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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Salário pago em São Paulo afasta docentes


DAVI LIRA - O Estado de S.Paulo
04 de outubro de 2012 | 3h 05
O valor do salário do professor em São Paulo - cerca de R$ 1.780 por mês - apontado no estudo, torna a profissão "pouco atrativa". É a posição do professor de Educação da Universidade de São Paulo (USP) José Marcelino Rezende, especialista em financiamento público.
Segundo ele, os melhores alunos dos cursos de formação de docentes preferem se submeter a concursos públicos em outras áreas que encarar a rede de ensino ao final da graduação. "E é evidente que essa cadeia afeta a qualidade da educação básica", diz.
Rezende também cita que, com a educação a distância oferecendo mais de 1 milhão de vagas, o salário poderia cair ainda mais, com mais profissionais no mercado.

Esse quadro de pouca atratividade também é reconhecido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). "Esses dados só confirmam o que nós temos colocado nesses últimos anos", afirma o presidente da CNTE Roberto Franklin de Leão.
Para ele, o salário médio dos professores deveria ser igual ao rendimento recebido pelos servidores de mesma titulação que atuam no serviço público. Hoje, o valor seria 40% menor.
No entanto, para o pesquisador Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), o aumento do salário não melhoraria necessariamente o resultado das escolas. "Mas, se tiver um patamar mais alto de rendimentos, já vai ser possível recrutar gente mais qualificada nas próximas seleções."
Esferas de governo. Para o Ministério da Educação (MEC), "não há surpresas" nos valores revelados pelo estudo. O ministério, no entanto, cita como avanço desse quadro o estabelecimento do piso nacional (mais informações nesta página).
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo "estranha" a metodologia utilizada na média do salário e informa que o valor base pago pelo governo é de R$ 2.088, para a jornada de 40 horas. Em 2013, o valor chegará a R$ 2.213.
A Secretaria Municipal de Educação informou desconhecer detalhes do estudo, mas citou que o professor que recebe anualmente o Prêmio por Desempenho Educacional, o bônus da área, ganha quase 70% mais que a média apontada no levantamento. Hoje, o município emprega mais de 62 mil professores.

domingo, 12 de agosto de 2012

Rede Marista propõe nova matriz curricular para temas cotidianos


http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI6069836-EI8266,00-Rede+Marista+propoe+nova+matriz+curricular+para+temas+cotidianos.html

12 de agosto de 2012 • 08h52


Quatro anos após o retorno das disciplinas de Sociologia e Filosofia ao currículo obrigatório do ensino médio nacional, os estudantes dos 17 colégios da Província Marista Brasil Centro-Norte começam a se dedicar ao estudo de Sustentabilidade, Indicadores Sociais e Culturas Contemporâneas, Economia e Política. Até 2013, todas as escolas da Rede Marista devem ofertar novas matérias incluídas na parte diversificada da matriz curricular, em complemento às integrantes da Base Nacional Comum, como estratégia para abordar temas cotidianos que hoje são trabalhados em disciplinas como Biologia e História.
No início deste ano, o Colégio Marista São José, localizado no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, agregou à grade curricular dos ensinos fundamental e médio nove disciplinas que visam a aprofundar o estudo e a discussão de temas transversais determinados pela Lei de Diretrizes e Bases do Ministério da Educação, como Iniciação Científica (6º ano), Educação Patrimonial (7º ano) e Desenvolvimento da Aprendizagem Pessoal e Social (6º, 7º e 8º anos). Segundo a assessora educacional da escola, Andréia Moutella, se os assuntos fossem trabalhados apenas dentro das disciplinas já existentes não teriam a devida importância. "São temas contemporâneos e que vem ao encontro de aprendizados necessários ao nosso tempo, da atualidade, com conteúdos significativos", comenta sobre a iniciativa.
Andréia afirma que os conteúdos tradicionais continuam sendo valorizados para, em conjunto com as novas disciplinas, atenderem às competências avaliadas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Os alunos aprendem de forma mais contextualizada e ampliam as habilidades de leitura, interpretação e resolução de problemas", diz. Todas as novas disciplinas incorporadas ao currículo do colégio têm carga horária de 50 minutos semanais.
As aulas são ministradas pelos professores que já integravam o corpo docente da instituição, de acordo com a capacitação profissional. Com formação em Filosofia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e responsável pelas aulas de Cultura Religiosa do ensino médio da escola, a professora Roseli Veloso assumiu as disciplinas de Ética Relacional e Urbanidade (8º ano) e Educação em Direitos Humanos (9º ano) e avalia o saldo do primeiro semestre como muito positivo. "Como educadora, acho muito interessante porque coloca não o professor como protagonista, mas o aluno, é ele quem faz as coisas", explica.
Anteriormente, Roseli já havia passado por uma experiência semelhante no Colégio Pitágoras de São José dos Campos, em São Paulo, onde ministrou por cinco anos a disciplina de Empreendedorismo e Ética. Para a professora, a iniciativa é vantajosa por abordar assuntos que fazem parte do cotidiano dos estudantes, colocá-los em contato com realidades diferentes e conscientizá-los do contexto em que estão inseridos. "No todo, são disciplinas que dão um diferencial muito grande. O maior objetivo é formar homens e mulheres com uma visão mais humana e não tão capitalista, é uma parcela a mais que a gente dá para a sociedade em si", afirma.
A avaliação nas novas disciplinas é de caráter processual, pouco apegada a provas escritas, incentivando a pesquisa e a discussão dos assuntos em sala de aula e a realização de trabalhos integrados com outras disciplinas. Para Educação em Direitos Humanos, a professora menciona o projeto de uma revista científica produzida pelos alunos para a disciplina de Português, explorando a questão do aborto, e o desenvolvimento de projetos sociais com o Abrigo Ayrton Senna para Ética Relacional e Urbanidade. "Às vezes o falar é bonito e o vídeo choca, mas é a vivência que vai dar um resultado positivo, é ali que eles se transformam", comenta. Roseli acrescenta que a troca de experiências entre os professores dos colégios maristas que já adotaram os novos componentes curriculares também auxilia na adequação do ensino a cada escola e entre as turmas, assim como o suporte à formação continuada dado pelas instituições.
Reformulação das disciplinas tradicionais é necessária
Embora os colégios tenham liberdade de incluir disciplinas adicionais àquelas definidas como obrigatórias pela Lei, a incrementação do currículo não determina a qualidade do ensino e da aprendizagem por parte dos alunos. A professora Dirce Zan, doutora em Educação pela Unicamp, relembra que a implementação de novas disciplinas não é uma decisão puramente pedagógica. "O currículo é uma fonte de disputa de diferentes interesses, desde os do campo profissional até os ideológicos e de mercado", afirma.
Dirce ressalta também que a escola não é o único espaço de formação dos alunos, mas, por vezes, a instituição termina esvaziada de suas funções primárias, como a alfabetização e o ensino da ciência e da cultura, na tentativa de dar conta de problemas sociais. "Muitas vezes se joga sobre a escola uma responsabilidade além das condições que ela pode oferecer. Em Educação para o Trânsito, por exemplo, o tipo de comportamento exigido é um aprendizado para a vida como um todo, não só para o trânsito", comenta a professora.
Para ela, a constante reavaliação das disciplinas "convencionais" quanto a sua validade e mesmo permanência na grade curricular é necessária para comportar novos temas relevantes para a formação dos estudantes. "É muito mais o caso das disciplinas tradicionais se reorganizarem internamente, incorporando essas novas demandas atuais", diz. A professora também menciona a necessidade de maior integração entre as disciplinas e uma reformulação da metodologia de trabalho para aproximar o conteúdo visto em aula da vida cotidiana dos estudantes. "Existe uma indissociabilidade entre teoria e prática. A dificuldade da escola é manter esse diálogo, apontar para o adolescente essa relação, e esse não é um desafio que o professor consiga dar conta sozinho", afirma.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

MEC atropela processo e compra tablets


Licitação é aberta antes que resultados da distribuição de laptops fossem conhecidos

02 de fevereiro de 2012 | 3h 07

MARIANA MANDELLI - O Estado de S.Paulo
O Ministério da Educação (MEC) abriu uma licitação para a compra de 900 mil tablets sem concluir a análise do impacto que o programa Um Computador por Aluno (UCA), que chegou a 2% das escolas do País, teve sobre o aprendizado. A previsão é de que a avaliação do projeto seja concluída apenas em fevereiro do ano que vem.
Até agora, o MEC distribuiu 150 mil computadores em 386 escolas pelo UCA. O programa começou em 2005, mas só em 2009 os laptops chegaram às escolas.
A avaliação tem três fases: diagnóstico (para revelar o que os alunos já sabiam antes do programa), processo (o que ocorre durante o UCA) e resultados (que mostram o impacto efetivo do projeto). Até agora, apenas o diagnóstico inicial de 52 escolas, que fazem parte do primeiro lote de participantes do UCA, foi concluído. Os outros dois lotes de escolas não serão analisados durante o processo. "A análise começou no começo de 2010", diz Isabel Cappelletti, da PUC-SP, que é da comissão avaliadora.
A Secretaria de Assuntos Estratégicos encomendou uma avaliação do UCA para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, sobre cinco cidades que tiveram todas as escolas atendidas. O texto deve chegar ao MEC neste mês.
Diferenças. O MEC diz que as duas iniciativas - laptops e tablets - são diferentes e os tablets terão utilidade distinta. Do total, a pasta deve comprar 300 mil tablets, por R$ 110 milhões.
De acordo com a pasta, serão comprados diversos modelos de tablets - cada um terá um tipo de aplicação. Cada tablet custará R$ 283. O MEC ainda não divulgou os números de alunos e escolas que devem ser atendidos.
O edital, em curso no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, já tem vencedores - Positivo e Digibrás. Os equipamentos propostos serão enviados para testes no Inmetro.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

ALUNOS DE ESCOLA PÚBLICA ESTADUAL REALIZAM PESQUISAS ACADÊMICAS

Do site da UnG

Estudantes fazem parte do Pibic-EM, financiado pelo CNPq. Orientação dos trabalhos será de docentes da Universidade


Portal UnG (02/09/2011) – O Comitê de Pesquisa da UnG recebeu na quarta-feira (31) os estudantes da Escola Estadual Bom Pastor II, em Guarulhos, selecionados para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) destinado a alunos do ensino médio.

No encontro, os alunos bolsistas conheceram seus orientadores e iniciaram o planejamento para a realização dos projetos. De acordo com o professor Mário Lincoln, coordenador de Pesquisa da Universidade, a implantação do programa foi uma vitória para a Instituição. “Essa cota conquistada no CNPq é resultado do esforço do corpo docente da UnG, que agora tem como missão levar esses alunos do ensino médio a entender o real significado de uma pesquisa”, aponta.

Cada um dos alunos selecionados receberão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico uma bolsa no valor de R$ 100 mensais para o desenvolvimento de pesquisas sob orientação de professores da UnG. Para o estudante Allan Lima, a participação será de grande valia. “Terei a oportunidade de enriquecer meus conhecimentos e ganharei uma aprendizagem extra. Estou no 2.º ano do ensino médio e acredito que depois deste projeto estarei mais capacitado para encarar um vestibular no ano próximo ano”, disse. 



PIBIC Júnior


A UnG anunciou em outubro de 2010 a conquista da cota de dez bolsas do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIBIC-EM). A proposta da iniciativa, que tem financiamento do CNPq, é despertar a vocação científica em alunos do ensino médio, incentivar talentos potenciais e favorecer a inserção social desses estudantes através da vivência em ambiente universitário Os alunos selecionados deverão desenvolver estudos dentro da Universidade, com orientação de professores da Instituição e, preferencialmente, em áreas que já tenham grandes projetos em andamento.

terça-feira, 19 de julho de 2011

PARA QUEM NÃO FREQUENTA A ESCOLA PÚBLICA, REALMENTE ACHA QUE VAI FICAR BOM!

Aulas melhores
Folha de São Paulo 18/07/2011
Editoriais


Apesar da estridente reação de parcela do professorado, parece correta a iniciativa do governo estadual paulista de dividir as férias do magistério em dois períodos, no meio e no começo do ano.
Em vez dos 30 dias seguidos de descanso em janeiro de que hoje gozam, a partir do ano que vem os professores da rede estadual de São Paulo terão direito a 15 dias de férias em julho e 15 em janeiro.
A medida tem o objetivo de liberar mais tempo para organização e preparo de aulas antes do início do ano letivo, que será antecipado do dia 10 para 1º de fevereiro.
Um dos principais motivos do baixo desempenho dos alunos das escolas públicas em exames padronizados é a qualidade das aulas. Um período maior de planejamento não será a solução mágica para o problema, mas pode ao menos mitigar essa deficiência.
Os resultados ainda são, mesmo sob uma ótica benevolente, medíocres: a média da rede estadual paulista no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), ao final do ensino médio, foi de apenas 3,6 em 2009 -pouco acima da nota nacional, 3,4.
A presidente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede oficial), Maria Izabel Noronha, já prometeu "enfrentamento", até que o governo estadual reverta o desmembramento das férias.
A medida vem após uma série de decisões favoráveis aos professores. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) concedeu um reajuste de 42,2% à categoria, escalonado ao longo de quatro anos. A proposta acaba de ser aprovada pela Assembleia Legislativa.
O governo também alterou a regra de promoção por mérito instituída pelo também tucano José Serra. Antes, só os 20% mais bem avaliados recebiam aumento. Agora, serão todos os que atingirem as notas estipuladas pela Secretaria da Educação.
Mesmo o projeto que divide as férias contém benefícios. O recesso (período em que o docente fica à disposição da escola, ainda que sem dar aulas), antes restrito a dez dias em julho, foi ampliado e passou a incluir outros dez em dezembro. Na prática, os 200 mil professores da rede paulista poderão descansar até 50 dias ao ano, muito mais que em outras profissões.
Tudo somado, houve inegável valorização do papel dos professores na recuperação do ensino. Resultados virão na forma de melhora no desempenho dos alunos.


SEGUE ABAIXO A RESPOSTA ENCAMINHADA AO GOVERNO DO ESTADO http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=215495&c=6#boxComentarios  E A FOLHA DE SÃO PAULO editoriais@uol.com.br

Me desculpem!
Que de desculpe aquele que acha que o planejamento vai ser melhor com esse calendário, pois "datas" não são compatíveis com "capacidade". Entretanto, cabe dizer que particularmente aprovei o calendário (para fins estruturais; - acabaram-se as aulas fantasmas).
Que me desculpe a Sra. Maria Izabel, mas acho que ela deveria estar mais preocupada com outras coisas mais pertinentes a escola e a profissionalização do professor.
Que me desculpe aquele que teve a brilhante ideia de dar 42,2% a categoria EM QUATRO ANOS. Quando o aumento estiver completo, já estaremos defasados novamente.
Que me desculpe quem escreveu o texto acima, pois, dizer que a deficiência do planejamento vai ser miticada, dizer que o professor tem 50 dias de folga, e acha bastante (diferentemente de um Deputado ou Senador), dizer que houve valorização do professor e que haverá bons resultados, significa que o articulista, assim como o Sr. Secretário, a Sra. Presidente do sindicato e o Sr. Governador não andam frequentando a escola pública.

domingo, 3 de julho de 2011

O que você não leu na mídia sobre Paulo Renato (1945-2011)

Morreu de infarto, no último dia 25, aos 65 anos, Paulo Renato Souza, fundador do PSDB. Paulo Renato foi Ministro da Educação no governo FHC, Deputado Federal pelo PSDB paulista, Secretário da Educação de São Paulo no governo José Serra e lobista de grupos privados. Exerceu outras atividades menos noticiadas pela mídia brasileira.

Nas hagiografias de Paulo Renato publicadas nos últimos dois dias, faltaram alguns detalhes. A Folha de São Paulo escalou Eliane Cantanhêde para dizer que Paulo Renato deixou um “legado e tanto” como Ministro da Educação. Esqueceu-se de dizer que esse “legado” incluiu o maior êxodo de pesquisadores da história do Brasil, nem uma única universidade ou escola técnica federal criada, nem um único aumento salarial para professores, congelamento do valor e redução do número de bolsas de pesquisa, uma onda de massivas aposentadorias precoces (causadas por medidas que retiravam direitos adquiridos dos docentes), a proliferação do “professor substituto” com salário de R$400,00 e um sucateamento que impôs às universidades federais penúria que lhes impedia até mesmo de pagar contas de luz. No blog de Cynthia Semíramis, é possível ler depoimentos às dezenas sobre o que era a universidade brasileira nos anos 90.
Ainda na Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein lamentou que o tucanato não tenha seguido a sugestão de Paulo Renato Souza de “lançar uma campanha publicitária falando dos programas de complementação de renda”. Dimenstein pareceu desconsolado com o fato de que “o PSDB perdeu a chance de garantir uma marca social”, atribuindo essa ausência a uma mera falha na campanha publicitária. O leitor talvez possa compreender melhor o lamento de Dimenstein ao saber que a sua Associação Cidade Escola Aprendiz recebeu de São Paulo a bagatela de três milhões, setecentos e vinte e cinco mil, duzentos e vinte e dois reais e setenta e quatro centavos, só no período 2006-2008.
Não surpreende que a Folha seja tão generosa com Paulo Renato. Gentileza gera gentileza, como dizemos na internet. A diferença é que a gentileza de Paulo Renato com o Grupo Folha foi sempre feita com dinheiro público. Numa canetada sem licitação, no dia 08 de junho de 2010, a FDE da Secretaria de Educação de São Paulo transfere para os cofres da Empresa Folha da Manhã S.A. a bagatela de R$ 2.581.280,00, referentes a assinaturas da Folha para escolas paulistas. Quatro anos antes, em 2006, a empresa Folha da Manhã havia doado a curiosa quantia–nas imortais palavras do Senhor Cloaca–de R$ 42.354,30 à campanha eleitoral de Paulo Renato. Foi a única doação feita pelo grupo Folha naquela eleição. Gentileza gera gentileza.
Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor do Grupo Folha. Os grupos Abril, Estado e Globo também receberam seus quinhões, sempre com dinheiro público. Numa única canetada do dia 28 de maio de 2010, a empresa S/A Estado de São Paulo recebeu dos cofres públicos paulistas–sempre sem licitação, claro, porque “sigilo” no fiofó dos outros é refresco–a módica quantia de R$ 2.568.800,00, referente a assinaturas do Estadão para escolas paulistas. No dia 11 de junho de 2010, a Editora Globo S.A. recebe sua parte no bolo, R$ 1.202.968,00, destinadas a pagar assinaturas da Revista Época. No caso do grupo Abril, a matemática é mais complicada. São 5.200 assinaturas da Revista Veja no dia 29 de maio de 2010, totalizando a módica quantia de R$1.202.968,00, logo depois acrescida, no dia 02 de abril, da bagatela de R$ 3.177.400, 00, por Guias do Estudante – Atualidades, material de preparação para o Vestibular de qualidade, digamos, duvidosíssima. O caso de amor entre Paulo Renato e o Grupo de Civita é uma longa história. De 2004 a 2010, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo transfere dos cofres públicos para a mídia pelo menos duzentos e cinquenta milhões de reais, boa parte depois da entrada de Paulo Renato na Secretaria de Educação.
Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grandes grupos de mídia brasileiros. Ele também atuou diligentemente em favor de grupos estrangeiros, muito especialmente a Fundação Santillana, pertencente ao Grupo Prisa, dono do jornal espanhol El País. Trata-se de um jornal que, como sabemos, está disponível para leitura na internet. Isso não impediu que a Secretaria de Educação de São Paulo, sob Paulo Renato, no dia 28 de abril de 2010, transferisse mais dinheiro dos cofres públicos para o Grupo Prisa, referente a assinaturas do El País. O fato já seria curioso por si só, tratando-se de um jornal disponível gratuitamente na internet. Fica mais curioso ainda quando constatamos que o responsável pela compra, Paulo Renato, era Conselheiro Consultivo da própria Fundação Santillana! E as coincidências não param aí. Além de lobista da Santillana, Paulo Renato trabalhou, através de seu escritório PRS Consultores – cujo site misteriosamente desapareceu da internet depois de revelações dos blogs NaMaria News e Cloaca News–, prestando serviços ao … Grupo Santillana!, inclusive com curiosíssima vizinhança, no mesmo prédio. De fato, gentileza gera gentileza. E coincidência gera coincidência: ao mesmo tempo em que El País “denunciava”, junto com grupos de mídia brasileiros, supostos “erros” ou “doutrinações” nos livros didáticos da sua concorrente Geração Editorial, uma das poucas ainda em mãos do capital nacional, Paulo Renato repetia as “denúncias” no Congresso. O fato de a Santillana controlar a Editora Moderna e Paulo Renato ser consultor pago pelo Grupo Santillana deve ter sido, evidentemente, uma mera coincidência.
Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grupos de mídia, brasileiros e estrangeiros. O ex-Ministro também teve destacada atuação na defesa dos interesses de cursinhos pré-vestibular, conglomerados editoriais e empresas de software. Como noticiado na época pelo Cloaca News, no mesmo dia em que a FDE e a Secretaria de Educação de São Paulo dispensaram de licitação uma compra de mais R$10 milhões da InfoEducacional, mais uma inexigibilidade licitatória era anunciada, para comprar … o mesmíssimo produto!, no caso o software “Tell me more pro”, do Colégio Bandeirantes, cujas doações em dinheiro irrigaram, em 2006, a campanha para Deputado Federal do candidato … Paulo Renato! Tudo isso para não falar, claro, do parque temático de $100 milhões de reais da Microsoft em São Paulo, feito sob os auspícios de Paulo Renato, ou a compra sem licitação, pelo Ministério da Educação de Paulo Renato, em 2001, de 233.000 cópias do sistema operacional Windows. Um dos advogados da Microsoft no Brasil era Marco Antonio Costa Souza, irmão de … Paulo Renato! A tramóia foi tão cabeluda que até a Abril noticiou.
Pelo menos uma vez, portanto, a Revista Fórum terá que concordar com Eliane Cantanhêde. Foi um “legado e tanto”. Que o digam os grupos Folha, Abril, Santillana, Globo, Estado e Microsoft.

Entrevista na Terça Feira 05/07/2011

Olá gente.
Esta terça feira 05/07/2011 estarei no programa "CONSCIÊNCIA PRÓSPERA" da TV Biosegredo www.biosegredotv.com.br para falar sobre Educação Ambiental.

Acompanhe-nos.


O programa vai ao ar, ao vivo das 21:00 as 22h.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Anhanguera compra faculdade em Guarulhos por R$ 39 milhões

SÃO PAULO - A Anhanguera Educacional informou hoje que adquiriu a Associação de Ensino Superior Elite, mantenedora das Faculdades Integradas Torricelli, por R$ 39 milhões. A instituição de ensino superior possui 6,48 mil alunos matriculados em seu campus, localizado em Guarulhos.




Esta é a segunda operação de compra anunciada só neste mês. No início de abril, a companhia adicionou ao seu portfólio mais duas instituições de ensino superior, com a compra da Faculdade Anchieta e da Faculdade de Tecnologia Anchieta, localizadas na cidade de São Bernardo do Campo.



(Ana Luísa Westphalen Valor)

A Anhanguera Educacional Participações S.A. ("Companhia"), em cumprimento ao previsto no artigo 157, §4º, da Lei nº 6.404/76 e ao disposto na Instrução CVM nº 358/02, comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral que, em 28 de abril de 2011, adquiriu, por meio de sua subsidiária Anhanguera Educacional Ltda.


("Anhanguera Ltda."), a totalidade do capital social da Associação de Ensino Superior Elite Ltda. ("AESE"), sociedade mantenedora da instituição de ensino superior denominada Faculdades Integradas Torricelli - FIT ("FIT").

O valor da aquisição totaliza R$38.998.576,13 (trinta e oito milhões, novecentos e noventa e oito mil, quinhentos e setenta e seis reais e treze centavos), sendo: (i) R$22.485.685,00 (vinte e dois milhões, quatrocentos e oitenta e cinco mil, seiscentos e oitenta e cinco reais) por 100% das quotas da AESE dividido em um pagamento à vista de 50% desse valor, e dois pagamentos a prazo, em até dois anos, dos outros 50% restantes; e (ii) R$16.512.891,13 (dezesseis milhões, quinhentos e doze mil, oitocentos e noventa e um reais e treze centavos) de endividamento líquido da AESE nesta data.

A AESE possui 6.480 alunos matriculados em ensino superior em seu campus, localizado na Cidade de Guarulhos, Estado de São Paulo.

A aquisição representa o fortalecimento da presença da Companhia na Região Metropolitana de São Paulo, em linha com sua estratégia de expansão nacional.

Tendo em vista que o valor do patrimônio líquido contábil da Companhia era, em 31 de dezembro de 2010, de R$2.004.760 mil (dois bilhões, quatro milhões e setecentos e sessenta mil reais), a aquisição da AESE não constitui investimento relevante para a Companhia, nos termos do inciso I do Artigo 256 da Lei nº 6.404/76. No entanto, esclarecemos que a análise da aplicação do inciso II do Artigo 256 da Lei nº 6.404/76 depende de elaboração de laudos de avaliação ainda não concluídos.

Assim, os acionistas da Companhia serão oportunamente informados caso houver necessidade de deliberação da Assembleia Geral para aprovar a aquisição da AESE, bem como sobre a possibilidade de exercício de recesso pelos acionistas dissidentes e condições para o seu exercício, em atendimento ao disposto no artigo 256, da Lei n.º 6.404/76.



http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/valor/2011/04/29/anhanguera-compra-faculdade-em-guarulhos-por-r-39-milhoes.jhtm

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Projeto estende reajuste de senadores aos professores

Cristovam Buarque e Pedro Simon apresentam proposta que concede os mesmos 61,78% de aumento salarial dos congressistas ao piso salarial na educação básica


O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu, na sexta-feira, que os professores tenham o mesmo reajuste de salário que tiveram os parlamentares (61,78% a partir de fevereiro, além das vantagens).


Se fosse aplicado o aumento de 61,78% dado aos parlamentares, aprovado na quarta-feira nas duas Casas do Congresso, o piso salarial dos professores passaria de R$ 1.024,00 para R$ 1.656,62.
Para o senador, o momento não era oportuno para aprovar tal aumento, uma vez que o Congresso ainda sofre falta de credibilidade devido às crises enfrentadas nos últimos anos.
— Estamos com tanta força e credibilidade a ponto de darmos um aumento desse tamanho? E aí a minha resposta: não era o momento oportuno — disse Cristovam.
Para o senador, o aumento do salário dos professores poderia dar legitimidade ao aumento dos parlamentares.
— Eu creio que isso [o reajuste dos professores] seria o mínimo que nós poderíamos fazer para mostrar ao Brasil inteiro que nós não estamos pensando somente no nosso salário, mas estamos pensando também no salário dos outros, em educação e nas crianças.
Proposta
Cristovam Buarque e Pedro Simon (PMDB-RS) apresentaram na quinta-feira um projeto de lei estendendo o mesmo percentual concedido aos membros do Congresso Nacional aos professores da educação básica das escolas públicas.
Para Cristovam, a desigualdade salarial entre os parlamentares — que pelo projeto aprovado passarão a receber R$ 26,7 mil — e os professores é substancial, talvez a maior em todo o mundo, com consequências desastrosas para o futuro do Brasil.
Na opinião do senador, a aprovação do reajuste de 61,78% para os professores da educação básica permitirá que o Senado dê uma demonstração mínima de compromisso com a melhoria da qualidade da educação das crianças brasileiras, o que contribuirá, segundo o parlamentar, para melhorar a credibilidade da Casa frente à opinião pública.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

MATAR AULA É CRIME?


A respeito das reportagens divulgadas abaixo sobre o “Toque de recolher” nas escolas de Fernandópolis-SP, entendo que tal medida seja, em última análise, desesperada. Como se pode constatar nos vídeos, são diversos os relatos de que a família não impõem limites aos seus filhos permitindo-lhes “matar aula” para ficar em lan house, ou sabe-se aonde.

O que observo é que há tempos a família deixou de ser referência principal na constituição do caráter ético do ser. A deturpação dos valores de sociedade modificaram-se mediante as novas culturas que se impõem.

Também é fato que, cá entre nós, a escola não é o lugar mais agradável (na visão do adolescente) e que, como já se sabe, poucos identificam na escola um lugar para aprender e prosperar na vida.

O debate acerca deste tema é de profunda importância diante da complexidade dos fatores que podem levar a criança preferir “passear” em detrimento de assistir aula. É fato que, também, desconheço alguém que nunca tenha matado aula (seja na escola básica ou superior) por ter algo mais interessante para fazer ou “por não estar afim”. Inclusive deste que está escrevendo!

Entretanto, o que se observa é que existe uma demasiada quantidade de ausências de alunos nas escolas, sendo, inclusive, coniventes com seus pais. O prejuízo que pode ser gerado no futuro é incalculável.

A rotina de se matar aulas pode trazer consequências tanto para a criança, quanto para seus pais e para escola, e, consequentemente ao Estado. Abaixo cito algumas leis que podem ajudar a discutir essa questão juntamente com mais alguns comentários.


Constituição da República Federativa do Brasil - 1988
Art. 5º II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

Ou seja, se é obrigação da criança estar na escola em horário de aula!

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Considerando que a educação é DEVER do Estado e da família, em colaboração com a sociedade, aqueles que estão “fugindo” da escola devem, sim, ser realocados para o lugar onde DEVEM estar.

LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

Art.4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Novamente a legislação chama a atenção para o DEVER DA FAMÍLIA, DA COMUNIDADE E DA SOCIEDADE, ASSIM COMO DO PODER PÚBLICO para zelar pela efetivação dos direitos da criança. Assim, entendo que, inclusive os donos das lan houses são responsáveis por essa situação.

Art.5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

Saber que a criança ou adolescente está “matando” aula e não fazer nada é negligência? Se a escola não denuncia este fato ela não está sendo negligente e omissa?

Art. 70. É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente.

Novamente, é dever de TODOS prevenir a violação dos direitos da criança. Entendo que esse direito de estar na escola é uma obrigação.

LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996.
LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL

Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e, ainda, o Ministério Público, acionar o Poder Público para exigi-lo.

§ 1º Compete aos Estados e aos Municípios, em regime de colaboração, e com a assistência da União:
II - fazer-lhes a chamada pública;
III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola.

Este último já diz tudo e repete o que está acima. É OBRIGAÇÃO ZELAR PELA FREQUÊNCIA À ESCOLA.

Só para constar, Toque de recolher é a proibição, decretada por um governo ou autoridade, de que pessoas permaneçam nas ruas após uma determinada hora. Então, conforme está sendo divulgado pela mídia, concluo entendendo que o não toque de recolher, mas sim, recondicionamento social, em que a criança ou adolescente, está no lugar errado na hora errada.

Uma vez que a família não consegue exercer seu pátrio poder sobre seus filhos, cabe ao Estado fazer com que se cumpram as leis. Portanto, a cidade de Fernandópolis está servindo de exemplo para o resto do país

Por questões de direitos autorais, a Rede Globo de televisão não permite baixar seus vídeos, porém, os mesmos estão disponíveis eim:

BOM DIA SÃO PAULO Quinta-feira, 29/07/2010
JORNAL HOJEQuinta-feira 12/10/2010
Aluno que mata aula vira assunto de polícia no interior de São Paulo
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