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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

SÍNDROME DA AMNÉSIA PEDAGÓGICA

SÍNDROME DA AMNÉSIA PEDAGÓGICA


Você já reparou quantas visões diferentes há sobre uma mesma escola? Já parou para analisar a opinião dos seus colegas sobre seu próprio trabalho? Já trocou ideias com outros trabalhadores da educação para ver quantas opiniões diversas há sobre o trabalho docente? Há algum tempo temos percebido as diferentes visões que pairam sobre o sistema educacional. Para didatizar vamos englobar os grupos, mesmo sabendo que não é correto fazê-lo, pois sempre há uma exceção à regra.

Síndrome da amnesia pedagógica


O primeiro grupo é dos professores. Esse grupo constitui o corpo docente, professores egressos das faculdades e universidades e que tomaram nota de uma vasta literatura tanto na sua área de formação específica (no caso dos professores especialistas) quanto pedagógica (no caso dos pedagogos). Passaram de 3 a 4 anos lendo e relendo teorias e conceitos. Fizeram planos de aula, técnicas de ensino e estudo de metodologias, mas ao chegar à escola fizeram uso do livro didático e do currículo escolar tal qual uma bíblia ou uma camisa de força. Limitaram-se a entrar em sala de aula, passar o texto na lousa (ainda que os alunos tenham livros) e mandar os alunos responderem questões. Em seguida, aplicam a prova (quando o fazem) e partem para o capítulo seguinte. Seu posicionamento com a direção é sempre crítico. Acham defeito em tudo: classificam a gestão escolar como incompetente, omissa, preguiçosa e enrolona, cumpridora cega de ordens do governo e por aí vai.

O segundo grupo é da gestão escolar. Esta dividida entre vice-direção e direção, coordenação pedagógica e supervisão escolar (englobando aqui todo o núcleo da diretoria de ensino, secretaria de ensino ou delegacias de ensino – dependendo da região). Este grupo tem a incumbência de organizar e administrar a escola, desde o projeto pedagógico, as finanças, prestação de contas, logística, fluxo de alunos e execução do projeto pedagógico. De formação igual ao do professor em sala de aula esses profissionais tendem a classificar o professor como enrrolão, preguiçoso, sem liderança, incompetente na sua função, sem postura e por aí vão os adjetivos negativos. Obviamente que a percepção daqueles que estão nas secretarias de ensino (ou diretorias regionais de ensino) é semelhante àqueles que estão na direção da escola e/ou na coordenação pedagógica, e o sentimento destes em relação àqueles também é mútuo.

Mas enfim, o que acontece para que exista esse jogo de empurra-empurra? Essa terceirização da responsabilidade do trabalho? Para melhor analisar este momento vamos lançar uso de um novo conceito que denominamos como a “Síndrome da Amnésia Pedagógica” (SAP). Esse conceito, até então desconhecido expressa o esquecimento de uma função, fazendo o profissional rapidamente cair no trabalho via senso comum, projetando nos outros os problemas causados pela sua função. Não obstante, esse ainda passa a trabalhar como um mero reprodutor do sistema cumprindo “sua função”.

No caso dos professores, esses se limitam a transcrever aquilo que os manuais indicam. Esquecem-se das metodologias, não conhecem (ou esqueceram) as tendências pedagógicas, os estudos filosóficos, sociológicos e psicológicos sobre a educação e/ou a História da educação.

No caso do segundo grupo, seu trabalho limita-se a tocar papel, preencher relatórios, responder estatísticas, gerar papel e papel, bater carimbos e fazer assinaturas em mais papeis.

Ao que tudo indica, quando o sujeito troca de função, tem-se a impressão de que este troca “de caverna” (fazendo alusão ao mito da caverna de Platão). Em pouco tempo de trabalho na nova função ele esquece o que aprendeu (ou deveria ter aprendido) na faculdade e limita-se ao descrito acima (reproduzir “o sistema”) e criticar os outros. Já o caso do segundo grupo é mais sério, pois os mesmos passaram por um bom tempo pela experiência da sala de aula e ao sair dela são acometidos da SAP onde passam a enxergar tudo com bons olhos e terceirizar o problema da educação, principalmente, aos professores.

Queremos chamar a atenção dos leitores para esse fato, que é de certa forma corriqueiro no meio escolar. Demos o nome de SAP ao esquecimento, momentâneo ou não, daquilo que já se fez ou professou em sala de aula quando da ida para uma função na gestão escolar, ou da volta à sala de aula. É interessante, pois o profissional nessa situação não percebe-se dessa forma e, com certeza, nos diria que estamos “viajando na maionese”. O curioso dessa situação é que todos independentes da função que exerçam na escola, deveriam remar para um mesmo sentido, de maneira que o resultado fosse aparente. O que vemos na realidade é que são diversos remadores, mas que o barco fica virando em volta, pois uns remam num sentido e outros noutro sentido. Isto porque, no nosso modo de ver, todos estão imersos no que chamamos de senso comum, sem a coragem de realizar algo novo, diferente. E qual é o senso comum nesse caso? É que a culpa sempre é dos outros e não nossa. É a terceirização da responsabilidade. Não podemos e, principalmente, não devemos esquecer que toda moeda tem dois lados e não são iguais. Se conseguirmos transcender nossos problemas pessoais e nos percebermos como um grupo, cujo interesse é a qualidade do ensino, evidentemente o barco irá andar num sentido apenas. Rumo ao sucesso.

É importante dizer que o jogo de empurra-empurra não vai levar ninguém a lugar algum, e que, se realmente quiser uma educação de qualidade o professor (independentemente da função que ocupa) deverá continuar estudando. Precisará sair do senso comum, da sua zona de conforto, mas se mesmo assim a SAP não for curada, recomendaremos sair da profissão e deixar para realmente quem está trabalhando com seriedade.

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo. Especialista em Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
Articulista e palestrante.
icguedes@ig.com.br

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química.
Pós-Graduado em Química.

decamargo.omar@gmail.com

Para referenciar este artigo:

GUEDES, I. C.; CAMARGO, O. Síndrome da Amnésia Pedagógica. Gazeta Valeparaibana. Ed. 69. Ano IV. Disponível em: http://www.gazetavaleparaibana.com/069.pdf Ago, 2013, p.09.   

quarta-feira, 31 de julho de 2013

PLANEJAMENTO ESCOLAR

PLANEJAMENTO ESCOLAR

Todo semestre as redes de ensino praticam o planejamento ou o planejamento escolar.
Para uns é um momento de estudo, discussão e troca de ideias. Para outros é uma completa perca de tempo.

Pois bem, espero que este vídeo do Programa E Agora José? possa de alguma forma contribuir com os futuros planejamentos ou replanejamentos.



Prof. Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
Guarulhos-SP

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

PLANEJAR É PRECISO, EXECUTAR TAMBÉM!

PLANEJAR É PRECISO, EXECUTAR TAMBÉM!

O planejamento escolar é tido como uma tarefa burocrática e repetitiva, mas se levado a sério, pode realmente nortear o trabalho do professor.


Omar de Camargo
Ivan Claudio Guedes

“O planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos da sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos, quanto a sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino. O planejamento é um meio para se programar as ações docentes, mas é também um momento de pesquisa e reflexão intimamente ligado à avaliação” (LIBÂNEO, 1994. p. 221).

            O planejamento é o ato de prever ações para determinadas situações com a finalidade de atingir-se um objetivo. No caso das escolas, planejar é conceber ideias de como atingir o objetivo geral de uma escola, ou seja, de como ensinar. Como aplicar metodologias de ensino que façam o aluno despertar para o interesse de aprender. Isto não é nada fácil, pois requer do professor conhecimentos que, às vezes, a faculdade não lhe oferece.

            Há que se buscar o equilíbrio entre os meios e fins, recursos e objetivos. Sempre com vistas ao melhor funcionamento de uma empresa, no nosso caso da escola. Planejar é ainda um processo no qual a reflexão tem um papel importantíssimo, pois dessas reflexões dependem as tomadas de decisões para uma possível ação a ser tomada. (PADILHA, 2001,p.30).

            Quando fazemos um planejamento escolar ou de aulas temos que prever os recursos os quais iremos utilizar e quais os recursos dispomos na escola. Com isso evitamos surpresas durante a execução do nosso plano. Tem-se que buscar o equilíbrio entre essas duas forças, pois nem sempre dispomos dos recursos adequados para cumprirmos nossos planos e se dispomos de recursos, aí então, nada mais lógico, devemos utilizá-los.

Evitar o improviso, pesquisar e executar metodologias adequadas aos recursos que se dispõe e ao público a que se destina deve ser um dos eixos norteadores do planejamento. Ainda deve-se prever, dentro do planejamento, a avaliação daquilo que está sendo repassado aos alunos, bem como uma auto avaliação para saber se o que foi planejado está surtindo efeito ou não.

Podemos ainda supor o planejamento como um processo contínuo que atenda às necessidades tanto do indivíduo como da sociedade (PARRA apud SANTANA et al, 1995, p.14). De fato, planejar não nos parece um ato único e feito uma única vez e no qual não devemos mexer até o término do ano letivo. Não, no planejamento devemos contemplar a possibilidade de replanejar, se necessário, pois estamos recebendo alunos os quais, muitas vezes, desconhecemos suas necessidades. Além disso, nos parece interessante, antes de planejarmos, fazer uma avaliação diagnóstica desses alunos ingressantes para saber quais as necessidades deles e qual metodologia poderá ser empregada para atingir os objetivos pré-definidos.

Segundo Vasconcellos (1995, p. 56), o planejamento tem que ordenar e prever sistematicamente a vida escolar do aluno de maneira que o processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar esteja de acordo com a proposta geral das experiências de aprendizagem oferecidas pela escola ao aluno, através dos componentes curriculares. É interessante notar que, sistematizar e ordenar toda a vida escolar nos parece um tanto utópico do ponto de vista prático, pois sempre irá haver acordes dissonantes nesta orquestração. Ainda que não se deva dar asas ao improviso, nos parece de bom tom deixar-se um plano B de sobre aviso e,claro contar com um cabedal de conhecimento sólido.

Algumas de nossas ações necessitam de planejamento, mas muitas não. Em nossas atividades diárias, estamos sempre agindo, e antecipamos os resultados de nossas ações, mesmo que não estejamos completamente cientes dessa antecipação. Agimos com muito mais frequência do que planejamos, explicitamente, nossas ações: poucas vezes temos consciência de estarmos executando um processo de deliberação antes da ação. Assim que tomamos conhecimento de uma ação, ou quando executamos comportamentos bem treinados para os quais possuímos planos previamente armazenados, ou quando o curso de uma ação pode ser livremente adaptado enquanto ela estiver sendo executada, então, geralmente agimos e adaptamos nossas ações sem planejá-las explicitamente.

Uma atividade premeditada exige deliberação quando se volta para novas situações ou tarefas e objetivos complexos ou quando conta com ações menos familiares. O planeamento também é necessário quando a adaptação das ações é coagida, por exemplo, por um ambiente crítico envolvendo alto risco ou alto custo, por uma atividade em parceria com mais alguém, ou por uma atividade que necessite estar sincronizada com um sistema dinâmico. Uma vez que o planejamento é um processo muito complicado, que consome muito tempo e dinheiro, recorremos ao planejamento apenas quando é realmente necessário ou quando a relação custo X benefício nos obriga a planejar. Além disso, geralmente, procuramos somente planos bons e viáveis ao invés de planos ótimos.

É importante que o planeamento seja entendido como um processo cíclico e prático das determinações do plano, o que lhe garante continuidade, havendo uma constante realimentação de situações, propostas, resultados e soluções, lhe conferindo assim dinamismo, baseado na multidisciplinaridade, interatividade, num processo contínuo de tomada de decisões.

Esperamos que neste ano o planejamento saia do papel e tome forma dentro da escola. Precisamos que nossos coordenadores e diretores entrem em sintonia com o corpo docente, e que a condução da construção do planejamento seja pedagogicamente viável. Não podemos mais perder tempo na escola com reuniões sem sentido e dinâmicas sem fundamento. Não podemos mais entregar planejamentos copiados de anos anteriores sem proposta pedagógica e sem didática. Se servir de exemplo, segue abaixo nossa sugestão.

·         Abertura das atividades com a retomada dos objetivos do sistema de ensino (Recomendamos aqui uma revisão da Constituição Federal, Estatuto da Criança e do Adolescente e a LDBEN 9.394/1996).
·         Retomada da legislação especifica do seu sistema de ensino quanto a função da escola.
·         Comparação entre a legislação e as tendências pedagógicas e teóricos atuais da educação.
·         Exploração dos PCN’s Temas Transversais (Ética, Meio Ambiente, Saúde, Pluralidade Cultural, Orientação Sexual; Educação & Trabalho).
·         Exploração dos PCN’s por área de ensino.
o   A partir da exploração dos temas transversais, pode ser construído um mapa de conceitos com os temas que são mais urgentes na realidade em que a escola esta inserida.
·         Discussão do calendário escolar – datas, projetos e eventos.
·         Retomada das orientações curriculares do sistema de ensino em que o leitor está inserido.
·         Materiais disponíveis e infraestrutura oferecida pela escola.
·         Estratégias de recuperação paralela e continua e organização das aulas.

A partir dos tópicos acima, acreditamos que os professores terão maior clareza para iniciar a construção do seu planejamento sem copiar e colar dos anos anteriores. Acreditamos, também, que a coordenação tenha em mãos seus planos estratégicos para o corrente ano para que evite o improviso ao longo do ano letivo.

A documentação pedagógica estando afinada e de acordo com as necessidades escolares diminuirão os stresses de final de ano, tais como os índices de reprovação e a insatisfação de que os alunos não aprendem na escola pública.

Referências

LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

PADILHA, R. P. Planejamento dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 2001.

SANT'ANNA, F. M.; ENRICONE, D.; ANDRÉ, L.; TURRA, C. M. Planejamento de ensino e avaliação. 11. ed. Porto Alegre: Sagra / DC Luzzatto, 1995. 

VASCONCELLOS, C. S. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo. São Paulo: Libertad, 1995. 


Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química
Pós-Graduado em Química
omacam@professor.sp.gov.br

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
Doutorando em Geologia IGCE-Unesp
icguedes@ig.com.br

Originalmente publicado em:


Saiba mais sobre o planejamento escolar assistindo o vídeo abaixo

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