceber isso.

Devemos considerar que a mudança de ambiente para o aluno infrator pode até ser benéfica, já que sem as mesmas amizades e inimizades por perto ele se sinta menos agredido e com isso ser levado a uma reflexão dos seus atos.

Queremos salientar que não estamos falando de casos genéricos de indisciplina sem maiores consequências, estamos falando de agressões físicas, verbais, explícitas ou veladas, e mais grave ainda, o tráfico de drogas dentro da escola.

São casos extremos onde a escola é totalmente impotente na solução, e nem deveria ser potente, uma vez que a escola não é consultório, delegacia ou centro de assistência social.

Estranhamente os psicopedagogos, mais precisamente a diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Sra. Maria Teresa Messeder Andion, cuja coerência deveria se fazer diante da análise global dos problemas escolares, mas que resumiu essa discussão à falha institucional, ou seja, falha da escola que não motivou esse aluno e não ofereceu a ele aulas diferenciadas. Vitimizam o jovem infrator a exemplo de outros infratores, eximindo a culpa pela má educação por parte dos responsáveis e até mesmo a omissão dos mesmos; imputando toda responsabilidade à escola.

A Constituição é clara, todo jovem tem direito à educação e realmente a escola não pode se furtar a isso, para tanto, no caso de expulsão do aluno a mesma pode (ou deve) vir acompanhada de uma vaga em outra instituição escolar. Cabe lembrar que, atualmente essa responsabilidade de arrumar outra vaga para o aluno, recai sobre o diretor da escola (sic), ou seja, continua sendo responsável pela (má) educação desse sujeito.

Só para levantar uma “lebre”, em uma escola particular, por muito menos há a expulsão do aluno, e a legislação que a rege é a mesma, e o mais agravante é que este vem na maioria da vezes parar na escola pública, porque o responsável não está mais disposto a “gastar dinheiro”; embora muitas escolas primam pelo “aluno pagador”, há escolas em que realmente existe a necessidade da expulsão, e elas o fazem, sem direito a recurso, sem remorso e sem que haja defensores apaixonados pela má qualidade da escola pública. Considerando que vivemos em uma democracia liberal, porque o sistema escolar público deve “segurar a bronca”?

Ps. Para quem quiser saber um pouco mais sobre esse assunto, leia os seguintes artigos:
Para onde caminha a humanidade?
Para onde caminha a humanidade II?

Deixe suas críticas e sugestões nos comentários. Vamos construir um debate!

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química
omacam@gmail.com

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
Consultor e assessor pedagógico
ivanclaudioguedes@gmail.com


CAMARGO, O.; GUEDES, I.C. Pelo direito de expulsar um jovem infrator da escola. Gazeta Valeparaibana[online], São José dos Campos, 01 set. 2014. Espaço Educação. Disponível em: http://www.gazetavaleparaibana.com/082.pdf Acesso em 03 set. 2014.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

UMA CRIANÇA, UM BRAÇO, UM TIGRE E UM PAI IRRESPONSÁVEL

UMA CRIANÇA, UM BRAÇO, UM TIGRE E UM PAI IRRESPONSÁVEL

Muitos pais imaginam ter poder absoluto por tudo. Os filhos aprenderam a serem “livres” sob a tutela dos seus pais.

Hoje li uma reportagem na Folha de São Paulo sobre um garoto de 11 anos que teve um braço amputado por conta de um ataque sofrido por um tigre em uma área proibida em um zoológico na cidade de Cascavél-PR e o fato me chamou a atenção, não pelo acidente, mas pelo os motivos que causaram o acidente.

Enquanto estava lendo pensei em diversos tipos de crianças (comparando com os nossos alunos nessa faixa etária). Poderia se tratar de uma criança que não obedecia aos pais, birrenta, ditadora, agressiva ou dissimulada. Entretanto, ao continuar lendo, a reportagem apontou que o garoto estava sendo influenciado pelo seu pai para correr ao redor da jaula, provocando o animal. Não somente isso, em outra cena do circuito de câmeras do zoológico, a reportagem afirma que o garoto havia acabado de mexer com um leão, e que seu pai estava próximo (VEJA O VÍDEO 1 ABAIXO).





Neste caso, é absoluto afirmar que o garoto estava agindo sob a tutela do seu pai e este, comportando-se como uma criança de 11 anos, estava lhe dando cobertura.

Quantas vezes vemos os pais darem “cobertura” ou até mesmo incentivar seus filhos a fazerem o que é errado ou perigoso? O que se passou pela cabeça deste pai em deixar seu filho alimentar um leão e um tigre? Porque a noção de perigo não lhe passou pela cabeça?

Içami Tiba (Limites - disciplina na medida certa) afirma que a moderna geração de pais não age como pais, mas como amigos, e amigos não educam. Amigos são amigos e pais são pais. Os pais desta geração não se atentam aos valores comuns de ética ou de limites. Abominaram qualquer tipo de repreensão em detrimento de uma suposta liberdade e esqueceram-se de que a educação é função primordial da família.

Família de ontem e de hoje na escola

É uma situação muito comum presenciar pais que, quando chamados à escola para tomar ciência de alguma atitude indisciplinar dos seus filhos, já irem armados para defendê-los a qualquer custo. O filho tem tanta razão quanto o cliente de qualquer comércio. Se é por causa de lição, é porque o professor dá muita lição, se é por questões disciplinares, é porque o professor está de marcação, se foi briga com outro aluno, é porque a família do outro não deu educação, e por ai vai. Aos poucos a infantilização da sociedade vai dominando o cenário social e ganhando cada vez mais força.

Em entrevista à MasterTV o Prof. Mário Sergio Cortella afirma que os pais estão delegando a função da educação familiar aos professores, assim como se faz com um personal trainner. Cortella diz que os professores estão sendo tratados como  personal father e personal mather (VEJA VÍDEO 2 ABAIXO).

Os papeis invertidos entre pais e professores só tendem a prejudicar a sociedade. É preciso deixar claro para ambos quais são os seus papeis. O professor contribui com uma parte da educação da criança, ou seja, com a escolarização. Os pais, por sua vez são aqueles que os terão por toda a vida, ou seja: Professor não é Educador. Essa tendência de chamar professor de educador só tem contribuído com a inversão de papéis e com a terceirização da educação de seus filhos.

Cabe então, aos professores, lembrarem constantemente os pais dos seus alunos para que estão na escola. Qual é a função da escola e quais são as diferenças entre pais e alunos, pois se não o fizerem, correremos o risco de assumir a responsabilidade sobre a irresponsabilidade dos pais.


Ivan Claudio Guedes, 34.
Geógrafo e Pedagogo


VÍDEO 2 - MENINO ATACADO POR TIGRE



VÍDEO 2 - MÁRIO SERGIO CORTELLA


sexta-feira, 4 de julho de 2014

É LIVRE A MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO, DESDE QUE PENSE IGUAL A MIM!

É LIVRE A MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO, DESDE QUE PENSE IGUAL A MIM!

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade


Antes de qualquer reflexão, leia o Artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.








Há algum tempo temos percebido que a intolerância às ideias, às manifestações intelectuais, artísticas e de comunicação tem sido muito constante nas redes sociais. Por muito pouco se condena qualquer pessoa por qualquer pensamento que seja destoante de um pensamento majoritário em um determinado grupo. Em um debate em qualquer lugar, rapidamente se esquecem dos argumentos e partem para a agressão pessoal. Talvez por causa da baixa escolarização e, consequentemente da baixa bagagem intelectual, falte argumentos para travar uma discussão em torno das ideias e se lançam à briga de cães.

A intolerância está presente em todos os grupos sociais. Na família, na escola, nas igrejas, nas empresas, nos sindicatos, nas agremiações, nos partidos políticos, etc. Considerando que o indivíduo ao longo da sua vida tem contato com as mais diversas opiniões e fundamentações, porque mesmo assim a intolerância está muito mais presente do que a tolerância à diversidade cultural e das ideias?

Ser intolerante já foi regra social. Até o século XVI ser intolerante era uma virtude. Aquele que era intolerante tinha integridade moral ou firmeza diante dos preceitos morais da época. A tolerância, por sua vez, era vista como uma atitude de impunidade frente ao mal, ou seja, a aceitação de um erro. O cidadão tolerante poderia ser acusado de indiferença religiosa ou de subversão.

Diante de tal sociedade, era comum, portanto, a supressão de toda forma de convicções que fossem diferentes da ideia predominante. Encontra-se na literatura que o ápice dessa intolerância à tolerância foi o episódio da “Noite de São Bartolomeu”, ocorrida em 1572, na França. Na época, o massacre pelo poder real, católico, aos protestantes franceses, gerou milhares de mortes que se iniciou na madruga de 24 de agosto e duraram diversos dias, espalhando-se para outras cidades.

Tal episódio trouxe aos filósofos a tarefa de analisar melhor a tolerância. Um deles foi John Locke (1632-1704) que escreveu a Carta sobre a Tolerância (1689). Neste caso, a tolerância deveria ser a partir das diferenças religiosas e políticas, defendendo o direito dos indivíduos.

Do iluminismo para cá, diversos filósofos, sociólogos e psicólogos passam a escrever em favor da multiplicidade de crenças, valores e opiniões. A literatura decorre em favor dos direitos dos indivíduos e não foi a toa que a Constituição de 1988 trouxe tantas liberdades ao cidadão.

Porém, voltamos ao problema principal: mesmo diante de diversas legislações e teorias sobre a liberdade do indivíduo, muitas vezes nos colocamos como “donos da razão” e suprimimos o direito do outro. Quando um assunto polêmico ganha visibilidade, tais como a Lei da Palmada, a legalização da maconha, a legalização do aborto, a reforma política, entre outros assuntos, o “espírito medieval” toma conta do debate.

O movimento de “caça às bruxas” está tão presente quanto na idade média. É alarmante a quantidade de comentários e artigos de blogues expondo as mazelas alheias. Não bastasse isso ainda temos aqueles pretensos donos do mundo que se acham no direito de intimidar a quem quer que se oponha à sua ideologia.

Dois casos nos saltam aos olhos neste momento: o primeiro é sobre o humorista Gustavo Mendes, que faz uma caricatura da presidente Dilma. Em um evento na cidade de Búzios-RJ, em 15 de junho, o ator fez uma brincadeira com o Pe. Ricardo, e satirizou a presidente. Durante o show foi retirado do palco e agredido pelo assessor do prefeito. No vídeo divulgado na internet o agressor se justifica em nome da igreja e dos bons costumes. O outro caso é do Sr. Alberto Cantalice, vice-presidente do PT e coordenador de redes sociais que criou uma “lista negra” citando pessoas como Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnoli, Danilo Gentili e Marcelo Madureira, incitando o ódio sobre eles, uma vez que são contra este partido.

Considerados como profetas do caos, pelo petista, esses jornalistas são estigmatizados como sendo contra as cotas sociais e raciais, contra a presença do negro em concursos públicos e etc.

Independentemente de concordarmos, ou não, com o que expressam Gustavo Mendes, Rachel Sheherazade, Paulo Ghiraldelli Jr., Pastor Caio Fábio, Pe. Ricardo, além dos outros já citados, o que interessa é a liberdade de expressão que deve ser mantida. Não concordar e argumentar contra é uma coisa, pedir a cabeça do sujeito é covardia, próprio de quem não tem argumentos.

Esse fundamentalismo partidário rasgado e sem bom senso nos leva a crer que estamos diante de um momento perigoso e que poderemos vir a sofrer um duro golpe na nossa frágil democracia. Não se trata de apenas retórica, palavras ditas no calor de uma discussão e sim de um pensamento ideológico insano. Atear lenha onde há brasa e quando queimar se fazer de vítima nos parece um procedimento comum dentre aqueles que querem jogar com o sentimento do ingênuo brasileiro, sempre dispostos a se posicionar do lado que “aparentemente” está mais fraco ou oprimido.

Por fim, vale lembrar, neste caso principalmente aos professores, que as diversas orientações didáticas na literatura (ex. FREIRE, DELORS, MORIN, SAVIANI, LUCKESI, ZABALA, dentre muitos outros), contribuem para um ensino democrático e tolerante. Para a diversidade de ideias e pela livre manifestação do pensamento, ou seja, é na escola que devemos começar a ensinar a tolerância como um conteúdo atitudinal e ser apreendido pela sociedade. Entretanto, é preciso salientar que primeiro nós professores devemos aprender tal conteúdo, uma vez que também carregamos conosco nossas convicções, ideias, pensamentos e valores, e corremos o risco de nos impor tão intolerantes quanto aqueles que citamos.

Até quando vamos sofrer com essas ideologias partidárias ou religiosas? Quando iremos crescer e realmente pensar grande, pensar na liberdade de opinião e de expressão? Quando será que veremos saciada a ganância pelo poder por aqueles que deveriam proteger e que na verdade se tornam algozes do povo?

Como diz uma célebre frase de Voltaire “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante teu direito de dizê-la”.

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
Consultor e assessor pedagógico
icguedes@ig.com.br

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química
omacam@gmail.com


CAMARGO, O.; GUEDES, I.C. É livre a manifestação do pensamento, desde que pense igual a mim. Gazeta Valeparaibana. São José dos Campos, julho. 2014, p. 9. Disponível em: http://www.gazetavaleparaibana.com/080.pdf. Acesso em: 01 jul. 2014.


sexta-feira, 16 de maio de 2014

SOBRE O USO DO CELULAR EM SALA DE AULA

SOBRE O USO DO CELULAR EM SALA DE AULA

É preciso discutir o uso deste aparelho e disciplinar sua função em uma sala de aula.


Começaremos lembrando que a lei estadual 12.730 de outubro de 2007 (São Paulo) proíbe o uso do celular em sala de aula, e que cabe à escola disciplinar o seu uso.

Sabemos que o celular é um equipamento que faz parte da própria indumentária das pessoas e que hoje em dia esses equipamentos possuem uma capacidade tal que podemos dizer que é um mini-notebook além de fotografar, gravar entre outras coisas. Hoje podemos afirmar, inclusive, que o celular hoje já faz parte do corpo humano. Mas na escola, portar celular ainda é um tabu.

A UNESCO publicou em 2013 um relatório, ou melhor, um guia com 10 dicas para o uso de tecnologia móvel. Reproduzimos abaixo o infográfico que explica essa situação:



Observe que o infográfico ilustra, de forma positiva, as vantagens de se utilizar o celular em diferentes contextos, trazendo a tecnologia para o benefício humano e seu desenvolvimento. As dicas apresentadas são muito validas, se levar em consideração o princípio básico de que o aluno está na escola para estudar.

Numa pesquisa recente, um professor associado da Universidade de Nebraska, entrevistou diversos alunos em alguns estados americanos e descobriu, pasmem, que o uso de celulares é muito mais frequente do que se imaginava. Bom, não é preciso dizer que nós aqui no Brasil sabemos disso sem fazer qualquer pesquisa, basta prestar atenção nas mãos dos alunos durante uma aula. Seja no ensino básico ou superior, raramente estão segurando uma caneta ou um lápis. Mas voltando à pesquisa, ela revelou que 68% verificavam os e-mails, 66% visitavam as redes sociais, 38% surfavam na internet e 8% simplesmente jogavam algum tipo de game durante as aulas.

No Brasil o que observamos é o uso do celular como um aparelho sonoro. Os alunos com fones de ouvido ouvem suas músicas preferidas enquanto copiam da lousa o que está sendo exposto, e é neste momento que se dá inicio às incivilidades. Os professores entram em conflito com os alunos, pois querem explicar suas matérias e querem que os alunos ouçam e os alunos, por sua vez, querem ficar “de boa curtindo seu som” enquanto o professor explica a matéria.




Um outro lado é esse perfil atual de aluno que é multitarefa, ou seja, ele consegue pesquisar um assunto, mandar e-mail e ler um SMS enviado pela namorada. Ninguém fala, mas isso assusta os professores que não consegue entender essa habilidade dos nossos alunos. Bem sabemos que o despreparo dos docentes em relação à tecnologia é algo notório e que nossos governantes não admiram e poucos ajudam os professores, pois não promovem cursos ou seminários a respeito do uso de novas tecnologias.

Desenvolver habilidades no uso de mídias móveis em sala de aula é urgente e enquanto isso não acontece vemos crescer um abismo entre o que fazemos e o que poderíamos fazer, provocando um atraso nas políticas educacionais e consequentemente um retardo no já combalido sistema educacional brasileiro.

Bem sabemos da luta inglória que Diretores e professores travam no seu dia-a-dia contra o uso do celular em sala de aula, luta inglória, diga-se de passagem. Além disso, tem-se que resolver pendengas do tipo: sumiço, roubo de cartão de memória, publicações indevidas em redes sociais e vai por aí afora.

A mudança de paradigmas na educação é algo inevitável, pois a cada dia a tecnologia toma vulto e se enraíza mais e mais na vida de todos nós. Porém, na prática da sala de aula os infortúnios se confluem para que continuemos andando na contramão da sociedade. Sim, contramão, pois se os estudos indicam que o uso da tecnologia facilita e promove o ensinamento, porque não regulamentar as normas de utilização e educar o modo pertinente de utilizá-lo ao invés de proibir? Em termos de gestão escolar iria facilitar a vida de todos os envolvidos, pois acabaria com esse dispêndio de energia para gerenciar os conflitos por conta do uso e da proibição, em termos educacionais ter-se-ia a vantagem de utilizar um equipamento voltado à pesquisa de qualquer assunto que porventura estive sendo discutido em sala de aula.

No mais, é preciso chamar a atenção novamente que, o que escrevemos acima se refere, obviamente, ao uso do celular por um aluno que está se aprofundando sobre determinado assunto e está na escola para o óbvio: Estudar!

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química
decamargo.omar@gmail.com

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
Assessor e consultor pedagógico

icguedes@ig.com.br

CAMARGO, O.; GUEDES, I.C. Nosso artigo deste mês é sobre o uso de celular em sala de aula. Gazeta Valeparaibana, São José dos Campos, maio. 2014, p. 9. Disponível em Acesso em: 16 mai. 2014.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PROFESSORES, REALMENTE ACORDEM!

PROFESSORES, REALMENTE ACORDEM!

Economista de formação, Gustavo Ioschpe ataca professores, escola e pensamentos pedagógicos.



Em 11 de maio deste ano o economista Gustavo Ioschpe, articulista da veja, publicou um ilustre artigo tecendo suas críticas (novamente) aos professores. Independentemente de o referido conter sérios problemas mal resolvidos na infância, ou se ele é pago para escrever tais bobagens, não vamos nos ater a isso, pois não levaria a nada, e sim no que se discutiu no artigo. Para quem quiser ler o artigo, basta acessar a página http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/professores-acordem.

Em primeiro lugar, se o Gustavo acredita que “a educação só vai avançar quando houver demanda pública por melhorias”, porque ele sempre só critica o setor público e elogia o privado? Será que realmente as escolas particulares são tão boas assim? Da mesma forma que existem bons colégios particulares, existe péssimos colégios particulares. Devemos lembrar que muitas escolas particulares são tão “depósitos de crianças” quanto às da rede pública. Se na rede pública existe a aprovação automática, na particular existe o padrão PPP (Papai Pagou Passou).




A princípio, Ioschpe ataca os professores dizendo que “o discurso é sempre o mesmo: o professor é um herói, um sacerdote abnegado” etc, etc. Muito bem, é preciso deixar claro que professor, é uma profissão. É regulamentada por legislação e tem seus direitos e deveres como qualquer outra. Se existe funcionário que não a cumpre, deveria ser demitido, mas os estatutos dos funcionários públicos (que enquadra muitos outros profissionais, além dos professores) não permite! Entretanto é preciso deixar claro que atualmente é muito fácil ser professor, basta fazer um cursinho qualquer em uma faculdade qualquer e voilá: seu diploma está pronto! Vale lembrar que esta “faculdade qualquer” não se refere à faculdade que tem poucos alunos e poucas salas de aula, muito pelo contrário, o maior problema do ensino superior são os Mc Donald’s da educação que oferecem uma mensalidade de R$ 199,00 e atolam 150 alunos em uma sala de aula. Ora, considere a seguinte situação: um cidadão que ganha um salário mínimo por mês se vê diante da possibilidade de cursar uma fast food da educação e ganhar a bagatela de R$ 1.697,39 por 40 horas trabalhadas. Sabendo que o salário é um dos (se não for o) mais baixos de quem tem ensino superior, mas a garantia de contratação pelo poder público é quase que imediata, qualquer ser humano dentro das suas faculdades mentais toparia este desafio.

É claro que este cidadão não tem um bom ensino médio (até porque se o tivesse não ganharia apenas um salário mínimo, mas ao mesmo tempo reduziria as possibilidades de ser explorado), obviamente também não terá um bom ensino superior, pois é impossível querer qualidade de ensino com 100 ou 150 alunos em uma sala de aula, ou pior ainda, via EaD. Em menos de três anos o sujeito estará com diploma na mão e poderá ser efetivado na rede pública, ou em algum colégio particular meia boca.

Ao discutir os 10% do PIB na educação, gostaríamos de contar uma novidade que o nobre não deve saber: o problema do dinheiro na educação não é a quantidade, mas sim o “como é utilizado”.

Membro da Fundação Ioschpe e ligado ao Todos pela educação, o articulista deve conhecer os bastidores da educação. Ele deve saber que o que sai dos cofres públicos não é o que chega às escolas. Construções, reformas, mochilas, materiais escolares, manutenções, pregões eletrônicos, tomadas de preços, tablets, computadores, notbook’s, lousa digital, enfim, tudo o que se faz para a educação é superfaturado, e neste ponto se sobressaem as OnG’s que também levam suas parcelas do dinheiro público para serem utilizadas como bem quiserem, isso sem falar em lavagem de dinheiro, apresentação de projetos caríssimos aos cofres públicos que não existem... Acrescentar 10% ou até mesmo 30% do PIB na educação não vai resolver nada, enquanto a corrupção imperar em todos os segmentos da sociedade.

Em seguida é discutido sobre a relação “valor investido na educação – entre eles o salário do professor – e o aprendizado dos alunos”. Não vou gastar linhas neste assunto (já o fiz em outros artigos), mas gostaria de ver como o Gustavo sobreviveria nas condições citadas acima, com o salário anunciado. Dentro das suas perspectivas, muito provavelmente arrumaria outras escolas para trabalhar (Estado, prefeitura, particulares...). É preciso colocar na cabeça de algumas pessoas (e de alguns economistas) que o professor não trabalha 60 ou 70 horas em sala de aula por semana por amor à educação. Não, não se trata de “furor pedagógico” e sim de necessidade. Indicar atividades para casa, acompanhar os cadernos, corrigir minuciosamente as provas e os trabalhos é obrigação do professor! Mas tente fazer com uma somatória de 1200 alunos? Para não dizer que estou extrapolando nos números, citarei outro exemplo concreto: Professores de História, Geografia, Física, Química, Biologia, Educação Física, Sociologia, Filosofia, Inglês e Arte possuem duas aulas por semana, por turma. Cada turma tem em média 40 alunos (no melhor dos exemplos). O professor trabalha 30 aulas de manhã (das 7h às 12h20min), em seguida vai para outra escola com mais 30 aulas (das 13h às 18h20min), e/ou para o período noturno (25 aulas – das 19h às 23h). Pronto! Fez as contas? Animador, não?

A presença da comunidade na escola é fundamental. Este próximo item abordado no artigo diz que se a comunidade for para dentro da escola “vão descobrir que a escola brasileira é uma farsa (...) verão a quantidade abismal de professores que faltam ao trabalho, que não prescrevem nem corrigem dever de casa (...)”. Sim, seria muito interessante se a comunidade realmente fosse para a escola. Diversos exemplos demonstram que as escolas em que a comunidade participa, tiveram um salto de qualidade: os problemas de incivilidade diminuem, a comunidade passa a cobrar melhor os políticos, as brigas, furtos e ofensas diminuem, mas o grande problema é o “como” trazer a comunidade (que trabalha, que é de baixa renda, que precisa sustentar uma família – isso quando o próprio aluno não é este, o responsável) para dentro da escola. É possível sim, trazer todos para dentro da escola, o objetivo é o de melhorar, e não o de denegrir como o ilustríssimo o faz comumente na vossa coluna.

Adiante, Gustavo Ioschpe elenca quatro itens que os professores precisarão fazer para “melhorar a qualidade do ensino”. Dos itens elencados, respondo
:
Primeiro. Não somos vítimas. Somos profissionais e queremos ser respeitados, e nos dar ao respeito como tal. Se o professor está nesta situação e continua nela, pode haver duas hipóteses: 1. Incapacidade de arrumar outro emprego (como já discutido acima) e, 2. Ideologia. Sim, muitos professores fazem o que fazem por ideologia, mas não política-partidária, nem de direita nem de esquerda. A ideologia de que a educação poderá ajudar a construir uma sociedade menos hipócrita e mais humana, e obviamente que o salário é bem vindo, pois quanto mais eu ganhar, em menos escolas precisarei trabalhar e assim poderei estudar mais.

Segundo. Cada ser humano possui um conjunto de valores morais e éticos que é preciso respeitar. Ainda que o professor deva ser “neutro” e oferecer aos alunos diferentes pontos de vista, o professor é um ser humano e carrega consigo todo conjunto de valores que foi construindo ao longo da sua vida. Creio que o professor que estuda constantemente tem um bom discernimento sobre isso, portanto, para que os professores não negligenciem a literatura como Ioschpe diz, o professor deve estudar (e isso está ligado ao primeiro item tratado).

Terceiro. Todos tem o direito de debater a educação, assim como a saúde, a segurança, o transporte, etc. o debate deve ser democrático e as opiniões fundamentadas são sempre bem vindas. Entretanto é preciso deixar claro que o professor (sobretudo o Pedagogo) é um especialista da educação. Ele detém o conhecimento da fundamentação pedagógica para avaliar um aluno, bem como verificar a situação de aprendizagem. Se assim não o fosse, todos nós poderíamos dar palpite no procedimento em que o cardiologista está utilizando ao realizar uma operação, ou sobre como o policial deve empunhar a sua arma durante uma troca de tiros, ou ainda mais: o quanto o urologista deve se empenhar no exame de próstata!.

Quarto: qualquer ser minimamente pensante já terá compreendido a questão do salário. Caso não tenham entendido, podem encaminhar suas perguntas!

Para finalizar, gostaria de dizer que, realmente o respeito da sociedade não virá quando nós tivermos um contracheque mais gordo. O respeito virá quando conseguirmos educar a sociedade para que todos percebam que o problema não está nos jogadores do time, nem no técnico, muito menos no presidente do clube, mas sim na FIFA.

Talvez se “falar com o professor médio brasileiro (...) é mais inútil do que o proverbial pente para careca”, argumentar com um economista pode ser como discutir com uma porta. Vamos ver o debate!

Esse vídeo traz outra análise sobre as "ideias" de Gustavo Ioschpe:
https://www.youtube.com/watch?v=9iwDQZgntEE&feature=youtu.be

Ivan Claudio Guedes, 33, Geógrafo e Pedagogo
www.facebook.com/prof.ivanclaudioguedes 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Para onde caminha a humanidade? (II)

 Para onde caminha a humanidade? (II)

Não adianta chorar pelo leite derramado. Ou seja, se não educar seu filho desde cedo, não vai adiantar querer começar aos quinze anos de idade, quando talvez já for tarde de mais.





  
Uma célebre frase de Molière diz que “Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer”. Muito se tem falado no que se tem feito para diminuir a violência. Mas o que deixamos de fazer? E é nesse ponto que entramos com aquilo que dissemos da terceirização das responsabilidades.

A violência ganha um sentido mais amplo se nos responsabilizarmos por aquilo que deixamos de fazer. Percebam que, quando deixamos de verificar uma lição de casa, ou quando permitimos que uma criança se exceda em sua birra, ou damos à criança muito além daquilo que seria necessário, no intuito de aplacar nossa consciência pela ausência provocada por nós mesmos e pela desculpa de não ter tempo em função do trabalho ou algo assim, estamos afastando essa criança do convívio e com o tempo passando ela irá tomar isso como desinteresse dos pais por ela, daí à violência é um passo, pois o que ela quer é atenção, ser repreendida, coisa que nunca foi.

A violência abrange todos os níveis sociais, e a violência escolar é apenas uma das facetas da violência que vemos emergir por aí, ela não tem preferência por cor, raça, religião ou condição social. Na organização da nossa sociedade atual ela adquire um papel primordial devido às interações de uma série de fatores políticos, socioeconômicos e também culturais tanto de grupos sociais como de áreas determinadas. Porém cabe destacar um grupo especialmente vulnerável que são as crianças e adolescentes. Considerando a escola como um espaço de socialização do indivíduo, é óbvio que os conflitos irão aparecer.

            Vamos nos arriscar a dizer que a violência pode ser fruto da falta de educação. Ora, se a terceirização da educação é uma realidade moderna porque não também dizer que a banalização da violência escolar também é.

            O que gera muitas vezes na escola a violência (verbal, física ou intelectual) é a falta de educação. A sociedade moderna é uma sociedade de privilégios, e não de direitos (e muito menos de deveres). Todo mundo está certo e todo mundo tem razão. Chegamos a pensar que está faltando normas claras de convivência em sociedade.

            Ao longo dos tempos quem ditava tais normas era a Igreja. Em outros tempos as normas foram ditadas pelos governos. Consequentemente a família ditava as normas aos seus filhos e aos filhos dos filhos. Com a quebra do poder da igreja e com a abertura para a democracia o Brasil deixou de ter normas claras de convivência. Os valores de uma época se perderam e não existe mais o porque de se cumprir com determinadas tarefas, ou de respeitar determinadas pessoas (como se umas merecessem mais respeito do que outras).

            Na política a corrupção se banalizou e virou algo aceitável. A legislação trouxe demasiados privilégios para o mundo do crime. O poder público tirou a responsabilidade dos pais sobre a educação do seu filho (inclusive proibindo a palmada pedagógica). A Constituição de 1988 é bem clara quando diz no artigo 205 que “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Ora, é neste momento que a “educação”. Ou seja, a educação é colocada, antes pelo Estado do que pela família (esta em segundo lugar).

            No que diz respeito a educação que a família deve colocar aos seus filhos, os limites e os valores que desejam inserir é preciso repetir a célebre frase “quem pariu Mateus que o crie”. Sendo assim, vale algumas dicas:

1. Professor não é pai. Professor deve ensinar competências e habilidades conforme um plano de ensino.
2. Babá não é mãe, babá deve ser um complemento às necessidades da família.
3. Aluno é aluno durante um ano, ou um período. Filho é filho para sempre.
4. Dizer não ao seu filho não vai traumatizá-lo. Vai ensinar que ele não pode ter tudo e que não é a pessoa mais importante do mundo.
5. Escola não é reformatório. Escola é um espaço de interação social para que se aprendam os conteúdos mínimos para viver em sociedade.
6. Pai e mãe devem ser os responsáveis pelos atos dos seus filhos.
7. Proteger seu filho quando estiver errado hoje pode significar assumir a culpa por um assassinato amanhã (ainda que [não] seja só um acidente beber e dirigir).
8. Não espere que seus filhos não sigam seus exemplos. Nenhuma criança aprende a falar mal, brigar, ser nervoso, cuidar da vida alheia, fazer picuinhas, distribuir fofocas e ser mal educado sozinho.
9. Não acredite que a sociedade ou “a vida” vai educar o seu filho. Muito pelo contrário, o que podem fazer é ensinar, e geralmente, aquilo que não presta.


10. Não adianta chorar pelo leite derramado. Ou seja, se não educar seu filho desde cedo, não vai adiantar querer começar aos quinze anos de idade, quando talvez já for tarde de mais.


Omar de Camargo 
Técnico Químico 
Professor em Química. 
Pós-Graduado em Química. 
decamargo.omar@gmail.com 

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo.
Articulista e palestrante.
Especialista em Gestão Ambiental, mestre em Geociências. Doutorando em Geologia Regional.
icguedes@ig.com.br

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