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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

APRENDA O QUE SE ESPERA DA EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI

APRENDA O QUE SE ESPERA DA EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI

Relatório da UNESCO traz as principais orientações para a educação mundial








A série de nove programas sobre o Relatório da Comissão Internacional de Educação para a UNESCO, denominado EDUCAÇÃO: Um tesouro a descobrir, traz a reflexão crítica sobre as orientações gerais da UNESCO para a educação no século XXI. Ainda que estejamos na metade da segunda década deste século, muito ainda temos por fazer para que alcancemos uma educação de qualidade. Alias, fica a pergunta: o que é qualidade na educação?

Os programas apresentam os preceitos que a UNESCO tem para com a educação mundial, sempre lembrando que cada pais tem sua singularidade 
Educação um tesouro a descobrir

A princípio, é importante lembrar que a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a educação a ciência e a cultura) é um órgão da ONU (Organização das Nações Unidas), fundada em 1945 com o objetivo de manter a paz mundial e promover o desenvolvimento econômico dos países. Dentro desta concepção todos os órgãos, ou departamentos, da ONU devem contribui para que tal meta seja alcançável.

Os sistemas de ensino, por sua vez, sejam federais, estaduais ou municipais devem contemplar tais orientações para que possam alcançar as metas estabelecidas para o desenvolvimento da educação e pleitear os financiamentos de programas educacionais e de desenvolvimento.


Por fim, essa série traz os principais aspectos contidos no documento original de Delors. Esperamos que seja de grande valia para os estudos dos professores e demais interessados no tema, e que possa contribuir com a sua criticidade.

PROGRAMA 1: DA COMUNIDADE DE BASE À SOCIEDADE MUNDIAL




PROGRAMA 2: DA COESÃO SOCIAL À PARTICIPAÇÃO DEMOCRÁTICA


PROGRAMA 3: DO CRESCIMENTO ECONÔMICO AO DESENVOLVIMENTO HUMANO


PROGRAMA 4: OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO




PROGRAMA 5: A EDUCAÇÃO AO LONGO DE TODA A VIDA



PROGRAMA 6: DA EDUCAÇÃO BÁSICA À UNIVERSIDADE



PROGRAMA 7: OS PROFESSORES EM BUSCA DE NOVAS PERSPECTIVAS


PROGRAMA 8: OPÇÕES EDUCATIVAS: O PAPEL DO POLÍTICO

PROGRAMA 9: COOPERAÇÃO INTERNACIONAL: EDUCAR A ALDEIA GLOBAL

domingo, 27 de julho de 2014

RUBEM ALVES: O pensador de uma escola transcendental

RUBEM ALVES: O pensador de uma escola transcendental

O pensador Rubem Alves nos deixa, mas suas obras o tornaram imortal. 



"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como
sacramento, para que as crianças aprendam que o
mundo pode ser diferente. Que a escola,
ela mesma, seja um fragmento do
futuro..."

RUBEM ALVES


Neste programa dedicado ao pensador Rubem Alves fizemos algumas considerações sobre seus pensamentos sobre a educação e a escola.



VISITE O SITE OFICIAL DE RUBEM ALVES

terça-feira, 2 de julho de 2013

O GIGANTE ACORDOU: E não foi por causa de R$ 0,20

Publicado originalmente no Jornal Gazeta Valeparaibana, p. 9. http://gazetavaleparaibana.com/068.pdf

As manifestações em torno do aumento da passagem de ônibus pelo Brasil vêm demonstrando a insatisfação da população com o atual sistema de governo. O problema não vem sendo somente em torno do aumento, 
mas sim de um problema mais profundo: o sistema de coronelismo no Brasil. 



Historicamente, o sistema político sempre foi controlado pelo topo da pirâmide, ou seja, pela elite brasileira. 
O tempo passou e a história do sistema político de “capitanias hereditárias” não mudou: a elite continuou no poder. Após a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, muitas águas rolaram: escolas foram abertas, a tecnologia entrou no país, novos mercados de trabalho foram abertos, o ensino superior cresceu, o consumo aumentou e tudo isso resultou na formação de uma nova classe média. A classe média, em termos vulgares, funciona como se fosse um sanduíche: é pressionado pelo pão de cima, e está em constante contato com a fatia do pão de base, ou seja, a classe trabalhadora baixa, o “povão”. Entretanto, como toda nova classe média, essa começou a se escolarizar e cobrar maiores benefícios do sistema público. Começaram cobrar melhores prestações de serviço e também passaram a querer participação política. 

 No final do século XX despontaram intelectualmente personagens como Betinho, Florestan Fernandes, Paulo Freire, Caio Prado Jr., Milton Santos, Demerval Saviani e outros que influenciaram e influenciam a formação de professores críticos e ativos politicamente. Esses novos professores, também muitas vezes oriundos dessa nova classe média, começaram propagar as ideias de liberdade política e de justiça social. 

 Durante os primeiros anos do século XXI, vivenciamos a formação dessa nova classe média. É verdade que baseado no consumo fácil e exacerbado, boa parte dela procurou também sua intelectualização, começaram a ler mais, a ter mais opinião e consequentemente, cobrar mais do sistema público. O desenvolvimento tecnológico, principalmente no que  diz respeito ao chamado “Meio Técnico Científico-Informacional” e o “fácil” acesso aos novos meios de comunicação permitiram que a troca de ideias e a produção de novas ideias fosse acelerada e que pudesse chegar a qualquer lugar, pois bem, é o que estamos vivenciando. 

 Ainda que possamos estar vivenciando um novo capítulo da nossa história, ela começou a ser escrita. Escrita pela nova classe média, acompanhada daqueles que almejam também fazer parte dessa nova classe média (intelectual ou financeira), mas a voz, o grito ainda não chegou nas massas, na maioria da população. 

O nó na garganta ainda não se faz presente em muitas camadas da nossa sociedade, e é justamente neste ponto em que se faz necessária a atuação do professor enquanto um ótimo instrumento modificador da sociedade.  Pregamos a formação de um professor progressista, crítico e intelectualmente autônomo. Um professor politicamente atuante. Um professor que possa trazer à tona a vida do sujeito para sala de aula, e não simplesmente que cumpra cegamente um currículo ou um conteúdo que é “apoliticamente” induzido através das orientações curriculares oficiais dos sistemas de ensino, sejam eles: Federal, Estaduais ou Municipais. 

 Novamente trazemos a discussão do ensino da política para sala de aula, em forma de disciplina específica. 
Muitos professores e intelectuais acreditam que as disciplinas de História, Geografia, Sociologia e Filosofia deveriam fazer, e que não haveria necessidade de se incluir mais uma disciplina, mas diante de uma pesquisa empírica com várias escolas, vários docentes e mediante a análise de vários currículos, o que constatamos é que não o fazem. 

Não fazem por estarem amarrados a um currículo predeterminado (através dos Parâmetros Curriculares Nacionais e/ou normas e decretos legislativos estaduais ou municipais) que amarram também os autores de livros didáticos e manuais de ensino para que escrevam como o sistema público “propõe”, ou porque simplesmente não detêm o devido conhecimento para fazê-lo. 

 É nesse sentido que propomos há algum tempo o ensino de Ciência Política na escola básica (http://
www.politicanaescolabasica.blogspot.com.br). Colocar como disciplina escolar, em um currículo, o ensino da legislação, das devidas funções do poder público, das diferenças entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, do que pode ou não pode um representante da população, enfim, do que é a política. 

 Acreditamos piamente que essa nova conscientização política é um reflexo daqueles que escreveram a duras penas e pregaram aos quatro ventos a libertação do povo brasileiro (sobretudo durante os anos de ditadura militar). Se Paulo Freire, Caio Prado Jr., Milton Santos e tantos outros ainda estivessem vivos estariam orgulhosos em saber que seus trabalhos renderam resultados satisfatórios. Mas ainda há muito que fazer. 

É preciso fazer o “nó na garganta” chegar às camadas mais populares e “abrir os olhos” para que o cabresto imposto pelo populismo e pelas políticas de assistencialismo recentes esteja presentes em todos os segmentos da sociedade. Aí sim teremos uma nova revolução, consciente, crítica e politicamente participativa. Teremos novos tipos de candidatos às eleições, novos tipos de partidos políticos e quiçá o fim do sistema de coronelismo e feudalização do Sistema Público brasileiro, em que a corrupção impera e a impunidade é regra. 

 O gigante está acordando, mas ainda não se levantou por completo, é necessário que o relógio despertador continue tocando. 
 E não é por causa de R$ 0,20. 

* Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo. Especialista em Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
Articulista e palestrante.
icguedes@ig.com.br
* Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química.
Pós-Graduado em Química.

Para referenciar este artigo:

GUEDES, I.C.; CAMARGO O. O gigante acordou: E não foi por causa de R$ 0,20. Gazeta Valeparaibana. Ed. 68. Ano IV. Disponível em: http://gazetavaleparaibana.com/068.pdf. Julho, 2013. p.9.

domingo, 22 de abril de 2012

MOBILIZAÇÃO DOS PROFESSORES

MOBILIZAÇÃO DOS PROFESSORES

A paralisação dos professores e os professores paralisados: um simples trocadilho ou um fato?





Desde o final de 2011 que ouvimos falar em uma mobilização nacional para forçar os Estados, os Municípios e o Distrito Federal a cumprirem a Lei n. 11.738 de 2008 (chamada Lei do Piso) que institui nos seus oito artigos o piso salarial nacional dos profissionais do magistério público da educação básica, a composição da jornada de trabalho, reservando o limite máximo de 2/3 da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos e 1/3 em Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC) e Aula de Trabalho Pedagógico Livre (ATPL) e, também sobre o Plano de Carreira. Pois bem, desde 2008 que vem se travando a discussão sobre essa Lei, e pouquíssimos Sistemas de Ensino vem cumprindo-a integralmente. Alguns cumprem a parte do salário, outros cumprem com o Plano de Carreira. Não conhecemos nenhum que cumprissem com as horas de atividade com alunos. 

O que nos chamou a atenção foi a ausência desse debate desde que a Lei foi publicada em 2008. Nas escolas foram raras as oportunidades de discussão durante as Horas de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), agora denominadas ATPC. Nas redes sociais, também pouco se falou. Entretanto, há alguns meses esse debate ganhou espaço (nas redes sociais). Indiferentes a isso, continuamos sem debater esses assuntos nas escolas. O tempo foi passando e a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) convocou uma paralisação nacional para os dias 14, 15 e 16 de Março de 2012. Desde o início de 2012 que estamos acompanhando essa tentativa de mobilização. Independentemente do corrente ano eleitoral e dos interesses políticos e, sobretudo partidários que permeiam esse debate, gostaríamos de centrar nosso foco sobre a figura do professor e sua formação filosófica, ou política. 

Já faz algum tempo que as ciências humanas perderam sua função na educação básica (se é que alguma vez, realmente tiveram essa função) que é a de proporcionar ao aluno uma reflexão crítica e autônoma sobre os acontecimentos sociais. Com a expansão descontrolada e a monetarização desenfreada do ensino superior no Brasil as ciências humanas também perderam seus espaços (inclusive dentro dos próprios cursos de ciências humanas). É comum hoje verificar cursos de Pedagogia, Filosofia, História, Geografia, Letras, Sociologia, entre outros, uma formação a “toque de caixa”, sem que haja leituras essenciais para a formação deste profissional ou debates em torno das ideias centrais do seu ramo de atuação. Isso posto, é de se esperar que o futuro profissional não domine sua área de atuação e seja um trabalhador “meia boca”. Para deixar mais claro, é possível citar José Carlos Libâneo (Adeus Professor, Adeus Professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. Ed. Cortez, 1998)  em que no terceiro capítulo o autor faz uma brilhante análise da desprofissionalização do docente, mediante o sistema neoliberal de ensino. Em que o professor é formado sem que haja condições deste partir para o mercado de trabalho plenamente qualificado e, sendo assim, também formará alunos sem qualificação. 

O que queremos discutir aqui é que os professores, diferentemente de outras categorias (tais como os metalúrgicos, os petroleiros, os mineradores, os caminhoneiros...) não sabem, ou não querem, brigar pelos seus direitos trabalhistas. Talvez a sensibilidade do professor diante do turbilhão de atividades e controvérsias que permeiam seu trabalho tenha diminuído seu interesse em formar cidadãos livres e conscientes do seu papel social. Entretanto, cabe outra citação. Desta vez, verificamos em Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido. Ed. Paz e Terra, 1987) é dito que é preciso ensinar ao oprimido que ele o é, e portanto, a partir da sua consciência de oprimido adquirida, o mesmo tenha condições de emancipar-se intelectualmente. Pois bem, fazse a questão: Como ensinar a um oprimido que ele o é, se o professor também o é e não sabe? 

Como criar uma sociedade emancipada e democrática se o professor, papel central neste processo, não é emancipado e muito menos democrático? Como formar um aluno crítico e consciente dos seus 
deveres e direitos se o professor também não tem consciência dos seus? 

As faculdades não proporcionam tal formação para seus alunos, por conta de um currículo enxuto, mensalidades baixas para atrair qualquer tipo de alunopagante, salas superlotadas (100 – 150 alunos, sem exagero), professores mal remunerados, e portanto, sobrecarregados de aulas e sem estímulo para continuarem sua formação (até porque se continuarem a formação se tornarão profissionais mais caros), falta de pesquisa e publicações acadêmicas, cortes de custos a qualquer preço, a quantidade e o lucro em detrimento da qualidade do ensino, são alguns dos fatores que contribuem para o círculo vicioso, má forma-
ção gerando má formação, ou seja, o professor mal formado no ensino básico, também é mal formado no ensino superior e vai contribuir com a má formação no ensino básico.  

Se formos analisar a situação sob esta ótica, veremos que os sindicatos e seus diretores, pessoas astutas e possuidores de uma oratória invejada, utilizam-se deste círculo vicioso na razão direta dos seus interesses políticos-partidários, pois sabendo que o professorado é mal formado politicamente e também não consciente da sua posição de formador de opinião, usam os mesmos como massa de manobra, assim como o governo, usa desse expediente para reforçar o círculo vicioso que resulta na má formação do aluno que por sua vez ao se formar numa faculdade também terá grandes chances de ser um mal profissional. 

Tal situação, a má formação do professor, foi no citada no “Jornal da Educação” em sua edição on-line nos idos de 2007 onde é dito que os mestres e doutores, responsáveis pela formação dos profissionais da educação, deveriam assumir parte na responsabilidade da má formação dos alunos da educação básica, pois eles tem participação nesse processo, haja visto que eles formam os professores. O mesmo jornal cita ainda a possibilidade, caso o governo fosse sério (adendo nosso), de que todos os professores poderiam ser chamados a fazer atualizações e especializações GRÁTIS (grifo nosso).  Impossível? Não nos parece. Afinal seria uma bela demonstração de seriedade. Alguns, menos avisados, poderiam aventar de que o governo já proporciona bolsa mestrado e doutorado para os professores da rede. Mas, isso é 
em número reduzido e insignificante para uma rede de aproximadamente 200 mil profissionais da educação. É necessário mais, muito mais. 

Segundo Cunha (CUNHA, M. I. Aprendizagens significativas na formação inicial de professores: um estudo no espaço dos Cursos de Licenciatura. Artigo on line, disponível em: h t t p : / / 1 6 8 . 9 6 . 2 0 0 . 1 7 / a r / l i b r o s /anped/0425T.PDF),  ”Não são os conteúdos ou as informações que carregam as relações sociais que geram a reprodução social ou cultural, mas a forma de transmissão, entendida como a teia de relações de poder e de subjetividade que a permeiam”. Daí deduz-se que o especialista recémformado, muitas vezes, não detém a capacidade necessária para a devida transmissão do conhecimento adquirido. Ele é de fato um especialista em sua área, porém em um mundo globalizado e contextualizado, como o de hoje, talvez fosse necessária uma formação acadêmica global. Seria o professor do tipo “canivete suíço”. Como um professor desse  naipe, provavelmente, custaria mais caro às universidades e faculdades elas acabam optando por aqueles que possuem o conteúdo, porém vazios de competência. Onde isso irá desembocar? Claro, evidentemente na má formação do aluno do Ensino Básico. 

Ainda referenciando Cunha, ”esse profissional mal preparado vai encontrar dificuldade para se encaixar no mercado. Vai, então, para a especialização na Pós-Graduação. Escolhe uma área específica, forma-se, e vai dar aula. Seu método será o mesmo utilizado pelo professor que ele teve durante a graduação. E a 
inovação? Sem ela, não há mudança.” De fato, como o professor ,durante a sua especialização, não inovou em nada, há de se entender que nada irá mudar e ele agora com diploma na mão irá ensinar exatamente aquilo que aprendeu e da forma que aprendeu. Faz-se necessária uma ruptura epistemológica que permita reconfigurar os conhecimentos para além das regularidades propostas pelo paradigma da modernidade.

 Percebemos então que, o balaio é muito maior do que imaginávamos inicialmente. Por fim, podemos concluir afirmando que há interesses por parte de alguns grupos sociais para que a formação inicial e continuada do professor seja de baixa qualidade. Há interesses políticos e econômicos evidentes para que a formação da educação básica seja de baixa qualidade. Esses interesses partem de diversos lugares, tanto do Governo, quando dos sindicatos e das empresas que precisam de mão-de-obra semi qualificada e barata.  

Para quebrar esse ciclo só existe um meio: Estudar. Amigo professor, é preciso estudar mais!

Omar de Camargo 
Técnico Químico
Professor em Química
Pós-Graduado em Química

Ivan Claudio Guedes 
Geógrafo e Pedagogo.


Texto disponível em http://www.gazetavaleparaibana.com/053.pdf

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Geraldo e a (falta de) educação



A questão é muito mais complexa. Quando P. Freire implementou a P. Continuada ele não confundiu com aprovação automática. Uma é bem diferente da outra. Mas, para isso os professores precisam estudar e entender este processo. É preciso rever os conceitos de Wallon, Vygotsky e Freinet. Não é com uma lei que se cria algo deste tipo.
Se o aluno falta ele é reprovado. Se ele vai pra escola ele fica defasado, mas passa de ano. Ou seja, empurra ele. Derrubar a evasão em mais de 70% não significa qualidade de ensino.
Reforço escolar com o professor desqualificado não da certo.
Quanto a escola de tempo integral, porque não se criam mais escolas para instalar este projeto? custa caro?
E obviamente tudo isso será feito por máquinas, pois em nenhum momento ele fala em qualificar o docente.


A vá. O cara é professor!
Quantas vezes ele já deu aula em escola básica? o fulano é formado em que?
Qual é a licenciatura deste cidadão?
O problema é que QUALQUER UM que entra em uma sala de aula fala que é professor!
Só por curiosidade... e a resposta quanto a esta pergunta?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O inchaço do currículo escolar

Introduzidas no currículo do ensino médio para afirmar teses "politicamente corretas" ou em resposta a pressões ideológicas e corporativas, disciplinas como cultura indígena e cultura afro-brasileira estão agravando as distorções do sistema educacional brasileiro.
Não bastasse a dificuldade que já enfrentam para ensinar aos alunos as disciplinas básicas, como português, matemática e ciências, ao serem obrigados a lecionar disciplinas criadas com o objetivo de resgatar a "dívida histórica com a escravidão" e a "dívida social com os povos da floresta", muitos professores acabam perdendo o controle dos seus cursos, transformando-os em verdadeiros pastiches de informações ideologicamente enviesadas.
Só nos últimos três anos, emendas aprovadas pelo Congresso incluíram seis novas disciplinas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Além de cultura afro-brasileira e cultura indígena, a rede escolar de ensino básico também tem de oferecer as disciplinas filosofia, sociologia, meio ambiente, regras de trânsito e direitos das crianças e dos idosos.
Tramitam ainda no Congresso centenas de projetos propondo a criação de mais "conteúdos" como esses. No levantamento que fez para sua tese de doutorado, a professora Fátima Oliveira, da Universidade Federal de Minas Gerais, constatou que só a Câmara dos Deputados recebeu 545 propostas desse tipo, entre 1995 e 2003.
O inchaço do currículo acarreta graves problemas. Compromete a adoção de novos projetos pedagógicos, obriga os professores a reduzir a carga horária das disciplinas básicas, para lecionar as novas matérias, e acarreta desperdício de recursos, pois as escolas têm de produzir material didático. Esses problemas tendem a perpetuar a má qualidade da educação básica, como deixa claro o desempenho dos estudantes brasileiros nas provas e testes internacionais de avaliação de conhecimento. Com uma alfabetização e uma formação deficientes, eles estão sempre nas últimas colocações.
Políticos, movimentos sociais e entidades engajadas defendem a introdução das novas disciplinas alegando que elas promovem a inclusão social. Segundo eles, a "escolarização" de temas sociais abriria caminho para a justiça social. Os especialistas discordam. "A escola tem de dar os fundamentos para que o aluno faça sua leitura do mundo. Não é a oferta de disciplina sobre drogas que vai garantir que o jovem se afaste do vício", diz a presidente do Conselho Nacional de Secretários da Educação, Yvelise Arcoverde.
No mesmo sentido, não são disciplinas como cultura afro-brasileira e cultura indígena que vão reduzir as disparidades de renda. Como tem sido evidenciado pelas recentes e bem-sucedidas experiências de países como a Coreia do Sul e a Índia, só a formação básica de qualidade garante a redução da pobreza e assegura o capital humano necessário a uma economia capaz de ocupar espaços cada vez maiores no mercado mundial. "Cada vez mais se está entulhando coisas nos currículos, por meio de emendas na LDB", afirma a pesquisadora Paula Lozano, da Fundação Lemann. "São tantas emendas que se torna impossível montar um currículo", argumenta Mauro Aguiar, do Colégio Bandeirantes.
Em vez de ser objeto de decisão legislativa, a organização do currículo escolar deveria ficar a cargo de órgãos técnicos e as redes escolares deveriam ter autonomia para definir os conteúdos pedagógicos que consideram necessários à formação de seus alunos. Defendendo essa tese e se empenhando para evitar o desfiguramento do ensino básico, alguns colégios particulares decidiram fazer lobby para desbastar os currículos. A ideia é que as novas disciplinas sejam lecionadas como parte das disciplinas básicas, sem necessidade de aulas exclusivas para os chamados temas sociais.
A iniciativa parece estar dando certo. Em São Paulo, por exemplo, o Conselho Estadual de Educação acaba de emitir um parecer permitindo que os conteúdos de filosofia e sociologia sejam dados dentro de outras disciplinas - como história. É um exemplo a ser seguido pelos outros Estados. 

ABAIXO A RESPOSTA QUE EU DEFENDO:

A respeito da reportagem acima devo dizer que muito está equivocado o que consta.
Primeiramente devo dizer que disciplina não é sinônimo de conteúdo. Se alguém entende assim, entende errado. O conteúdo é aquele que dá sustentação à disciplina e serve para tratar diversos temas.

Pelo que entendo, há um esforço para modificar essa estrutura arcaica da escala que perdura desde a Idade Média, onde os conteúdos são depositados na sociedade sem que haja relevância para o seu trato. Só para fundamentar esta resposta, devo citar a CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL que no seu Artigo 23 diz: “É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência; VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico; XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito”.

Diante do exposto acima devo questionar como a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios farão tudo isso sem o apoio da população? Como a população pode ter consciência de tudo isso se na escola ensina-se a decorar o nome das capitais, dos Estados e dos Países? Como criar a consciência de preservar o patrimônio histórico, cultural e ambiental se fazemos as crianças decorar tipos de vegetação, fórmulas matemáticas e datas históricas?

Qual é o problema de se trabalhar TEMAS TRANSVERSAIS ao invés de conteúdos estanques e desconexos? Um exemplo: ao trabalhar Cultura Afro-brasileira, posso desenvolver discussões sobre o processo de colonização no Brasil e na África (em História) as diferenças e semelhanças culturais expressas na música, nas artes visuais e plásticas (em Artes) as semelhanças e diferenças geológicas nos territórios (em Geografia) as semelhanças e diferenças nos sistemas de governos e organização dos estados (em História e Geografia), a etnomatemática que traz valiosas informações que ajuda compreender o famoso Teorema de Pitágoras (em Matemática), enfim, dá para ir longe com apenas esse único tema e, para quem é entendedor da escola sabe a quantidade de conteúdos que dá para se desenvolver significadamente a partir deste tema.

Acredito que trabalhar com eixos temáticos seja mais relevante do que com conteúdos específicos desconexos da realidade social!
Mais adiante, a Lei 8.69/1990 no Artigo 58 diz: “No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura”. Desculpe! Não vejo tais valores serem trabalhados a partir do momento em que as apostilas e livros didáticos fazem as crianças decorarem quantidade de populações, nome de rios e nome de artistas. Novamente, decorar esses dados não traz nenhum tipo de consciência crítica e reflexiva.

A reportagem traz a informação errônea de que são criadas novas disciplinas, mas na realidade o que é criado são eixos temáticos para que se dê a aprendizagem significativa diante dos conteúdos.
A LDBEN 9.394/1996 diz:

Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII - valorização do profissional da educação escolar;
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino;
IX - garantia de padrão de qualidade;
X - valorização da experiência extra-escolar;
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.
Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.
§ 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil.
§ 2º O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.
§ 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e européia.
§ 5º Na parte diversificada do currículo será incluído, obrigatoriamente, a partir da quinta série, o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna, cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar, dentro das possibilidades da instituição.
§ 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.769, de 2008)

Leia atentamente e veja se, em algum momento, é colocado como disciplina o que diz a reportagem. Muito pelo contrário ele norteia o que deve ser trabalhado em diferentes disciplinas objetivando o que a constituição diz. Em seguida, na mesma lei, pode-se ler:

Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008).
§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008).
§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008).
Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão, ainda, as seguintes diretrizes:
I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática;
II - consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento;
III - orientação para o trabalho;
IV - promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais.
Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente:
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural;
II - organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas;
III - adequação à natureza do trabalho na zona rural.
Seção II
Da Educação Infantil
Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.
Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades:
I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;
II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.
Art. 36. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes:
I - destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania;
II - adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes;
III - será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das disponibilidades da instituição.
IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.684, de 2008)
§ 1º Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre:
I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna;
II - conhecimento das formas contemporâneas de linguagem;

Não sei se a legislação citada acima ficou clara para o amigo leitor. O que se pede na legislação é muito amplo. Assim, entendo que deve ser mais específico do que se espera da escola. Para minimizar este problema existe, então, os Parâmetros Curriculares Nacionais que trazem um conjunto de competências e habilidades que devem ser desenvolvidos em cada nível de ensino.

O que acontece é que esses objetivos (publicados em 1998) não estão acontecendo na prática, justamente porque na sala de aula o trabalho ainda está amarrado ao processo de despejar conteúdos desconexos da realidade nos alunos.

Finalizo essa tese dizendo que enquanto a escola continuar sendo reprodutora de conteúdos a partir da decoreba de tabelas periódicas e fórmulas de física, jamais vai desenvolver a consciência da população. Assim, os TEMAS TRANSVERSAIS tendem a contribuir muito para a aprendizagem significativa dos conteúdos ora trabalhada sem conexão com a realidade sócio-cultural que vivemos.

sábado, 14 de agosto de 2010

7 MITOS DA EDUCAÇÃO: FALTA DE VONTADE OU DE CONHECIMENTO?

O texto abaixo foi escrito como um "direito de resposta" e encaminhado à FOLHA DE SÃO PAULO. Porém, sua publicação foi negada pelos editores que alegaram "falta de espaço".

Pois bem! Esta ai!

Na condição de aprendiz da aprendizagem me senti infortunado com a discrepância no tocante ao entendimento das “soluções obvias” para a melhoria do desempenho dos alunos, bem como instigado a tecer, ainda que em poucas linhas, o meu humilde parecer sobre essa complexa estrutura que envolve o (in)sucesso escolar dos nossos alunos. Para ordenar as ideias acerca deste debate listarei em ordem como o fez a FOLHA DE SÃO PAULO em 9 de Novembro de 2009 na página“saber”.

1. Só pagar melhor o professor já melhora o aprendizado. Realmente a que se discordar com tal tese. Porém, quando se observa em escolas privadas, as escolas “de ponta”, as que estão no topo dos “rankings” o fator salário é sim um grande atrativo para os melhores professores, àqueles que continuaram estudando e desenvolveram seus métodos de ensino. Já no ensino público não se faz diferença, pois a ideia de estabilidade diante de um concurso público não incentiva ninguém a estudar.

2. Melhorar a infraestrutura da escola tem impacto positivo no desempenho dos alunos. Claramente essa ideia é falsa. Falta ai o fator humano. Não adianta ter máquinas de ponta se não há profissional que saiba manusear. Já presenciei em escolas particulares a compra de equipamentos futurísticos em que não se sabia nem se quer como ligar o aparelho (mas a imagem do aparelho aparecera em diversas propagandas), já em escolas públicas, alem de não saber utilizar o aparelho (inclui-se aqui desde um microscópio e datashow) a burocracia e o terror que se coloca diante da responsabilidade que o professor tem que ter com o equipamento. Diretores (nem todos) colocam os aparelhos no cofre e, para utilizar, tem que se travar uma luta épica.

3. A progressão continuada contribui para piorar a qualidade do ensino. É fato que progressão continuada no Brasil foi imposta e tratada como progressão automática para resolver simplesmente um problema de número. Como todo governo que tem que prestar contas com números, o sistema de Progressão Continuada conseguiu reduzir a quantidade de reprovações e os índices de evasão. Já a qualidade destes que são promovidos… Incluo aqui que para se colocar esse sistema faltou o diálogo e a preparação. Entender o sistema de ciclos, seus objetivos, sua função de desenvolver competências e habilidades em cada ano, a complexidade que deve se trabalhar em cada etapa e outros fatores, que aprofundaria demais este tema, não foram trabalhados, estudados e incorporados pelos professores. Mas seu objetivo principal foi alcançado, basta agora rever estes outros.

4. Cursos de reciclagem para professores ajudam a melhorar o ensino. Realmente não melhora, e a FOLHA já traz seu motivo: “Eles são muito teóricos e influenciam pouco na melhoria do ensino em sala de aula”. Ora, eles são teóricos porque: ou o curso é uma revisão de conteúdo ou porque o curso fica na discussão de autores da educação. Melhorar a qualidade da formação universitária é necessário, mas, a formação continuada do professor também é. Adiante trato com mais afinidade este tópico. (Vale lembrar que reciclagem é um termo utilizado para reutilizar lixo).

5. Gastar mais com educação é suficiente para aumentar o aprendizado dos alunos. Outro grande problema: Ingerenciamento da verba. Existem diversos estudos que apontam nesse sentido, livros que são comprados e não são utilizados, aparelhos idem, licenças e faltas dos docentes que refletem na verba da educação, manutenção dos prédios por falta de zelo da comunidade ou por ações de vândalos… nem vou adentrar aos casos de corrupção em todas as esferas administrativas para não provocar mais debate!

6. A escola não pode ajudar filhos de famílias desestruturadas. A relação escola e família se tornou (por diversos fatores) uma relação conflitante, e não de harmonia e cumplicidade. A escola empurra para os pais a responsabilidade de educar, enquanto que os pais, por serem ausentes, trabalhar de mais, não estabelecer suas regras… empurram para escola esta responsabilidade. É preciso ter bem claro, para ambos, quais são as suas responsabilidades para acabar com este jogo de ping pong.

7. Sistemas de ensino apostilados tolhem a autonomia dos professores. Os sistemas de ensino trabalham de uma forma direta. Aula-aula, tem-se os passos de cada aula, as tarefas extras, os trabalhos… ou seja, já vem tudo mastigado para o professor, por isso de tolher a autonomia, porém, é preciso ter bem claro o que se está trabalhando e como está trabalhando pois, corre-se o risco de voltarmos ao sistema de ensino em que se memoriza conteúdos sem aplicação prática. Os sistemas de ensino podem facilitar o processo por padronizar os conteúdos, mas a grande questão está na prática em sala de aula e a relação deste conteúdo com o interesse do aluno em aprender e do professor em ensinar.

Diante destas breves colocações, posso agora refletir um pouco mais adiante.

Muito se fala na má formação do professor na universidade. Questões de mercado, diminuição da grade curricular (para atender mercado) curso noturno com alunos que acabaram de passar por um dia inteiro de trabalho, professores universitários mal preparados, sem vivência prática do que ensinam, enfim, uma série de fatores que se tornam um ciclo que se repete todos os dias. Mas há algo que poderia fazer a diferença na formação de professores:

Para adentrar neste tópico utilizo as palavras de Paulo Freire: “O aprendizado do ensinante ao ensinar se verifica à medida em que o ensinante, humilde, aberto, se ache permanentemente disponível a repensar o pensado, rever-se em suas posições; em que procura envolver-se com a curiosidade dos alunos e dos diferentes caminhos e veredas, que ela os faz percorrer”. Bem, conclui-se que não há fórmula mágica que se dê nas universidades para que o professor saiba ensinar, sem antes ter passado por esta experiência, isso porque, na universidade somos todos adultos e aprendemos de forma diferente daquele que está na escola básica, ou seja, não é dando seminários que estaremos aprendendo a ensinar.

Posso inferir aqui uma proposta que poderia ser aplicada nas grades curriculares das universidades. Os professores das disciplinas específicas (História, Geografia, Português, Ciências…) saem com uma bagagem razoável de conteúdos, mas sem o conhecimento pedagógico, ou seja, de onde parte o processo de ensino-aprendizagem. A disciplina Didática, geralmente é aplicada por um não Pedagogo, ou seja, alguém que decora alguns autores e trabalha com essa disciplina sem relação com o conteúdo aprendido.

Porque, então não colocar, no primeiro semestre, a disciplina Didática, com um Pedagogo para dar as bases gerais da Pedagogia e, nos semestres seguintes, uma disciplina chamada de Prática Pedagógica, onde os alunos aplicam o conteúdo aprendido com os especialistas de uma maneira prática (ainda que no campo teórico), mas elaborando planos de aula, verificando a avaliando modelos e aprendendo o real significado de se ensinar tipos de relevo ou genética ao aluno da escola básica? Acredito que, assim, o recém-formado possa integrar a teoria específica com a teoria pedagógica e construir suas bases para desenvolver em sala de aula. Não acredito que, somente isso possa resolver os problemas da educação. Como citado acima, isso é muito mais complexo e, para tentarmos chegar a uma conclusão, seria preciso muito debate e muitas páginas a mais no jornal, mas, creio sim que organizar e aplicar ações pontuais podem num conjunto resolver o problema

Para baixar as reportagens em formato PDF clique abaixo:

http://www.4shared.com/document/MECLDObc/7_mitos_da_educacao.html

http://www.4shared.com/document/W8z0ZBL3/Folha_Online_-_Educao_-_Nem_tu.html

terça-feira, 29 de junho de 2010

ESTUDO DO MEIO: Bases para uma educação sustentável.

ESTUDO DO MEIO: Bases para uma educação sustentável.

Aprender Geografia, Ciências, Matemática, Química e Sociologia na prática pode ser mais fácil e prazeroso do que você imagina!







Estudo do meio

Ao lado segue a reportagem divulgada na Instituição.
Abaixo estou reproduzindo o resumo do projeto.
Clique na figura para ampliar.
Abs.,
Ivan
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo promover, na prática, ações educacionais que visem a preservação ambiental bem como o desenvolvimento de competências e habilidades em alunos do curso de graduação em Pedagogia para que possam ser trabalhados com seus alunos na educação infantil e ensino fundamental. O médoto que se desenvolve este trabalho denomina-se "Estudo do Meio" e é empregado na microbacia Cabosol, município de Guarulhos-SP. Lugar este que é acometido por diversos impactos resultantes da expansão urbana e palco de diversas manifestações naturais. O Estudo do Meio inicia-se, ainda em sala de aula, com a apropriação de conceitos e análise de imagens em diferentes lugares com o software Google Earth, em campo os alunos são divididos em grupos com ações pré-determinadas que resultarão no diagnóstico do espaço mediante a observação, descrição, análise e reflexão sobre os impactos identificados na área. Em sala de aula os resultados são apresentados, discutidos e, por fim, são apresentados as recomendações para preservação do lugar. Essa vivência propicia ao futuro professor realizar atividades semelhantes com seus alunos para promover a educação ambiental na prática e despertar a consciência crítica da criança em relação ao equilíbrio ambiental. A prática de Estudo do Meio com as turmas de Pedagogia é realizada desde 2008 e já se tem relatos de ex-alunos que aplicaram esta atividade com seus alunos promovendo a multiplicação desta ação como prática de educação ambiental significativa.
Para baixar o relatório completo acesse:
http://www.4shared.com/document/_S1pWeAh/Selo_Ambiental_Estudo _do_Meio.html
A reprodução do material está autorizada, desde que, citada fonte e para fins não comerciais.
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