Mostrando postagens com marcador Tecnologia na educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tecnologia na educação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de maio de 2014

SOBRE O USO DO CELULAR EM SALA DE AULA

SOBRE O USO DO CELULAR EM SALA DE AULA

É preciso discutir o uso deste aparelho e disciplinar sua função em uma sala de aula.


Começaremos lembrando que a lei estadual 12.730 de outubro de 2007 (São Paulo) proíbe o uso do celular em sala de aula, e que cabe à escola disciplinar o seu uso.

Sabemos que o celular é um equipamento que faz parte da própria indumentária das pessoas e que hoje em dia esses equipamentos possuem uma capacidade tal que podemos dizer que é um mini-notebook além de fotografar, gravar entre outras coisas. Hoje podemos afirmar, inclusive, que o celular hoje já faz parte do corpo humano. Mas na escola, portar celular ainda é um tabu.

A UNESCO publicou em 2013 um relatório, ou melhor, um guia com 10 dicas para o uso de tecnologia móvel. Reproduzimos abaixo o infográfico que explica essa situação:



Observe que o infográfico ilustra, de forma positiva, as vantagens de se utilizar o celular em diferentes contextos, trazendo a tecnologia para o benefício humano e seu desenvolvimento. As dicas apresentadas são muito validas, se levar em consideração o princípio básico de que o aluno está na escola para estudar.

Numa pesquisa recente, um professor associado da Universidade de Nebraska, entrevistou diversos alunos em alguns estados americanos e descobriu, pasmem, que o uso de celulares é muito mais frequente do que se imaginava. Bom, não é preciso dizer que nós aqui no Brasil sabemos disso sem fazer qualquer pesquisa, basta prestar atenção nas mãos dos alunos durante uma aula. Seja no ensino básico ou superior, raramente estão segurando uma caneta ou um lápis. Mas voltando à pesquisa, ela revelou que 68% verificavam os e-mails, 66% visitavam as redes sociais, 38% surfavam na internet e 8% simplesmente jogavam algum tipo de game durante as aulas.

No Brasil o que observamos é o uso do celular como um aparelho sonoro. Os alunos com fones de ouvido ouvem suas músicas preferidas enquanto copiam da lousa o que está sendo exposto, e é neste momento que se dá inicio às incivilidades. Os professores entram em conflito com os alunos, pois querem explicar suas matérias e querem que os alunos ouçam e os alunos, por sua vez, querem ficar “de boa curtindo seu som” enquanto o professor explica a matéria.




Um outro lado é esse perfil atual de aluno que é multitarefa, ou seja, ele consegue pesquisar um assunto, mandar e-mail e ler um SMS enviado pela namorada. Ninguém fala, mas isso assusta os professores que não consegue entender essa habilidade dos nossos alunos. Bem sabemos que o despreparo dos docentes em relação à tecnologia é algo notório e que nossos governantes não admiram e poucos ajudam os professores, pois não promovem cursos ou seminários a respeito do uso de novas tecnologias.

Desenvolver habilidades no uso de mídias móveis em sala de aula é urgente e enquanto isso não acontece vemos crescer um abismo entre o que fazemos e o que poderíamos fazer, provocando um atraso nas políticas educacionais e consequentemente um retardo no já combalido sistema educacional brasileiro.

Bem sabemos da luta inglória que Diretores e professores travam no seu dia-a-dia contra o uso do celular em sala de aula, luta inglória, diga-se de passagem. Além disso, tem-se que resolver pendengas do tipo: sumiço, roubo de cartão de memória, publicações indevidas em redes sociais e vai por aí afora.

A mudança de paradigmas na educação é algo inevitável, pois a cada dia a tecnologia toma vulto e se enraíza mais e mais na vida de todos nós. Porém, na prática da sala de aula os infortúnios se confluem para que continuemos andando na contramão da sociedade. Sim, contramão, pois se os estudos indicam que o uso da tecnologia facilita e promove o ensinamento, porque não regulamentar as normas de utilização e educar o modo pertinente de utilizá-lo ao invés de proibir? Em termos de gestão escolar iria facilitar a vida de todos os envolvidos, pois acabaria com esse dispêndio de energia para gerenciar os conflitos por conta do uso e da proibição, em termos educacionais ter-se-ia a vantagem de utilizar um equipamento voltado à pesquisa de qualquer assunto que porventura estive sendo discutido em sala de aula.

No mais, é preciso chamar a atenção novamente que, o que escrevemos acima se refere, obviamente, ao uso do celular por um aluno que está se aprofundando sobre determinado assunto e está na escola para o óbvio: Estudar!

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química
decamargo.omar@gmail.com

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
Assessor e consultor pedagógico

icguedes@ig.com.br

CAMARGO, O.; GUEDES, I.C. Nosso artigo deste mês é sobre o uso de celular em sala de aula. Gazeta Valeparaibana, São José dos Campos, maio. 2014, p. 9. Disponível em Acesso em: 16 mai. 2014.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Uma revolução tecnológica na educação

Uma revolução tecnológica na educação

De Skinner à EAD muita coisa não mudou.






Há algum tempo o governo federal vem investindo na inclusão tecnológica das escolas. O programa “um computador por aluno” (em 2008) custou aos cofres públicos R$ 82,55 milhões para compra de 150 mil computadores portáteis.

Desde 2011 o governo se esforça para distribuir tablets aos alunos e aos professores das escolas públicas. Em fevereiro de 2012, o MEC anunciou a distribuição de 600 mil tablets aos professores do ensino médio a um custo de R$ 150 milhões (vale dizer que o nosso ainda não chegou!).

Educação mediada por tecnologia não é novidade. As experiências começaram com o fisiologista russo  Ivan Pavlov (1849-1936) na área da medicina, em que foi formulada a teoria do Condicionamento Clássico (entre 1903 e 1908). Adiante, em 1968, Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) criou a “máquina de aprendizagem” influenciando a educação norte-americana, e consequentemente, no resto do mundo.



Hoje, a moda da Educação a Distância (EAD), aperfeiçoa os conceitos do passado somando-os à tecnologia presente.

Recentemente foi noticiado pela mídia nacional sobre o norte-americano Salmon Khan, que ao fazer questões para uma prima de 10 anos (que se encontrava na Índia), acabou fazendo de um curso com explicações online, “um método revolucionário”, segundo os jornais que formam a opinião pública. Para nós, nenhuma novidade, pois o Ensino à Distância também é antigo.

Em 1904, o Jornal do Brasil registrou na primeira edição da seção de classificados, um anúncio em que era oferecida a profissionalização por correspondência para datilógrafo. Desde 1941, uma empresa brasileira oferece diversos cursos a distância ofertando inclusive, o famoso “Supletivo à distância”.

O caso de Khan ganhou repercussão. Aulas simples, gravadas apenas com voz e captura de vídeo (utilizando algo parecido com o Paintbrush) ganharam investimentos da ordem de 100 mil dólares de Bill Gates para a expansão do seu negócio. Os vídeos são produzidos e disponibilizados na internet.

No Brasil, Khan esteve reunido com a presidência da república através da intermediação da Fundação Lemann. O encontro gerou uma parceria entre a Fundação e o MEC para distribuir as aulas de Kahn em português pelos quase 400 mil tablets que serão entregues pelo MEC em 2013.

Na nossa humilde opinião, os vídeos não trazem nenhuma grande novidade, no que diz respeito ao seu uso em sala de aula.

Os próprios vídeos da Fundação Roberto Marinho são mais contextualizados e fáceis de compreender.
Os vídeos de Khan (disponíveis em http://www.fundacaolemann.org.br/khanportugues/) apresentam uma tela preta com rabiscos, e uma voz ao fundo que explica o conteúdo. Sinceramente, não entendemos aonde se encontra “a revolução na educação”.

Os vídeos não apresentam explicações significativas. Não discutem conceitos, não chamam a atenção. As explicações são confusas e não são de fácil entendimento. Qualquer professor com o mínimo de habilidade sobre o uso da informática consegue produzir slides para projetar em tela e apresentar explicações melhores. Na dúvida, veja os vídeos e tire as suas conclusões.

O Brasil é um país em que há déficit na formação de professores (tanto em quantidade quanto em qualidade). Confabulamos que a inserção das aulas em EAD para o ensino regular possa trazer uma economia significativa aos cofres públicos.

Façamos a seguinte conta. A situação ocorreria em uma escola de Ensino Fundamental II. A escola possui aproximadamente 600 alunos. Distribuídos em turmas de 40 alunos haveria 15 turmas. Cada turma tem em seu componente curricular 8 disciplinas (Língua Portuguesa, Inglês, História, Geografia, Matemática, Arte, Ciências e Educação Física). São trinta horas/aula por semana, são 450 horas/aula para todas essas turmas, algo entre 15 ou 20 professores para atender toda essa demanda.

Em uma hipótese de se utilizar a EAD, haveria a possibilidade de juntar as disciplinas em áreas de estudo (um dos projetos do MEC é realmente esse).
Os alunos de posse dos tablets com as aulas instaladas assistiriam aonde quisessem e na hora em que quisessem.

Na escola (sem a necessidade de cumprir horário) apenas tirariam as dúvidas (caso houvesse, pois a bandeira levantada é a de que o aluno pode assistir quantas vezes quiser até ficar sem dúvida) e apresentar os trabalhos aos professores.

Os professores, divididos por área cairiam de 15 ou 20 (segundo a análise acima) para apenas 3 (Linguagens, Matemática e Ciências e Ciências Humanas). Um professor por área seria o suficiente para corrigir os trabalhos e lançar as notas no sistema, o professor passaria a ser um tutor.

Pronto! Resolvemos o problema da falta de professores no Brasil, falta de espaço nas escolas, o baixo preparo do professor e as críticas por causa do baixo desempenho dos alunos acabariam. Milhões seriam economizados com o custo da mão de obra docente.

É bom deixar claro que o cenário confabulado acima não é produto da nossa defesa. Mas é o que passamos a compreender quando juntamos diversas políticas públicas que rodeiam a área da educação há algum tempo.

Dizer que os vídeos apresentados merecem milhões em investimentos porque vão salvar a educação, só nos deixa pensar em duas hipóteses:

1. Os nossos administradores são muito ingênuos e não tem o mínimo de conhecimento em educação escolar.
2. Alguém vai ganhar muito dinheiro com isso.


Artigo originalmente publicado no jornal Gazeta Valeparaibana. Fevereiro de 2013. http://gazetavaleparaibana.com/063.pdf  p. 9.


Autores:
Omar de Camargo
- Técnico Químico – Professor em Química.
- Pós Graduado em Química.

Ivan Claudio Guedes
- Geógrafo e Pedagogo. Especialista em Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
- Articulista e palestrante.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...