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sábado, 7 de fevereiro de 2015

A HISTÓRIA SOBRE O SALÁRIO DO PROFESSOR


A HISTÓRIA SOBRE O SALÁRIO DO PROFESSOR



A primeira referência que se tem noticia sobre o assunto vem do “subsídio literário”








O texto conduzido pelo Prof. Pedro Félix, apresenta uma breve história sobre o salário do professor. Ainda que eu discorde do autor quando coloca o "policial" como alguém que possui "regalias" e alto salário, o texto é bem conduzido e dá uma ideia geral sobre o assunto. Também ressalto a ausência, no texto, dos nobres "representantes da nação" dos poderes executivo e legislativo que recebem muito pelo que fazem.

O importante desse texto é trazer realmente a história do salário do professor. Diante de uma época em que não haviam professores remunerados, nem recursos para se pagar pelo seu trabalho, entretanto, ressalto que mesmo naquela época, até os dias de hoje, o salário está muito aquém do que realmente deveria ganhar um professor.

Boa leitura para todos.
Ivan Claudio Guedes


Jornal do Brasil: Quinta-feira 18 de Março de 1937, página 9.
Jornal do Brasil: Quinta-feira 18 de Março de 1937, página 9.


Todo mês ao completar 30 dias em média, o trabalhador recebe um percentual em papel moeda, geralmente depositado em sua conta bancária. A princípio, o valor corresponde a sua força de trabalho em seu correspondente emprego.

O termo salário tem origem no império romano, onde os soldados recebiam uma porção de sal, uma raridade na época e que se podia trocar com outras coisas, como comida, vestimenta, transporte, etc.

Todo salário hipoteticamente está ligado à força de trabalho desenvolvido por essa ou aquela categoria, e proporcionalmente pelo valor da riqueza produzida. Outro fator determinante do valor salarial é a quantidade de profissionais existentes no mercado.

Um fiscal tributário recebe X de salário por que tem no seu trabalho um ganho muito grande para a União, Estado ou Município.

O médico por ter a vida e a morte em suas mãos cobra valores extraordinários, se comparado à maioria da população, que não chega a ganhar mais que mil reais mensais.

O delegado, promotor, juiz e policiais de modo geral, têm regalias cada vez maiores, diante de uma sociedade violenta e cada vez mais seus salários, benefícios diretos e indiretos sobem igual a foguete, tudo em nome da segurança da sociedade.

E nós professores quanto ganhamos? Qual a origem do nosso salário?
A primeira referência que se tem noticia de salários para professores no Brasil vem do “subsídio literário”, criado pelo alvará de 10 de novembro de 1772.

Nome chique não? Historiando esse termo, ele foi criado a partir da Reforma Pombalina de 1759, quando da expulsão dos jesuítas do Brasil e de todo reino português.

Esta ordem religiosa cuidava da educação dos “curumins” abrasileirados e era uma educação essencialmente religiosa.

A expulsão dos jesuítas trouxe a educação laica, administrada pelo Estado Português. O ensino compreendia os Estudos Maiores (universidade) e os Estudos Menores (cadeiras das Humanidades e Cadeiras das primeiras letras). No Brasil o ensino na prática ficou apenas na instrução das primeiras letras.

O Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo dentro do projeto iluminista do rei filósofo D. Jose I, reorganizou a educação no reino português, e, portanto, também no Brasil sob o controle estatal, ou aulas Régias.

Dois problemas advieram daí. O primeiro era onde buscar mestres, não religiosos para tampar a lacuna dos jesuítas. O outro problema era de ordem financeira. De onde viria o dinheiro para pagar estes profissionais?

Resolveram as autoridades criar um imposto sobre a produção da aguardente, do vinho e do vinagre. No ultramar, ou seja, nas colônias o imposto seria cobrado da aguardente e da carne.

Serviria esse imposto para pagar os salários dos professores. O que vem logo na mente é pensar em qual seria o valor pago ao professor na época? A arrecadação era muito alta? Quem se habilitava a ser mestre na época? A arrecadação era suficiente para o pagamento das despesas?

A realidade nua e crua ditou a nossa sina desde então. A arrecadação era em parte subtraída e mandada para Portugal para financiar a instrução de filhos da nobreza portuguesa.

Havia também a sonegação por parte dos produtores coloniais. A educação era para pouquíssimas pessoas e o professor aqui recebia por quartel, ou seja, a cada três meses.

O subsídio literário foi cobrado até 1831, quando a Educação passou a ser incluída em um planejamento administrativo e no orçamento público. Durou o subsídio literário todo o primeiro reinado, do governo de D. Pedro I.


PEDRO FÉLIX é professor de História em Cuiabá.
Publicado originalmente pela Revista Biografia:

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A história de Guarulhos não é preservada.

Extraído de: http://santiago-guarulhos.blogspot.com.br/2012/02/pontos-histoticos-de-guarulhos.html


Marco do pioneirismo industrial em Guarulhos foi demolido.hospedagem de sites



Casa Saraceni, o prédio foi demolido. Um dos marco da primeira industrialização do município foi derrubado pela vontade dos proprietários da Shopping Internacional. História da Casa No final do século XIX,  José Saraceni imigra da Itália junto como muitos outros conterrâneos, o destino escolhido por Saraceni: o Brasil.  Saraceni se instala em São Paulo, um de seus primeiros trabalhos consistia na fabricação de artigos de couro, consta que sua primeira fabriqueta se  localizava na Avenida Tiradentes, em São Paulo, ao lado do batalhão Tobias de Aguiar. Em fins da década de 1910, Saraceni adquiri da Família Ferreira Endres, uma chácara à beira do caminho entre a Penha e Guarulhos e a bela casa em estilo art nouveau. Inicia a construção da casa com pretensão de a família transferir  suas atividades para esse belo local. Instala-se então uma das primeiras famílias fábricas de Guarulhos.hospedagem de sites




Saraceni instala a fábrica de polainas, sandálias e artigos de couro, que se constituiu como pioneira no Município. Inicialmente funcionando no porão, passaria a um prédio próprio dentro da própria chácara, ao longo tempo constroem-se novas edificações, casas de operários e até mesmo uma escola para os filhos dos trabalhadores da fábrica. As vilas operárias baseavam-se em uma proposta de integração da organização à sociedade e que resultou em estreitamento das relações sociais estabelecidos no início do processo de industrialização do Brasil – final do século XIX e princípio do século XX – ocorreu através da criação das Vilas Operárias, aglomerados urbanos que se compunham basicamente das famílias dos operários e que se situavam no entorno das empresas (SILVA, 2004). “… tendo ao lado, a vila de onze casas modestas, mas confortáveis, que construiu para residência dos operários e suas famílias, sem cobrança de aluguel, com fornecimento gratuito de luz, água, leite, frutas e verduras. Construiu, inclusive, uma escolinha com duas classes, posteriormente entregues ao Município  (…)”. A Chácara Saraceni foi vendida em 1973 à Olivetti e parte das casas dos operários foram demolidas, desse período, permanecendo no local a residência e um grande quintal da Família Saraceni, , sabiamente preservada por essa instituição particular. Demandas históricas, sociais, culturais e arquitetônicas influenciam o tombamento pelo Município, através doa lei orgânica no seu inciso XI do seu artigo 28 e promulgado em 05 de abril de 1990.   Em 2000 após uma tentativa de demolição por parte de seus novos proprietários (o grupo Internacional), o poder público municipal através do Decreto 21.143/00, ratifica o tombamento. Decreto 21.143/00, após uma tentativa de demolição por parte de seus novos proprietários. hospedagem de sites


A lei abaixo é de 1936 onde o Estado adiquire o imóvel por doação.
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LEI N.2.724, DE 18 DE NOVEMBRO DE 1936 
A ASSEMBLE'A LEGISLATIVA DO ESTADO decreta e eu promulgo, a seguinte lei:

Artigo 1.º - Fica o Poder Executivo autorizado a adquirir, por doação de José Saraceni, um terreno situado no bairro do Itapegica, municipio de Guarulhos, destinado á construcção de um edificio para o grupo escolar.
Artigo 2.° - Esta lei entrará em vigôr na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrario.
Palacio do Governo do Estado do São Paulo, aos 18 de novembro de 1936.
ARMANDO DE SALLES OLIVEIRA
Cantidio de Moura Campos.
Syvio Portugal
Publicada na Secretaria de Estado da Educação e Sande Publica, aos 18 de novembro de 1930.
A. Meirelles Reis Filho
Director Geral


A lei abaixo é de 2006 onde o estado revoga a lei.hospedagem de sites

ALESP - Secretaria Geral Parlamentar 
Lei n° 12.246, de 27/01/2006
Versão para impressão
Ementa
Revoga as leis que especifica, relativas ao período compreendido entre os anos de 1935 e 1936
Projeto - AutorPromulgação
PL 838/2005 - Cândido Vaccarezza, Analice Fernandes, Baleia Rossi, Donisete Braga, Giba Marson, Milton Vieira, Roberto Morais, Vinícius Camarinha, Ana Martins, Antonio Salim Curiati, Arnaldo Jardim, Edmir Chedid, Edson Aparecido, Jonas Donizette, José Dilson, Renato Simões, Ricardo Castilho, Romeu Tuma, Souza Santos, Waldir AgnelloExecutivo
FonteRepublicação
DOE-I 28/01/2006, p. 7/8-
Situação Atual
Sem revogação expressa
Indexadores
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO - ALESP / LEGISLAÇÃO E NORMAS / LEIS / REVOGAÇÃO / CONSOLIDAÇÃO
Tema
Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo - ALESP



Inicio da madrugada do dia 5 de novembro de 2010, para algumas pessoas, era o fim de mais uma sessão de cinema no Internacional Shopping Guarulhos e para outras, o fim do Casarão Saraceni que se localizava dentro de um dos estacionamentos deste estabelecimento. Em poucas horas, na calada da noite,  a única casa que preservava características em art nouveau da cidade de Guarulhos virou um amontoado de entulho, atropelando a história.hospedagem de sites

A última foto do Casarão Saraceni - Clique para ampliar 

TRAJETÓRIA: 

Em 1919 Guiseppe Saraceni e família chegaram a Guarulhos e se instalaram no bairro de Itapegica, próximo a Avenida Guarulhos, caminho para o bairro da Penha. No porão deste casarão, funcionou a primeira indústria de sapatos e artefatos de couro de Guarulhos que fornecia para o Segundo Batalhão de Guardas de São Paulo que ficava localizado no centro da capital paulista. Os Saracenis eram considerados por muitos historiadores, como os percussores da industrialização na cidade. Isso, sem contar que o casarão serviu como campo de refúgio durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Guiseppe Saraceni foi prefeito da cidade no ano de 1936 e portador da primeira carteira de motorista de Guarulhos.hospedagem de sites



A família Saraceni reunida diante do casarão no natal de 1951 (clique para ampliar). Em 1959 a fábrica de máquinas de escrever Olivetti adquiriu o imóvel em conjunto com um grande terreno ao lado. Construída a empresa, o casarão passou a ser a administração deste novo empreendimento. Na década de 1990, esta unidade da empresa Olivetti fechou e alguns anos depois foi comprada pelo empresário Antônio Veronezi que posteriormente transformou o local em um shopping center.hospedagem de sites


Croqui da fachada feito para a construção do imóvel no início do século XX O Casarão Saraceni que ficava em meio às árvores frutíferas acabou ilhado ao meio do estacionamento do shopping. Tombado pelo Conselho de Patrimônio Histórico de Guarulhos em 2000, o casarão que ultimamente não estava sendo utilizado, estava em boas condições de conservação e preservação. Em 2009, o vereador Geraldo Celestino (PSDB) entrou com um pedido de destombamento do imóvel alegando que o patrimônio não possuía nenhum vínculo histórico e arquitetônico. O destombamento foi aprovado pela Câmara de Vereadores e precisava da autorização do Conselho de Patrimônio Histórico. O mais aterrorizante é que o destombamento foi aprovado pelo Conselho do Patrimônio Histórico tendo como base um parecer técnico de Carlos Augusto Mattei Faggin, professor titular da FAU–USP e conselheiro do CONDEPHAAT. Neste parecer, Faggin afirma que “nada justifica a permanência desta obra. Podemos ficar sem o Casarão que não chega a ser relevante e nada tem de interessante”. 

Esta frase soou como uma sentença de morte. A casa poderia ser demolida a qualquer momento, e foi o que aconteceu. Quatro dias após as eleições, a casa veio abaixo e em menos de dois dias já não havia nem mesmo resquício de entulho no local.hospedagem de sites


A escavadeira em ação, com o entulho do antigo casarão (clique para ampliar). Estivemos no local no dia da derradeira demolição e flagramos os últimos suspiros de uma memória agonizante. 
Veja abaixo fotos do imóvel antes e depois da demolição tiradas na mesma posição:hospedagem de sites






Antes: Vista superior do imóvelhospedagem de sites 
Depois: Vista superior do terrenohospedagem de sites

 Antes: Vista lateral a partir da calçadahospedagem de sites
 Depois: Vista lateral da mesma calçada, uma semana depois.hospedagem de sites
Confira outras fotos do casarão hospedagem de sites

 

Fonte- www.saopauloantiga.com.brhospedagem de sites
Texto extraído de: http://santiago-guarulhos.blogspot.com.br/2012/02/pontos-histoticos-de-guarulhos.html

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