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domingo, 5 de julho de 2015

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL PRÓS E CONTRAS

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL PRÓS E CONTRAS

Minha modesta redação para contribuir com o debate

Pros e contra redução da maioridade penal
Argumentos prós e contras divulgados nas redes sociais

Os debates sobre a redução da maioridade penal no Brasil apresentam fatores positivos e negativos. Dos fatores positivos, posso destacar o debate que está ocorrendo. Dos fatores negativos, posso destacar a superficialidade sobre debates. De qualquer forma, o fato de haver debate sobre um assunto, é algo que deve ser comemorado. Se pensamos numa sociedade democrática (ainda que nós não entendemos muito bem o que é isso) o debate é primordial para aflorarmos as ideias e contrapor os argumentos.




Na realidade, nessa redação eu pretendo também apresentar a minha opinião sobre a redução da maioridade penal. O que eu vou expor, está longe de ser a realidade ou uma imposição sobre a realidade, é somente a minha opinião e a minha breve análise. Também não pretendo ficar citando diferentes autores para embasar o meu texto. Não vou fazer uso de autores (ou o farei muito pouco) da Sociologia, da Psicologia, da Filosofia ou da Pedagogia).

Os debates que ocorrem sobre a redução da maioridade penal no Brasil são, na sua maioria, baseados no senso comum, assim como a burra discussão PT x PSDB. No que se refere à redução da maioridade penal, quando muito, cita-se fatos que são noticiados no “noticias populares” da televisão moderna ou, do outro lado, se reproduz um discurso vazio sobre a “importância da educação para salvar a sociedade”. Em raras oportunidades os dois lados apresentam argumentos concretos para apresentar a sua postura. De qualquer forma, a primeira afirmação está baseada na inconsciente (ou consciente) vontade de vingança, de sangue, de empalar em praça pública aquele que provocou a dor em alguém. Já a segunda está calcada em uma falsa ideia de que a educação (entenda-se a relação escola x professor x aluno), em uma profunda harmonia quase tibetana, é a única responsável pela condução ética e moral da sociedade.

Algumas pesquisas apontam que quanto maior a escolarização do jovem, menor a probabilidade dele cometer crimes. Pois bem, seria necessário discutir o conceito de crime, uma vez que a maioria daqueles que “nos representam”, possuem nível superior. Ou será que o debate sobre crime só se dá sobre os cometidos no “chão de fábrica” (estupros, homicídios, latrocínios, venda de drogas nas bocas, sequestros e etc.)?

Entendo que manter um jovem na escola, com um projeto pedagógico bem elaborado, com professores qualificados e com dedicação exclusiva, com projetos ativos e interdisciplinares, com suporte pedagógico e psicopedagógico, com infraestrutura adequada e com alimentação saudável, possa sim “salvar” muitos jovens de forma a conduzi-los ao mercado de trabalho e ao exercício da cidadania, porém, não é o que acontece na prática. Alguns defendem, inclusive, a escola de tempo integral como forma de “prevenir o acesso do jovem ao crime”, porém, sem os itens que elenquei acima, só o vai transferir de uma prisão para outra. Ou seja, manter o status quo.

Debater a educação enquanto uma provável propulsora do desenvolvimento social é importante, realmente eu acredito que muitos poderiam ter a possibilidade de escolher outros caminhos, mas, tenho que chamar a atenção para outro fato: E se ele simplesmente não o quiser?

Ainda sobre a educação, mas agora não sobre a educação escolar, e sim sobre a educação familiar, lembro-me do meu pai e da minha mãe dizendo que independente de qualquer coisa eu sempre deveria assumir os meus atos e ser responsável por eles. A máxima dessa frase consistia em “trate o outro como gostaria de ser tratado”. Sobre essa frase devo dizer que está em desuso, saiu da moda e hoje a responsabilidade da “educação de berço” está terceirizada à escola.

Sem me alongar, cito aqui o livro de Ana Beatriz Barbosa Silva “Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado” em que é discutida a questão biológica da psicopatia. Em um mundo perturbado como o nosso, as condições são totalmente favoráveis para que aflorem personalidades indesejáveis em que não há remédio ou educação que resolva o problema.

No meu entender, a grande questão não está no julgamento do crime, mas no crime em si, ou seja, a grande questão que se deve discutir não é sobre o tempo de permanência ou punição daquele que comete o crime, mas justamente o que devemos fazer para que não se cometa o crime. Pensar sobre essa possibilidade de evitar o crime me lembrou o filme “Minority Report” (uma ficção de 2002) em que se captura, julga e executa o futuro criminoso antes de ele cometer o crime, mas não seria necessariamente assim, e mesmo com tamanha tecnologia, erros e injustiças não estariam livres de serem cometidos.


Sobre a redução da maioridade penal no Brasil eu posso afirmar que sou categoricamente contra. Na minha modesta e ingênua opinião, o crime deve ser julgado segundo a sua tipologia, e não segundo a idade de quem o cometeu.

Ivan Claudio Guedes, 35.
Geógrafo e Pedagogo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

UMA CRIANÇA, UM BRAÇO, UM TIGRE E UM PAI IRRESPONSÁVEL

UMA CRIANÇA, UM BRAÇO, UM TIGRE E UM PAI IRRESPONSÁVEL

Muitos pais imaginam ter poder absoluto por tudo. Os filhos aprenderam a serem “livres” sob a tutela dos seus pais.

Hoje li uma reportagem na Folha de São Paulo sobre um garoto de 11 anos que teve um braço amputado por conta de um ataque sofrido por um tigre em uma área proibida em um zoológico na cidade de Cascavél-PR e o fato me chamou a atenção, não pelo acidente, mas pelo os motivos que causaram o acidente.

Enquanto estava lendo pensei em diversos tipos de crianças (comparando com os nossos alunos nessa faixa etária). Poderia se tratar de uma criança que não obedecia aos pais, birrenta, ditadora, agressiva ou dissimulada. Entretanto, ao continuar lendo, a reportagem apontou que o garoto estava sendo influenciado pelo seu pai para correr ao redor da jaula, provocando o animal. Não somente isso, em outra cena do circuito de câmeras do zoológico, a reportagem afirma que o garoto havia acabado de mexer com um leão, e que seu pai estava próximo (VEJA O VÍDEO 1 ABAIXO).





Neste caso, é absoluto afirmar que o garoto estava agindo sob a tutela do seu pai e este, comportando-se como uma criança de 11 anos, estava lhe dando cobertura.

Quantas vezes vemos os pais darem “cobertura” ou até mesmo incentivar seus filhos a fazerem o que é errado ou perigoso? O que se passou pela cabeça deste pai em deixar seu filho alimentar um leão e um tigre? Porque a noção de perigo não lhe passou pela cabeça?

Içami Tiba (Limites - disciplina na medida certa) afirma que a moderna geração de pais não age como pais, mas como amigos, e amigos não educam. Amigos são amigos e pais são pais. Os pais desta geração não se atentam aos valores comuns de ética ou de limites. Abominaram qualquer tipo de repreensão em detrimento de uma suposta liberdade e esqueceram-se de que a educação é função primordial da família.

Família de ontem e de hoje na escola

É uma situação muito comum presenciar pais que, quando chamados à escola para tomar ciência de alguma atitude indisciplinar dos seus filhos, já irem armados para defendê-los a qualquer custo. O filho tem tanta razão quanto o cliente de qualquer comércio. Se é por causa de lição, é porque o professor dá muita lição, se é por questões disciplinares, é porque o professor está de marcação, se foi briga com outro aluno, é porque a família do outro não deu educação, e por ai vai. Aos poucos a infantilização da sociedade vai dominando o cenário social e ganhando cada vez mais força.

Em entrevista à MasterTV o Prof. Mário Sergio Cortella afirma que os pais estão delegando a função da educação familiar aos professores, assim como se faz com um personal trainner. Cortella diz que os professores estão sendo tratados como  personal father e personal mather (VEJA VÍDEO 2 ABAIXO).

Os papeis invertidos entre pais e professores só tendem a prejudicar a sociedade. É preciso deixar claro para ambos quais são os seus papeis. O professor contribui com uma parte da educação da criança, ou seja, com a escolarização. Os pais, por sua vez são aqueles que os terão por toda a vida, ou seja: Professor não é Educador. Essa tendência de chamar professor de educador só tem contribuído com a inversão de papéis e com a terceirização da educação de seus filhos.

Cabe então, aos professores, lembrarem constantemente os pais dos seus alunos para que estão na escola. Qual é a função da escola e quais são as diferenças entre pais e alunos, pois se não o fizerem, correremos o risco de assumir a responsabilidade sobre a irresponsabilidade dos pais.


Ivan Claudio Guedes, 34.
Geógrafo e Pedagogo


VÍDEO 2 - MENINO ATACADO POR TIGRE



VÍDEO 2 - MÁRIO SERGIO CORTELLA


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A HIPOCRISIA DO POLITICAMENTE CORRETO.

A HIPOCRISIA DO POLITICAMENTE CORRETO.

Censurar desenhos animados é o mais correto para garantir a educação da sociedade?


A Warner anunciou há alguns dias a censura de alguns episódios do desenho Tom & Jerry, criado pela dupla William Hanna e Joseph Barbera e exibido desde 1940, por conter algumas cenas violentas ou racistas. Pois bem, agora sobrou até para os desenhos animados.

Tive uma infância saudável. Brincava na rua, tinha minha coleção do He-Man, jogava bola, empinava pipa, assistia aos desenhos dos Flintstones, Pica Pau, Zé Comeia, Urso do Cabelo duro, A corrida maluca e a claro Tom & Jerry, e nem por isso fui “corrompido” pelas cenas violentas, nem tão pouco me tornei homofóbico, xenófilo, preconceituoso, violento ou o quer mais que seja. Talvez porque eu tenha sido muito mais influenciado pela minha mãe e meu pai do que pelos desenhos animados.

Censura

Hoje a história do politicamente correto só serve para dar coro à sociedade hipócrita que vê valores morais em absolutamente tudo na rua. Já não se pode dizer “chame o meu amigo, o neguinho ali”, eu tenho que dizer “chame o meu amigo, o afrodescendente de pele morena nascido no Brasil” (até porque devo considerar que, antropologicamente, todos somos afrodescendentes. Não somos iguais, mas temos a mesma raiz); ou então se eu for ofender alguém durante uma briga e chamá-lo de “viado” eu também já não posso, devo dizer “o seu mamífero da ordem dos artiodáctilos pertencentes à família Cervidae” ou então “o sujeito masculino com distúrbio de personalidade que tem traços femininos”, ou ainda “o cidadão endemoniado que precisa de tratamento para curar sua homoafetividade e que precisa pagar o restante do dizimo na igreja...”,ou simplesmente “o Homoafetivo”. Chamar crente de “crente” então...

O que eu quero dizer é que hoje nós vivemos em uma bolha muito tênue que explode a qualquer momento. A terceirização da responsabilidade de educar as crianças foi delegada à sociedade que por sua vez, não faz ideia de como educar. Sendo assim, espalham a hipocrisia do discurso do “politicamente correto” para censurar qualquer coisa que vá contra algum preceito religioso, moral, ético ou seja lá o que.

O que a nossa sociedade precisa aprender (e isso meus pais me ensinaram muito bem), é que se algo não o agrada na televisão ou em qualquer lugar, você não é obrigado a assistir ou a ir. Simplesmente não assista ou não vá! Também aprendi com os meus pais que, o que se passa na televisão não é a realidade. Os filmes, desenhos e novelas (e alguns jornais) são histórias para entreter, e que se eu fizer o que o Superman faz, vou morrer de verdade!


Enquanto continuamos discutindo censuras a desenhos animados e terminologias “politicamente corretas”, a canalhice, a pouca vergonha e a falta de vergonha na cara continuam reinando no Congresso Nacional, na Câmara dos deputados, nas assembleias legislativas, nas câmaras de vereadores e o meu, o seu, o nosso suor do trabalho continua indo para o esgoto. Continua caminhando desfiladeiro abaixo para os bolsos daqueles que ficam dias a fio discutindo nas suas salas com ar condicionado e secretárias gostosas, quais serão os próximos superfaturamento que vão criar.

Prof. Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo.
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