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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Estrutura política na Suécia.

Estranhamente este vídeo tem desaparecido de alguns perfis.
Pois bem, recomendo baixar o vídeo e colocar no seu perfil.
Mantenha-o em seu computador e se "sumir", poste novamente.

Você, que é professor, também pode utilizar este vídeo para travar uma discussão em sala de aula comparando o "lá" com o "cá".

No primeiro momento, apresente o vídeo e pergunte o que eles conhecem sobre a estrutura dos poderes no Brasil, em seguida solicite uma pesquisa sobre a estrutura do Executivo e Legislativo no Brasil (Federal, Estadual e Municipal). Caso a escola possua sala de informática você poderá fazer junto com eles.

Depois construa um quadro de "privilégios" ou "direitos" que eles tem, faça a discussão e, por fim, solicite uma produção textual com a opinião dos alunos.

Essa produção textual pode ser publicada, após a correção coletiva", em blogs, página do face, jornal da escola, mural ou aonde mais achar necessário, inclusive na minha própria página que está a disposição.

Duração: 4 aulas aproximadamente.
Conteúdos Conceituais: Estrutura Política, Poderes Executivo e Legislativo. Deputados Federal e Estadual, Senadores e Vereadores. Presidente, Governador e Prefeito. Monarquia e República. Presidencialismo e Parlamentarismo.
Conteúdos Procedimentais: Atenção ao vídeo, Discutir em grupo, Apresentar seu ponto de vista através da oratória e da escrita, Pesquisar em mídia eletrônica.
Conteúdos Atitudinais: Desenvolver a consciência crítica sobre a estrutura política do Brasil e ter discernimento para comparar com outros países. Postar-se criticamente diante de eventuais regalias que alguns membros dos poderes brasileiro possam ter.

Avaliação: Construção do quadro de "privilégios ou "direitos" - Produção textual

http://www.youtube.com/watch?v=MA7T0AkTBdI&feature=youtu.be

Prof. Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
icguedes@ig.com.br

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Manifestações ou vandalismo?

As manifestações nas cidades em que houvera aumento da tarifa do ônibus são altamente justificáveis. O governo não negocia com a população, negocia com empresas, que visam ao lucro e nada mais.

O que a mídia e o governo chamam de “vandalismo” é a insatisfação daqueles que não aguentam mais as balelas dos governos em “negociar pacificamente”. Não existe negociação pacífica entre governos e empresas, porque haveria entre governo e população?

Se o cidadão deixasse seu carro em casa e fosse trabalhar de ônibus e metrô saberia o que é passar mais de 2 horas no trânsito apertado e pagando o absurdo que se paga pela péssima prestação de serviço.

Me indigna os governos petistas classificarem as manifestações como atos de vandalismos, eles que tiveram uma origem marxista deveriam saber muito bem sobre como se faz um protesto popular, mas agora que estão no poder em muitas cidades e no governo federal mudam de lado como fizeram os porcos (A revolução dos bichos de George Orwell), já os do PSDB que vieram do MDB deveriam atentar-se mais aos problemas da sociedade e não ao interesse financeiro das empresas.

Alias, a mensagem que eu mandei para a EMTU sobre o motorista ser cobrador ainda não foi respondida. Isso é negociação pacífica?

Vão me desculpar, mas eu acho o povo brasileiro muito pacato. Essas pequenas manifestações contra o aumento dos ônibus, contra a corrupção, contra esses governos podres, eleitos por voto de cabresto ainda não é nem um terço do que realmente precisávamos: Uma revolução na educação e nas ruas para um povo realmente consciente e solidário. Mas isso é quase uma utopia.

Por enquanto o que vou continuar vendo são esses idealistas lutando na rua contra a polícia (que obedece a ordens) e não contra os governos, que de certa forma ajudaram eleger.

A propósito, sobre o vandalismo? Vandalismo é o que os governos e as empresas vêm fazendo com a população há tempos: Sucateamento proposital da saúde, da segurança, da educação. Diminuição dos salários, flexibilização das leis trabalhistas, diminuição dos direitos das minorias populares e aumento dos direitos e privilégios da minoria elitista. Aumento das políticas populistas, aumento das taxas de juros e inflação, aumento das expectativas para os especuladores e diminuição do poder de compra do cidadão trabalhador. Isso é vandalismo, isso deve ser combatido e rechaçado. 

E quem é contra essas manifestações, que pegue seu carro e vá passear na cidade, pagando 2,80 no litro da gasolina.


Prof. Ivan Claudio Guedes

domingo, 21 de abril de 2013

A PARALISAÇÃO DOS PROFESSORES E OS PROFESSORES PARALISADOS

A PARALISAÇÃO DOS  PROFESSORES E OS  PROFESSORES PARALISADOS:  

Reflexos de uma crise.


Desde o final de 2011 que ouvimos falar em uma mobilização nacional para forçar os Estados, os Municípios e o Distrito Federal a cumprirem a Lei n. 11.738 de 2008 (chamada Lei do Piso) que institui nos seus oito artigos o piso salarial nacional dos profissionais do magistério público da educação básica, a composição da jornada de trabalho, reservando o limite máximo de 2/3 da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos e 1/3 em Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC) e Aula de Trabalho Pedagógico Livre (ATPL) e, também sobre o Plano de Carreira. Pois bem, desde 2008 que vem se travando a discussão sobre essa Lei, e pouquíssimos Sistemas de Ensino vem cumprindo-a integralmente. Alguns cumprem a parte do salário, outros cumprem com o Plano de Carreira. Não conhecemos nenhum que cumprissem com as horas de atividade com alunos. 


 O que nos chamou a atenção foi a ausência desse debate desde que a Lei foi publicada em 2008. Nas escolas foram raras as oportunidades de discussão durante as Horas de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), agora denominadas ATPC. Nas redes sociais, também pouco se falou. Entretanto, há alguns meses esse debate ganhou espaço (nas redes sociais). Indiferentes a isso, continuamos sem debater esses assuntos nas escolas. 

 O tempo foi passando e a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) convocou uma paralisação nacional para os dias 14, 15 e 16 de Março de 2012. Desde o início de 2012 que estamos acompanhando essa tentativa de mobilização.

Independentemente do corrente ano eleitoral e dos interesses políticos e, sobretudo partidários que permeiam esse debate, gostaríamos de centrar nosso foco sobre a figura do professor e sua formação filosófica, ou política. Já faz algum tempo que as ciências humanas perderam sua função na educação básica (se é que alguma vez, realmente tiveram essa função) que é a de proporcionar ao aluno uma reflexão crítica e autônoma sobre os acontecimentos sociais. Com a expansão descontrolada e a monetarização desenfreada do ensino superior no Brasil as ciências humanas também perderam seus espaços (inclusive dentro dos próprios cursos de ciências humanas). É comum hoje verificar cursos de Pedagogia, Filosofia, História, Geografia, Letras, Sociologia, entre outros, uma formação a “toque de caixa”, sem que haja leituras essenciais para a formação deste profissional ou debates em torno das ideias centrais do seu ramo de atuação. Isso posto, é de se esperar que o futuro profissional não domine sua área de atuação e seja um trabalhador “meia boca”. Para deixar mais claro, é possível citar José Carlos Libâneo (Adeus Professor, Adeus Professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. Ed. Cortez, 1998) em que no terceiro capítulo o autor faz uma brilhante análise da desprofissionalização do docente, mediante o sistema neoliberal de ensino. Em que o professor é formado sem que haja condições deste partir para o mercado de trabalho plenamente qualificado e, sendo assim, também formará alunos sem qualificação. 

 O que queremos discutir aqui é que os professores, diferentemente de outras categorias (tais como os metalúrgicos, os petroleiros, os mineradores, os caminhoneiros...) não sabem, ou não querem, brigar pelos seus direitos trabalhistas. Talvez a sensibilidade do professor diante do turbilhão de atividades e controvérsias que permeiam seu trabalho tenha diminuído seu interesse em formar cidadãos livres e conscientes do seu papel social. Entretanto, cabe outra citação. Desta vez, verificamos em Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido. Ed. Paz e Terra, 1987) é dito que é preciso ensinar ao oprimido que ele o é, e portanto, a partir da sua consciência de oprimido adquirida, o mesmo tenha condições de emancipar-se intelectualmente. Pois bem, fazse a questão: Como ensinar a um oprimido que ele o é, se o professor também o é e não sabe? 

Como criar uma sociedade emancipada e democrática se o professor, papel central neste processo, não é emancipado e muito menos democrático? Como formar um aluno crítico e consciente dos seus deveres e direitos se o professor também não tem consciência dos seus? 

As faculdades não proporcionam tal formação para seus alunos, por conta de um currículo enxuto, mensalidades baixas para atrair qualquer tipo de aluno-pagante, salas superlotadas (100 – 150 alunos, sem exagero), professores mal remunerados, e portanto, sobrecarregados de aulas e sem estímulo para continuarem sua formação (até porque se continuarem a formação se tornarão profissionais mais caros), falta de pesquisa e publicações acadêmicas, cortes de custos a qualquer preço, a quantidade e o lucro em detrimento da qualidade do ensino, são alguns dos fatores que contribuem para o círculo vicioso, má formação gerando má formação, ou seja, o professor mal formado no ensino básico, também é mal formado no ensino superior e vai contribuir com a má formação no ensino básico. 

Se formos analisar a situação sob esta ótica, veremos que os sindicatos e seus diretores, pessoas astutas e possuidores de uma oratória invejada, utilizam-se deste círculo vicioso na razão direta dos seus interesses políticospartidários, pois sabendo que o professorado é mal formado politicamente e também não 
consciente da sua posição de formador de opinião, usam os mesmos como massa de manobra, assim como o governo, usa desse expediente para reforçar o círculo vicioso que resulta na má formação do aluno que por sua vez ao se formar numa faculdade também terá grandes chances de ser um mal profissional. 





Tal situação, a má formação do professor, foi no citada no “Jornal da Educação” em sua edição on-line nos idos de 2007 onde é dito que os mestres e doutores, responsáveis pela formação dos profissionais da educação, deveriam assumir parte na responsabilidade da má formação dos alunos da educação básica, 
pois eles tem participação nesse processo, haja visto que eles formam os professores. O mesmo jornal cita ainda a possibilidade, caso o governo fosse sério (adendo nosso), de que todos os professores poderiam ser chamados a fazer atualizações e especializações GRÁTIS (grifo nosso). Impossível? Não nos parece. Afinal seria uma bela demonstração de seriedade. Alguns, menos avisados, poderiam aventar de que o governo já proporciona bolsa mestrado e doutorado para os professores da rede. Mas, isso é em número reduzido e insignificante para uma rede de aproximadamente 200 mil profissionais da educação. É necessário mais, muito mais. 

Segundo Cunha (CUNHA, M. I. Aprendizagens significativas na formação inicial de professores: um estudo no espaço dos Cursos de Licenciatura. Artigo on line, disponível em http://168.96.200.17/ar/libros/anped/0425T.PDF), ”Não são os conteúdos ou as informações que carregam as relações sociais que geram a reprodução social ou cultural, mas a forma de transmissão, entendida como a teia de relações de poder e de subjetividade que a permeiam”. Daí deduz-se que o especialista recém-formado, muitas vezes, não detém a capacidade necessária para a devida transmissão do conhecimento adquirido. Ele é de fato um especialista em sua área, porém em um mundo globalizado e contextualizado, como o de hoje, talvez fosse necessária uma formação acadêmica global. 

Seria o professor do tipo “canivete suíço”. Como um professor desse naipe, provavelmente, custaria mais caro às universidades e faculdades elas acabam optando por aqueles que possuem o conteúdo, porém vazios de competência. Onde isso irá desembocar? Claro, evidentemente na má formação do aluno do Ensino Básico.

Ainda referenciando Cunha, ”esse profissional mal preparado vai encontrar dificuldade para se encaixar no mercado. Vai, então, para a especialização na Pós-Graduação. Escolhe uma área específica, forma-se, e vai dar aula. Seu método será o mesmo utilizado pelo professor que ele teve durante a graduação. E a inovação? Sem ela, não há mudança.” De fato, como o professor ,durante a sua especialização, não inovou em nada, há de se entender que nada irá mudar e ele agora com diploma na mão irá ensinar exatamente aquilo que aprendeu e da forma que aprendeu. Faz-se necessária uma ruptura epistemológica que permita reconfigurar os conhecimentos para além das regularidades propostas pelo paradigma da modernidade. Percebemos então que, o balaio é muito maior do que imaginávamos inicialmente.

Por fim, podemos concluir afirmando que há interesses por parte de alguns grupos sociais para que a formação inicial e continuada do professor seja de baixa qualidade. Há interesses políticos e econômicos evidentes para que a formação da educação básica seja de baixa qualidade. Esses interesses partem de diversos lugares, tanto do Governo, quando dos sindicatos e das empresas que precisam de mão-de-obra semi qualificada e barata. Para quebrar esse ciclo só existe um meio: Estudar. Amigo professor, é preciso estudar mais! 

Publicado em http://www.gazetavaleparaibana.com/065.pdf p. 9

Autores:
Prof. Omar de Camargo
omacam@professor.sp.gov.br
Prof. Ivan Claudio Guedes
icguedes@professor.sp.gov.br

domingo, 2 de setembro de 2012

Ciências Políticas na Escola

http://www.gazetavaleparaibana.com/058.pdf

Há exato um mês, lançamos o movimento “Ciência Política na Escola Básica”. Um movimento que pretende coletar 1.300.000 assinaturas e enviar ao Congresso Nacional para que seja incluída nas grades curriculares das escolas de ensino fundamental II e médio a disciplina de Ciência Política.

No nosso artigo de Julho, aqui pela Gazeta Vale Paraibana, explicamos de maneira bem generalizada o que gostaríamos de atingir com essa campanha. A princípio criamos um grupo pelo facebook para discutir o projeto e a viabilidade deste.

A ideia tomou forma e fizemos o lançamento oficial do movimento no dia 01/08/2012. Comemoramos cada assinatura, cada palavra de apoio ao projeto, criamos um blog para divulgar o projeto de lei: blog para divulgar o projeto de lei: www.politicanaescolabasica.blogspot.com, página no facebook facebook.com/cienciapoliticanaescolabasica, twitter (@Politicanaesc), email  cienciapoliticanaescola@gmail.com; Enfim, demos corpo ao projeto e iniciamos a campanha.


Não demorou e as críticas também chegaram. Dessas críticas podemos destacar a do Filósofo Paulo Ghiraldelli que acredita se tratar de um movimento de fragmentação das ciências humanas uma vez que, no seu entender, poderia trazer uma fragilização das disciplinas de Geografia, História, Filosofia e Sociologia, além de que o conteúdo “Política” seria tratado transversalmente nas disciplinas citadas.

Outras críticas também merecem destaques tais como: “Os professores de humanas vão perder aula”; “Organização Social e Política do Brasil (OSPB) e Educação Moral e Cívica tratavam desses assuntos”; “As escolas têm autonomia para montar o currículo”; “o Brasil já tem muita lei, pra que criar mais uma”, ou mais recentemente as pérolas emitidas pelo twitter pelo economista Gustavo Ioschpe que classificou o projeto como “desastroso” e que “o currículo precisa ser reduzido, não aumentado. E política em sala de aula vira doutrinamento” (sic).

Pois bem, às críticas emitidas gostaríamos de esclarecer que as disciplinas de História, Geografia, Sociologia e Filosofia possuem objetos de estudos próprios e a grade de temas propostos no projeto de lei não são contemplados pelas disciplinas citadas. Tanto que antes de lançar o projeto fizemos uma pesquisa em mais de trinta livros que são utilizados pelas escolas básicas. Quanto a diminuição de carga horária dos professores, o projeto de lei contempla a atribuição dos professores a que se refere essa disciplina de Ciência Política.

Os conteúdos de OSPB e Educação Moral e cívica eram utilizados com outros fins pelo governo da época, e o Decreto Lei 869/68 não pautava os conteúdos para serem abordados. Ainda que as escolas tenham uma relativa autonomia para montar seu currículo, são raras as escolas (não conhecemos nem uma escola pública) que modificam seus currículos diante das orientações oficiais dos sistemas estaduais e municipais. Ainda assim, mediante uma lei específica são criadas e retiradas disciplinas obrigatórias do currículo escolar mediante o interesse público e o contexto social e histórico que o país vive.

Quanto às críticas emitidas pelo economista, o mesmo é a favor da reforma do MEC que pretende juntar as disciplinas do ensino médio, com o único propósito de aumentar os pífios índices do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Ora, o MEC resolveu melhorar a nota do IDEB abaixando a qualidade da escola básica (pública, sobretudo), juntando Química, Física e Biologia em uma única disciplina, História, Geografia, Filosofia e Sociologia em uma mesma disciplina. Lembrando que as escolas têm autonomia para montar seus currículos, provavelmente as escolas particulares continuarão com o currículo tradicional, uma vez que o seu aluno sairá melhor preparado do que aquele te teve aula de “tudo junto e misturado”. Sendo assim, volta-se à nossa tradicional pergunta “a quem interessa o ensino público sem qualidade”?

Quantas Organizações não Governamentais (OnG’s) se beneficiam de investimentos públicos e privados (que acabam sendo públicos, por conta da dedução de impostos) para aplicarem seus projetos que “salvam a educação”?

Querem melhorar a nota do IDEB é fácil, diminuam a quantidade de alunos por sala de aula, melhorem a fiscalização sobre a formação inicial e continuada do professor, garantam com que o professor efetivamente trabalhe em uma única unidade escolar e seja bem remunerado por isso, criem um plano de carreira para o magistério que realmente valorize esta carreira.

Todos os questionamentos acima apresentados esbarram nas questões políticas, não estamos falando em questões partidárias, mas políticas, pois um povo que tem consciência dos seus deveres tende a conscientizar-se, inclusive dos seus direitos, e não o contrário.

Só para finalizar, contabilizamos neste primeiro mês: 310 assinaturas, 427 “curtir” na nossa página e 24 seguidores no Twitter. Os números são baixos? Podem ser, mas estamos no primeiro mês.

Omar de Camargo
omacam@professor.sp.gov.br
Técnico Químico, Professor em Química
Pós-Graduado em Química

Ivan Claudio Guedes
icguedes@ig.com.br
Geógrafo e Pedagogo, especialista eem Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em
Geologia.

Ambos apresentam o Programa
E Agora José?
Aos domingos das 18h as 20h
na
CULTURAonline BRASIL
www.culturaonlinebr.org

terça-feira, 31 de julho de 2012

Ciência Política na escola básica


PROJETO DE LEI DE INICIATIVA POPULAR, DE 2012


Inclui-se o parágrafo 7 ao art. 26 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino de Ciências Políticas na educação básica.


O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º Inclui-se § 7º ao art. 26 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que passará a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 26....................................
.................................................................
§ 7º O ensino de Ciências Políticas, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação básica, a partir do ensino fundamental II.
Parágrafo único: As matérias referentes às Ciências Políticas constam em anexo.

                   Art. 2º. Dar-se-á preferência aos docentes habilitados em Filosofia, Geografia, História ou Sociologia, não necessariamente nesta ordem, para ministrarem esta disciplina.

Art. 3º. Os sistemas de ensino terão prazo de três (3) anos para se adaptarem à obrigatoriedade da inclusão de Ciências Políticas como disciplina obrigatória no ensino básico, a partir do ensino fundamental II.

Art. 4º. O Conselho Nacional de Educação e o Ministério da Educação deverão elaborar, em um prazo de dois anos, Parâmetro Curricular Nacional desta disciplina abordando, inclusive, o quadro de temas em anexo.

Art. 5º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICATIVA
A publicação da Lei nº 11.684 em 2008 incluiu a obrigatoriedade do ensino de Filosofia e Sociologia nos cursos de Ensino Médio. Entretanto, tais disciplinas, ainda que de suma importância para aguçar a criticidade dos alunos, bem como contribuir com o exercício da cidadania, não abordam questões que envolvam o conhecimento sobre a estrutura política.
 Compreendemos que uma disciplina específica que ensine conceitos básicos da estrutura política possa contribuir significativamente para o desenvolvimento da nação, no que diz respeito à escolha dos representantes da população e ao exercício dos direitos e deveres de todos.
A inclusão desta disciplina no ensino fundamental II fará com que os jovens discutam e reflitam sobre assuntos ligados à vida pública formando adultos participativos no meio social.
O artigo 27 da lei nº 9.394/1996, I, diz que os conteúdos curriculares da educação básica devem observar a difusão de valores fundamentais aos interesses sociais, aos direitos e deveres do cidadão, de respeito ao bem comum e à ordem democrática, entretanto, no que concerne às disciplinas de Filosofia, Geografia, História e Sociologia, ambas tratam de assuntos pertinentes à vida em sociedade mas, não aos assuntos de Ciência Política, tais como as que se encontram em anexo.
Ressaltamos que o artigo 26 §6º (incluído pela Lei 11.769/2008) e o artigo 26-A (incluído pela Lei nº 11.645/2008), definem os conteúdos de música e, história e cultura afro-brasileira, respectivamente. Mas o que se observa nas escolas, é a negligência dos mesmos por falta de planejamento, orientação, suporte ou padronização de conteúdos. O mesmo acontece com a educação ambiental (Lei nº 9.795/1999) e a educação para o trânsito (Lei nº 9.503/2007).
Por isso reiteramos a necessidade de se incluir tal disciplina no currículo da educação básica para o real cumprimento dos conteúdos, e pleiteamos a aprovação deste projeto, visando o interesse do bem comum.






Anexo:
Quadro de temas – Ciência Política

·         Ética
·         Cidadania
·         Direitos e Deveres
·         Direitos Humanos.
·         Representações populares (sindicatos, agremiações e associações)
·         Leis, normas e decretos: Como são criadas e modificadas.
·         Eleições
·         Partidos políticos
·         Poder Executivo – Seus representantes e suas funções;
·         Poder Legislativo – Seus representantes e suas funções;
·         Poder Judiciário – Seus representantes e suas funções.
·         Comissões parlamentares
·         Ministérios e secretarias.
·         A Constituição da República Federativa do Brasil
·         Estatuto da Criança e do Adolescente
·         Código de Trânsito
·         Código Penal
·         Políticas de reparação
·         História da administração pública no Brasil
·         Sistemas políticos


Para votar clique em http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/9760

Seu título de eleitor pode ser encontrado aqui http://www.tse.jus.br/eleitor/titulo-e-local-de-votacao

domingo, 1 de julho de 2012

A QUEM INTERESSA UMA EDUCAÇÃO SEM QUALIDADE?

A QUEM INTERESSA UMA EDUCAÇÃO SEM QUALIDADE?

As discussões sobre a função da escola deve ultrapassar os muros da escola e tomar espaços nas ruas.

        
    Em 2008 o então Ministro da Educação Sr. Tarso Genro, hoje Governador do estado do Rio Grande do Sul; lançou, com toda a pompa, o Plano Nacional de Educação (PNE), para o decênio 2010 - 2020. As dezenas de metas não alcançadas no primeiro PNE (2000-2010) fizeram com que esse outro plano fosse mais objetivo e enxuto, ou seja, passível de ser alcançado. Entretanto, como estamos em um país em que tudo é demorado, moroso e eleitoreiro, algo tinha que dar errado. Das vinte metas estabelecidas, justamente a 20º meta travou todo o sistema.

            Em 16/03/2010 o jornal O GLOBO publicou que em 2008, o investimento público em educação era de 4,7 % do PIB e isso refletia um crescimento de 0,2 % em relação do ano anterior. Na ocasião entidades e especialistas, inclusive a ONU, através do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), recomendavam que o percentual, deveria ser de 8 % do PIB. Em abril do mesmo ano a CONAE (Conferência Nacional de  Educação) se reuniu para tratar das diretrizes no novo PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (PNE). Especulações a respeito diziam que o percentual deveria ficar entre 10 e 12 pontos percentuais do PIB. Já se fazia sentir, na época, que a defasagem do investimento na educação pública provocaria um déficit educacional gravíssimo caso não fosse o percentual melhorado, e bastante. Daniel Cara, então presidente da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, defendia um patamar maior do que 6% e o que estava sendo apresentado pelo Ministro Tarso Genro não garantia a qualidade preconizada pela LDB e pela Constituição Federal.


            Após muitas idas e vindas, o atual PNE foi apresentado ao Congresso em 15 de dezembro de 2010. Porém, o Plano foi gerado na administração do Sr. Tarso Genro, sendo consumado na gestão do ministro Fernando Haddad. De lá para cá muito se tem falado e modificado o plano. O plano foi gerado em 2008, apresentado ao congresso nacional em 2010 e estamos em 2012. Ou seja, quatro anos se foram sem que o plano fosse rejeitado ou aprovado em definitivo. Apresentaram “N” motivos para tal morosidade na aprovação desse plano, e nesse contexto, perguntamos:





             - A quem interessa que continuemos com os problemas tão decantados em verso e prosa nesse país? Se um monte de especialistas e não especialistas em educação sabem onde estão os problemas da educação e como fazer para resolvê-los, porque não é feito?


            Durante as discussões do PNE vários movimentos sociais discutiram a viabilidade de aplicar-se 10% do PIB nacional, na educação. Ótimo! Aliás, seria ótimo. Se não fosse  dois grandes problemas – a má utilização dos recursos públicos e a corrupção.


            Bem sabemos da ganância dos nossos governantes pela reeleição e pela continuidade dos seus mirabolantes planos que nunca resolvem nada é assombrosa.


            Atualmente somos a 6ª maior economia do mundo e ocupamos a 88ª posição no ranking de educação, segundo avaliações externas. Mas, a sexta posição no ranking dentro de pouco tempo não irá perdurar, pois sem a formação de pessoal capacitado ficará difícil manter essa situação.


Parece-nos que tudo faz parte de um plano muito bem elaborado para manter a população sob o jugo paternalista do governo, pois teremos mais e mais benesses do governo com a finalidade de suprir a falta de capacidade das pessoas de se manterem em empregos, ou seus filhos na escola, ou de ter acesso à saúde, ou ainda de ir e vir com segurança. Logo, logo inventarão o Bolsa Segurança, o Bolsa Saúde ou sabe-se lá mais o quê. Percebam que se isto acontecer os beneficiados acharão tudo lindo e maravilhoso e darão uma solução de continuidade ao processo político eleitoreiro.


            Então somos nós do Programa “E agora José ?” que somos intolerantes ? Ou chatos? Ou ainda como nos disseram certa vez – “vocês criticam qualquer coisa”. Percebam que ao que tudo indica existe sim uma manobra sórdida por trás desses planos mirabolantes. E sempre que muda o governo as políticas educacionais mudam, como  se o antecessor nada soubesse de educação.


            Consideramos o tripé: Educação, Saúde e Segurança como políticas apartidárias, ou seja, acima dos interesses políticos. Há um interesse maior do que qualquer partido. É o país. Mas, ao que tudo indica os políticos fogem do povo culto e consciente assim como o diabo foge da cruz. Claro, isso é perfeitamente compreensível, pois se o povo se tornar culto, consciente de seus direitos e deveres não haverá mais espaço para esses políticos de fachada.
            Parece-nos que estamos numa sinuca de bico!


            Se a cada ano que passa, mais e mais jovens são despejados no mercado trabalhista e notoriamente sem condições de irem adiante em seus estudos. Quando conseguem adentrar a uma faculdade se deparam com um grande e enorme ensino médio que leva o nome de ensino superior. Qual a qualidade desse universitário? Em se tratando de licenciandos qual é  prática que ele irá levar aos seus futuros alunos? Parece-nos um grande círculo vicioso, ou melhor uma grande espiral que gira em descendente sem fim, que discutimos há dois meses nesse mesmo jornal (Os professores e a lei, Gazeta Vale Paraibana, Ed. 53, Abril/2012, p. 13.).


O que nos deixa pasmos, perplexos mesmo é o não comprometimento dos nossos políticos com o país. Em momento algum eles esquecem-se de seus partidos políticos, mas raramente se lembram de que o país precisa começar agora a sair dessa espiral que nos arrasta ralo abaixo. Corremos o risco de em breve importamos mão de obra especializada por simples falta de empregados capacitados. E não será com planos mirabolantes  ou com o aumento da parcela do PIB que iremos resolver isso. O problema é bem maior do que isso. Como dissemos não é quantidade de dinheiro e sim como ele é gasto. É na verdade a má administração do dinheiro público além, claro, da corrupção que parece enfronhada na pele dos políticos.


Considerem ainda que nem falamos da falta de um plano de carreira estimulante para os professores, o que poderia acrescentar pontos positivos na solução do problema. Não falamos dos baixos salários. Não falamos da falta de condições de trabalho nas escolas públicas. Não falamos da total falta de infraestrutura das escolas de período integral e das escolas normais. Como se tudo isso não bastasse esbarramos também em maus profissionais.


Mas, nesse momento, não queremos nada disso. Só queremos que o PNE saia do papel logo e comece a ser colocado em prática.


O texto na íntegra do PNE pode ser acessado em http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/noticias/12514/mec-divulga-plano-nacional-de-educacao-2011-2020


Omar de CamargoTécnico Químico
Professor em Química
Pós-Graduado em Química
omacam@professor.sp.gov.br


Ivan Claudio GuedesGeógrafo e Pedagogo, especialista em Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
Vice-Diretor de escola da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.
Professor do curso de Pedagogia da Faculdade Método de São Paulo.
Palestrante e consultor nas áreas de Meio Ambiente e Educação.
icguedes@ig.com.br
Ambos apresentam o Programa E Agora José? Aos domingos das 18h as 20h no http://www.culturaonlinebr.org

Este texto foi publicado originalmente no jornal Gazeta Valeparaibana. p. 13 http://www.gazetavaleparaibana.com/056.pdf

domingo, 22 de abril de 2012

MOBILIZAÇÃO DOS PROFESSORES

MOBILIZAÇÃO DOS PROFESSORES

A paralisação dos professores e os professores paralisados: um simples trocadilho ou um fato?





Desde o final de 2011 que ouvimos falar em uma mobilização nacional para forçar os Estados, os Municípios e o Distrito Federal a cumprirem a Lei n. 11.738 de 2008 (chamada Lei do Piso) que institui nos seus oito artigos o piso salarial nacional dos profissionais do magistério público da educação básica, a composição da jornada de trabalho, reservando o limite máximo de 2/3 da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos e 1/3 em Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC) e Aula de Trabalho Pedagógico Livre (ATPL) e, também sobre o Plano de Carreira. Pois bem, desde 2008 que vem se travando a discussão sobre essa Lei, e pouquíssimos Sistemas de Ensino vem cumprindo-a integralmente. Alguns cumprem a parte do salário, outros cumprem com o Plano de Carreira. Não conhecemos nenhum que cumprissem com as horas de atividade com alunos. 

O que nos chamou a atenção foi a ausência desse debate desde que a Lei foi publicada em 2008. Nas escolas foram raras as oportunidades de discussão durante as Horas de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), agora denominadas ATPC. Nas redes sociais, também pouco se falou. Entretanto, há alguns meses esse debate ganhou espaço (nas redes sociais). Indiferentes a isso, continuamos sem debater esses assuntos nas escolas. O tempo foi passando e a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) convocou uma paralisação nacional para os dias 14, 15 e 16 de Março de 2012. Desde o início de 2012 que estamos acompanhando essa tentativa de mobilização. Independentemente do corrente ano eleitoral e dos interesses políticos e, sobretudo partidários que permeiam esse debate, gostaríamos de centrar nosso foco sobre a figura do professor e sua formação filosófica, ou política. 

Já faz algum tempo que as ciências humanas perderam sua função na educação básica (se é que alguma vez, realmente tiveram essa função) que é a de proporcionar ao aluno uma reflexão crítica e autônoma sobre os acontecimentos sociais. Com a expansão descontrolada e a monetarização desenfreada do ensino superior no Brasil as ciências humanas também perderam seus espaços (inclusive dentro dos próprios cursos de ciências humanas). É comum hoje verificar cursos de Pedagogia, Filosofia, História, Geografia, Letras, Sociologia, entre outros, uma formação a “toque de caixa”, sem que haja leituras essenciais para a formação deste profissional ou debates em torno das ideias centrais do seu ramo de atuação. Isso posto, é de se esperar que o futuro profissional não domine sua área de atuação e seja um trabalhador “meia boca”. Para deixar mais claro, é possível citar José Carlos Libâneo (Adeus Professor, Adeus Professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. Ed. Cortez, 1998)  em que no terceiro capítulo o autor faz uma brilhante análise da desprofissionalização do docente, mediante o sistema neoliberal de ensino. Em que o professor é formado sem que haja condições deste partir para o mercado de trabalho plenamente qualificado e, sendo assim, também formará alunos sem qualificação. 

O que queremos discutir aqui é que os professores, diferentemente de outras categorias (tais como os metalúrgicos, os petroleiros, os mineradores, os caminhoneiros...) não sabem, ou não querem, brigar pelos seus direitos trabalhistas. Talvez a sensibilidade do professor diante do turbilhão de atividades e controvérsias que permeiam seu trabalho tenha diminuído seu interesse em formar cidadãos livres e conscientes do seu papel social. Entretanto, cabe outra citação. Desta vez, verificamos em Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido. Ed. Paz e Terra, 1987) é dito que é preciso ensinar ao oprimido que ele o é, e portanto, a partir da sua consciência de oprimido adquirida, o mesmo tenha condições de emancipar-se intelectualmente. Pois bem, fazse a questão: Como ensinar a um oprimido que ele o é, se o professor também o é e não sabe? 

Como criar uma sociedade emancipada e democrática se o professor, papel central neste processo, não é emancipado e muito menos democrático? Como formar um aluno crítico e consciente dos seus 
deveres e direitos se o professor também não tem consciência dos seus? 

As faculdades não proporcionam tal formação para seus alunos, por conta de um currículo enxuto, mensalidades baixas para atrair qualquer tipo de alunopagante, salas superlotadas (100 – 150 alunos, sem exagero), professores mal remunerados, e portanto, sobrecarregados de aulas e sem estímulo para continuarem sua formação (até porque se continuarem a formação se tornarão profissionais mais caros), falta de pesquisa e publicações acadêmicas, cortes de custos a qualquer preço, a quantidade e o lucro em detrimento da qualidade do ensino, são alguns dos fatores que contribuem para o círculo vicioso, má forma-
ção gerando má formação, ou seja, o professor mal formado no ensino básico, também é mal formado no ensino superior e vai contribuir com a má formação no ensino básico.  

Se formos analisar a situação sob esta ótica, veremos que os sindicatos e seus diretores, pessoas astutas e possuidores de uma oratória invejada, utilizam-se deste círculo vicioso na razão direta dos seus interesses políticos-partidários, pois sabendo que o professorado é mal formado politicamente e também não consciente da sua posição de formador de opinião, usam os mesmos como massa de manobra, assim como o governo, usa desse expediente para reforçar o círculo vicioso que resulta na má formação do aluno que por sua vez ao se formar numa faculdade também terá grandes chances de ser um mal profissional. 

Tal situação, a má formação do professor, foi no citada no “Jornal da Educação” em sua edição on-line nos idos de 2007 onde é dito que os mestres e doutores, responsáveis pela formação dos profissionais da educação, deveriam assumir parte na responsabilidade da má formação dos alunos da educação básica, pois eles tem participação nesse processo, haja visto que eles formam os professores. O mesmo jornal cita ainda a possibilidade, caso o governo fosse sério (adendo nosso), de que todos os professores poderiam ser chamados a fazer atualizações e especializações GRÁTIS (grifo nosso).  Impossível? Não nos parece. Afinal seria uma bela demonstração de seriedade. Alguns, menos avisados, poderiam aventar de que o governo já proporciona bolsa mestrado e doutorado para os professores da rede. Mas, isso é 
em número reduzido e insignificante para uma rede de aproximadamente 200 mil profissionais da educação. É necessário mais, muito mais. 

Segundo Cunha (CUNHA, M. I. Aprendizagens significativas na formação inicial de professores: um estudo no espaço dos Cursos de Licenciatura. Artigo on line, disponível em: h t t p : / / 1 6 8 . 9 6 . 2 0 0 . 1 7 / a r / l i b r o s /anped/0425T.PDF),  ”Não são os conteúdos ou as informações que carregam as relações sociais que geram a reprodução social ou cultural, mas a forma de transmissão, entendida como a teia de relações de poder e de subjetividade que a permeiam”. Daí deduz-se que o especialista recémformado, muitas vezes, não detém a capacidade necessária para a devida transmissão do conhecimento adquirido. Ele é de fato um especialista em sua área, porém em um mundo globalizado e contextualizado, como o de hoje, talvez fosse necessária uma formação acadêmica global. Seria o professor do tipo “canivete suíço”. Como um professor desse  naipe, provavelmente, custaria mais caro às universidades e faculdades elas acabam optando por aqueles que possuem o conteúdo, porém vazios de competência. Onde isso irá desembocar? Claro, evidentemente na má formação do aluno do Ensino Básico. 

Ainda referenciando Cunha, ”esse profissional mal preparado vai encontrar dificuldade para se encaixar no mercado. Vai, então, para a especialização na Pós-Graduação. Escolhe uma área específica, forma-se, e vai dar aula. Seu método será o mesmo utilizado pelo professor que ele teve durante a graduação. E a 
inovação? Sem ela, não há mudança.” De fato, como o professor ,durante a sua especialização, não inovou em nada, há de se entender que nada irá mudar e ele agora com diploma na mão irá ensinar exatamente aquilo que aprendeu e da forma que aprendeu. Faz-se necessária uma ruptura epistemológica que permita reconfigurar os conhecimentos para além das regularidades propostas pelo paradigma da modernidade.

 Percebemos então que, o balaio é muito maior do que imaginávamos inicialmente. Por fim, podemos concluir afirmando que há interesses por parte de alguns grupos sociais para que a formação inicial e continuada do professor seja de baixa qualidade. Há interesses políticos e econômicos evidentes para que a formação da educação básica seja de baixa qualidade. Esses interesses partem de diversos lugares, tanto do Governo, quando dos sindicatos e das empresas que precisam de mão-de-obra semi qualificada e barata.  

Para quebrar esse ciclo só existe um meio: Estudar. Amigo professor, é preciso estudar mais!

Omar de Camargo 
Técnico Químico
Professor em Química
Pós-Graduado em Química

Ivan Claudio Guedes 
Geógrafo e Pedagogo.


Texto disponível em http://www.gazetavaleparaibana.com/053.pdf
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