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terça-feira, 9 de junho de 2015

CORRUPÇÃO NA EDUCAÇÃO:

CORRUPÇÃO NA EDUCAÇÃO: 

UM RIO DE DINHEIRO QUE NUNCA SECA.


Máfia da merenda escolarSemana passada publiquei aqui no blog a primeira parte da reportagem do Conexão Repórter, intitulado "Os Senhores da Fome". Escrevi um pouco sobre a máfia da merenda e fiz algumas considerações. Quem não leu, pode ler clicando aqui. No final da postagem, é possível assistir o vídeo.






A segunda parte dessa matéria traz alguns "ganhos" com a ótima investigação comandada pelo Cabrini. Prefeitos que se afastam do cargo, leiloeiros que foram afastados, contratos que foram suspensos, inquéritos e comissões que se formaram, mas, fica a pergunta: E o dinheiro público que foi roubado, será devolvido?


Quantas notícias envolvendo corrupção na educação temos pelo Brasil e quantas vezes a impunidade reinou e o dinheiro não foi devolvido aos cofres?

Só para citar um exemplo, desde 2012 que José Bernardo Ortiz (ex presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) responde processo por improbidade administrativa, por superfaturar mochilas escolares através de licitações, com a comissão de 5% do valor em seus contratos. Em apenas um desses contratos, a "gorjeta" teria chegado a R$ 1,74 milhão. Mas, e ai? estamos em 2015 e até agora, nada. A apuração dos fatos é lenta, o tempo passa, e as coisas caem no esquecimento.

Em outro esquema envolvendo uniforme escolar, em São Bernardo do Campo, com um rombo de aproximadamente R$ 4 milhões, o máximo que aconteceu até agora, foi a substituição da secretária de educação. O dinheiro? vai saber por onde anda.

Exemplos de corrupção envolvendo a educação tem aos montes. No meu texto anterior deixei vários exemplos...

Ficam algumas perguntas:

1. Como é tão "fácil" sabermos o que acontece e as apurações são sempre lentas?
2. Quando há o julgamento, por que o dinheiro não volta aos cofres públicos?
3. Todos os Estados e municípios deste país afirmam categoricamente que não há dinheiro nos cofres públicos. Alguém já se perguntou os motivos?
4. Por que a população tem tanto medo de denunciar os esquemas de corrupção?
5. Defensores da privatização tem a consciência de que essas corrupções acontecem justamente entre as Parcerias Público Privada?
6. Independentemente de partidos políticos, fica claro que a corrupção é um câncer que está acabando (literalmente) com o país?
7. É para isso que querem 10% do PIB na educação?
8. Você vai aceitar isso sem fazer nada? 
9. Você tem a consciência de que é o SEU dinheiro que está indo para o bolso de "empresários da educação"?
10. Dá para entender por que a educação no Brasil não vai para frente e por que é importante que ela nunca vá para frente? 




terça-feira, 2 de junho de 2015

MÁFIA DA MERENDA E INDÚSTRIA DA FOME

MÁFIA DA MERENDA E INDÚSTRIA DA FOME

Quem ganha com uma educação sem qualidade?

Corrupção na educação

Que a educação é um ralo de dinheiro que flui como as águas do Rio Amazonas, isso todo mundo com um pouco de curiosidade já sabe. Que a miséria é necessária para que muitos ganhem com ela, isso também não é novidade.

Notícias envolvendo corrupção e educação não é novidade. No Programa E Agora José? gravado em 2013 discutimos durante um pouco mais de uma hora várias reportagens sobre diversas formas de corrupção envolvendo a educação (clique aqui para assistir).




Por força de Lei, a União deve empregar 18% da arrecadação dos impostos com a educação. Estados, Municípios e o Distrito Federal devem investir 25%. Na prática, é muito dinheiro. O Plano Nacional de Educação prevê nada menos que 10% do PIB para a educação. Para que tanto dinheiro? para alimentar mais corrupção. 

Além da corrupção, também existe o desperdício de dinheiro público. Obras mal realizadas, materiais de baixa qualidade, duplicidade de material didático que não se complementam, livros que ficam empoeirando nos depósitos...

O fato é que a corrupção na educação é um câncer que deve ser combatido, mas, quem vai combatê-lo? A sociedade? o Ministério Público? a Justiça? Quantos casos já foram realmente julgados, os corruptos presos e o dinheiro devolvido aos cofres públicos?

Podemos ver várias máfias inseridas no ambiente escolar. Máfia dos uniformes, da merenda, dos materiais escolares, das mochilas, das reformas nas escolas, enfim... muita gente ganha dinheiro com a educação, menos aquele que está na escola trabalhando com os alunos.

Recentemente várias pessoas de diferentes lugares me relataram que, nas escolas, são servidas em torno de 350 merendas/dia. As merendeiras são instruídas a preencherem suas planilhas com 450 ou 500 merendas/dia. Consequentemente, quem ganha com isso é a empresa terceirizada para servir a merenda. Quem não o fizer, é demitida!

Na recente onda de terceirizar tudo, o que se observa é que os corruptores e os corruptos não são exclusivamente os membros do poder público, mas sim da iniciativa privada. Portanto, o fato de ser público ou privado não difere quando se trata da corrupção. Ambos são corruptos.

Fazendo uma rápida análise, é possível verificar que as baixas notas do IDEB estão diretamente relacionadas com os altos índices de corrupção em Estados e Municípios. O Brasil é o país da alta corrupção e da baixa escolarização. É importante manter uma linha de pobreza sempre ativa, pois assim se justifica mais recursos para "salvar a educação".

No mais, deixo aqui meu protesto dizendo que todos nós somos responsáveis pela corrupção. Nós votamos nas máfias que se instalam nos três poderes, nós somos o grande gatilho que se ativa na corrupção. Precisamos escolher melhor os nossos representantes e precisamos que boas pessoas nos representem. Precisamos acompanhar, denunciar, cobrar e lutar para que este país realmente seja um país de verdade.

No Conexão Repórter de 31/05/2015 foi tratado sobre a máfia da merenda no Estado de Alagoas. O vídeo, deixo abaixo para quem quiser assistir e ver como funciona, na prática, as licitações na educação.

Leia o outro texto que escrevi após a publicação da segunda parte dessa reportagem e acompanhe o vídeo completo pelo canal do STB clicando aqui.


sexta-feira, 21 de junho de 2013

Estrutura política na Suécia.

Estranhamente este vídeo tem desaparecido de alguns perfis.
Pois bem, recomendo baixar o vídeo e colocar no seu perfil.
Mantenha-o em seu computador e se "sumir", poste novamente.

Você, que é professor, também pode utilizar este vídeo para travar uma discussão em sala de aula comparando o "lá" com o "cá".

No primeiro momento, apresente o vídeo e pergunte o que eles conhecem sobre a estrutura dos poderes no Brasil, em seguida solicite uma pesquisa sobre a estrutura do Executivo e Legislativo no Brasil (Federal, Estadual e Municipal). Caso a escola possua sala de informática você poderá fazer junto com eles.

Depois construa um quadro de "privilégios" ou "direitos" que eles tem, faça a discussão e, por fim, solicite uma produção textual com a opinião dos alunos.

Essa produção textual pode ser publicada, após a correção coletiva", em blogs, página do face, jornal da escola, mural ou aonde mais achar necessário, inclusive na minha própria página que está a disposição.

Duração: 4 aulas aproximadamente.
Conteúdos Conceituais: Estrutura Política, Poderes Executivo e Legislativo. Deputados Federal e Estadual, Senadores e Vereadores. Presidente, Governador e Prefeito. Monarquia e República. Presidencialismo e Parlamentarismo.
Conteúdos Procedimentais: Atenção ao vídeo, Discutir em grupo, Apresentar seu ponto de vista através da oratória e da escrita, Pesquisar em mídia eletrônica.
Conteúdos Atitudinais: Desenvolver a consciência crítica sobre a estrutura política do Brasil e ter discernimento para comparar com outros países. Postar-se criticamente diante de eventuais regalias que alguns membros dos poderes brasileiro possam ter.

Avaliação: Construção do quadro de "privilégios ou "direitos" - Produção textual

http://www.youtube.com/watch?v=MA7T0AkTBdI&feature=youtu.be

Prof. Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
icguedes@ig.com.br

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

E lá vamos nós de novo...

Artigo originalmente publicado no Jornal Gazeta Vale Paraibana, ed. 61 ano VI Dezembro de 2012, p. 9.
http://www.gazetavaleparaibana.com/061.pdf

Quem não se lembra do clássico desenho do Pica-pau em que a bruxa tenta incansavelmente sair voando?

Pois é, quando o assunto é política e investimentos na educação, nos sentimos assim. 

O governo queria 7% do PIB (Produto Interno Bruto) em uma carta de intenções, também denominada de Plano Nacional de Educação (PNE) de investimento. Brigaram, espernearam e seguindo a ideia de que “estar com o povo é melhor do que contra”, os políticos aprovaram os 10% do PIB. 


Em seguida, a próxima batalha deuse sobre os royalties provenientes do pré-sal. Outra encrenca! A grande massa da população e as organizações sociais a favor de transferir para a educação, já que muitos estados  alegam não ter dinheiro para pagar o salário base do professor, mas, ao verificarem o quanto é o montante (algo estimado em aproximadamente R$ 47 bilhões) eles simplesmente rejeitaram a proposta do governo, inclusive os próprios governistas foram contra. 

Vamos combinar que, pela mentalidade alheia, a educação não rende tanto quanto o pré-sal. Existem correntes que dizem que esse dinheiro aplicado à educação, que é um serviço, exerceria uma pressão no mercado interno através do aumento do salário dos trabalhadores e que isso acabaria por encolher a indústria. Caracas! Os economistas “viajam na maionese” mesmo.  

Nós somos mais simplórios.  

Professor bem pago, ensinando tudo que tem direito, em um emprego único, com tempo e dinheiro para continuar estudando, comprando (e lendo) livros, ampliando seu universo cultural e dinheiro para a escola fazer as reformas realmente necessárias, está cheirando a povo esclarecido no final das contas, nada mais do que isso.  

Para que correr o risco disso acontecer?  

Rejeita-se a ideia primeira, ou seja, dos royalties para a educação e distribuímos entre os estados quer sejam produtores ou não.  Isso significa mais dinheiro para os desvios, para construtoras, bancos, marqueteiros e toda a corja existente atualmente. Educação?  

Jamais! Se der certo e os alunos pararem de ter rendimentos ridículos, e começarem a discutir política é bem provável que ninguém sobreviva. Sempre defendemos que o problema da educação não é o montante do quanto é destinado, mas como ele é destinado e aplicado (e desviado).  

O cerne da questão do dinheiro na educação é a gestão do recurso público.  Você, caro consumidor, pagaria 20%, 30% ou 50% a mais em um produto? 

Pois é.  O sistema público paga.  

Por quê?  

Teoricamente venceram uma licitação de “melhor preço”.  

Além da má gestão do dinheiro, temos um sério problema que é a corrupção. O desvio das verbas públicas 
quer seja no âmbito Federal, Estadual ou Municipal. Não bastasse isso nos deparamos com “profissionais da educação” que não se incomodam de receber em casa uma cesta básica de fornecedores de merenda, um reparo de “brinde” em sua casa, uma “gorjeta” para cativar o cliente, etc. como se isso fosse algo normal(??!!). 

Não, não é normal! Isso é corrupção.  

É suborno para que o fornecedor receba favorecimento numa licitação, ou cobre o preço que lhe convém. 
Engraçado que nada disso é fiscalizado seriamente.  Dizer que ninguém na rede saiba disso é a mais deslavada mentira. Muita gente sabe, só que ninguém faz nada para melhorar e dar uma cara séria à 
educação.  

Esse é um exemplo daqui de baixo e, convenhamos, deve haver coisa muito cabeluda se for escarafunchar num nível maior. 

A propósito. Como esse ano fomos “bons meninos” já escrevemos nossa cartinha ao Papai Noel pedindo melhores condições de trabalho. 

Feliz Natal e um ótimo final de ano. 

Ano que vem, lá vamos nós, de novo!


Omar de Camargo 
decamargo.omar@gmail.com
Técnico Químico, Professor em Química.
Pós-Graduado em Química

Ivan Claudio Guedes 
icguedes@ig.com.br
Geógrafo e Pedagogo, especialista em Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
Articulista e palestrante


sábado, 2 de junho de 2012

A LENDA DO VERBO E DA VERBA

A LENDA DO VERBO E DA VERBA

Como o dinheiro público para a educação é tratado.



Num reino muito , muito distante da realidade que vivemos, havia dois amantes. Eram eles, o Verbo e a Verba. O Verbo sempre galante, falava como ninguém. Gabava-se de ser sempre utilizado por todos, principalmente os poderosos da corte e seus prosélitos. 
Já a Verba, por outro lado, era calada. Sempre que alguém falava dela era com descaso.

- Não há Verba, ou não temos verba. 
Verba? Que verba? O orçamento não permite. O orçamento era o pai da Verba, sempre impondo limites àquela moça, mas ele também não era uma pessoa confiável, apesar se parecer como tal. 
Coitada, moça ingênua. Quase todos a queriam desesperadamente.  
Apesar do Verbo ser acessível a todos e sempre utilizado por muitos, ele era mal entendido por aqueles que não possuíam grande conhecimento, a grande maioria, e por isso mesmo eram enganados pelos poderosos daquele reino tão distante da realidade.  

Certa feita, o Verbo fora muito utilizado por aqueles que sempre enganam e se utilizam da falácia, ficou tão desgastado que quase ninguém mais confiava nele. Por mais que se usasse o verbo, a plebe não mais conseguia engolir tantas falcatruas.

 - De novo? Outra vez? Assim não é possível. Era só isso que se ouvia falar no reino. 
A situação estava ficando insuportável para o Verbo e ele, numa dessas escapadas para encontrar-se com a Verba, desabafou:

 - Não aguento mais! Estão me usando para enganar o povo! Não sei o que fazer. Me usam até para explicar porque você, quando é destinada a algum lugar, nunca chega por completo. Sempre está mal arrumada, às vezes até faltando. A verba, por sua vez, submissa e crédula em dias venturosos afagava o 
ego do Verbo, na esperança de que, um dia os dois pudessem conviver juntos. 
Ele sendo usado para expressar a verdade e ela sendo usada adequadamente pelos seus compatriotas. 

 A lenda que criamos acima serve para ilustrar o que vivemos com a distribuição e destinação das verbas para nossas escolas. Temos discutido incessantemente no programa “E AGORA JOSÉ?” sobre os problemas de verbas, seja nos âmbitos federal, estadual ou municipal. Até que o dinheiro chegue à escola, muita gente já o manuseou e ,como sabemos, é aí que o perigo mora. A corrupção e o desvio de dinheiro público é algo tão arraigado nos governos que fica difícil não acreditar que não exista.  

 Muito se tem falado e preconizado de que, 10% do PIB (Produto Interno Bruto),seria  o índice necessário para que a educação no país atinja níveis de excelência. Nós não acreditamos nisso porque o que vivenciamos dentro da escola, e observamos nos bastidores é na verdade mau gerenciamento do dinheiro público.  

As escolas têm inúmeras necessidades e bem poucas são satisfeitas pelas verbas que chegam até elas. Todas as verbas têm destino certo e nem sempre esse destino, diga-se de passagem, determinado por aqueles que não vivem a escola, é o que a escola precisa. Só para ilustrar, vamos supor que a escola esteja 
com vazamento de esgoto e a escola receba uma verba para pintura da escola. Se o diretor utilizar a verba da pintura para arrumar o esgoto, ele responde por improbidade administrativa e é obrigado a devolver o dinheiro para o governo. 

Entretanto, é nesse exemplo que se abrem as enormes possibilidades de que a direção de uma escola, apesar de não querer fazer, acabe se utilizando expedientes pouco recomendáveis. Diante de uma necessidade preeminente como a do exemplo citado a equipe gestora acaba direcionando aquela verba para outro destino e dar-se início à compra de notas fiscais frias. 

 Estamos falando, na verdade, de coisas corriqueiras, do dia-a-dia. E o que acontece nos altos escalões, “em surdina”? Se todo o dinheiro destinado à educação fosse de fato, moeda a moeda, aplicado na educação, mediante a real necessidade da escola e à prestação de contas pelo serviço efetivamente concretizado, a realidade seria outra.  

 Recentemente vimos chegar (não é para todas) nas escolas da rede pública estadual paulista, impressoras de alta produtividade em regime do OUTSOURCING, ou seja, uma empresa coloca as impressoras, tonner e papel nas escolas. Sendo também responsável pelo envio de tonner papéis e também pela manutenção das impressoras. Acreditamos que isso não fica nada em conta, mas mesmo assim queremos acreditar que seja mais barato do que o sistema atual, em que a verba é repassada às escolas para que elas comprem suas impressoras, papéis e tonner. Atualmente toda a parte de papelaria é comprada de firmas 
previamente determinada pela Secretaria de Educação e pela FDE (Fundo de Desenvolvimento da Educação) e, pasmem, paga-se o DOBRO DO VALOR de mercado por qualquer insumo. Está lá no site 
dessas empresas, é só verificar. Quando telefonamos para essas empresas com dúvidas ou procurando algum produto específico, somos direcionados a um departamento que cuida só das escolas. 

Tivemos a curiosidade de ligar como um consumidor qualquer e perguntar o preço de uma coisa qualquer e depois como funcionário de uma escola. Bem, não é preciso dizer que os preços foram diferentes.  

 Quantas vezes abrimos os noticiários e vemos “indícios de corrupção na verba da merenda”? Quantas vezes vemos chegar livros de pouca importância para os alunos e para os professores de uma determinada editora que, coincidentemente, através das suas terceirizadas doaram quantias substanciais a determinados partidos políticos?  

 O que achamos interessante é o fato de que, nos bastidores da educação, todas as pessoas do alto escalão sabem que isso acontece e como acontece. Gostaríamos que houvesse transparência de quanto chega de verba para escola e como a escola gasta esse dinheiro. Mas, sobretudo, gostaríamos que as escolas tivessem liberdade para comprarem o que precisam de qualquer lugar, obviamente que mediante emissão de 
nota fiscal e acompanhamento sistemático da Associação de Pais e Mestres (APM).

Enquanto questões simples como essas não forem solucionadas, a LENDA que apresentamos acima, deixará de ser a REALIDADE para ser apenas, de fato, uma LENDA. 

Omar de Camargo  
Professor Especialista em Química

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo.

Publicado em http://www.gazetavaleparaibana.com/055.pdf

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Faculdade cobra o dobro por vagas para o Prouni


Curso de Direito custa R$ 690 mensais, mas para o Prouni, R$ 1.210. Desconto teórico de 50% é, na prática, 12%. Ouça a gravação.


Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 24/01/2012 18:22

Para um estudante que se matricular no curso de Direito da Facet, na Bahia, a mensalidade custa R$ 690, mas para um bolsista do Programa Universidade para Todos (Prouni) que tenha direito a 50% de desconto, o valor original muda para R$ 1.210. Ao final, o aluno paga R$ 605, ou seja uma diferença de apenas 12%.



As informações foram confirmadas ao iG em telefonema feito para esclarecer os valores comentados pelo estudante Jean Michell Fernandes, de 20 anos, que conquistou uma das bolsas. A conversa com o atendente da secretaria e a representante do departamento financeiro da instituição foi gravada. A responsável explica que o preço para o Prouni é o “integral” e está “em letras grandes” no site do programa. No entanto, o valor integral só existe para o Prouni e, mesmo com multa e juros, nenhum estudante regular chegaria a pagar R$ 1.210.


Na secretaria, a primeira informação foi de que o valor oficial da mensalidade é R$ 690. O atendente chega a dizer que com a bolsa do Prouni seria metade disso, mas ao verificar o valor exato, é informado que existe uma tabela de preços diferente para bolsas do Prouni e que, mesmo com o desconto de metade do preço o valor seria R$ 605.
Ao ser questionado, o funcionário tenta dizer que os R$ 690 seriam um desconto para pagar até o dia do vencimento, mas deixa claro: “Você não vai pagar o valor integral. Eu lhe disse que quem vem do Prouni paga metade do valor integral”. Já a responsável pelo financeiro esclarece: “Quando a gente informa para o Prouni, a gente informa R$ 1.210. No site do Prouni está R$ 1.210, bem grande.”
A reportagem questiona mais uma vez: “Mas se alguém for se matricular por conta, sem Prouni, é 690?”. Resposta: “É”. Depois, confere se não se trata de promoção: “E tem desconto conforme a data de pagamento?”. A funcionária esclarece: “Não, até o dia 4 paga este valor, depois tem um acrescimozinho de 0,33% ao dia e 2% ao mês, nunca chega em R$ 1.200.”

Isso significa que, em forma de descontos nos impostos devidos, o governo deixa de receber por bolsa concedida um valor diferente do que seria cobrado dos alunos. Para o bolsista também significa que a bolsa conquistada após processo seletivo que inclui o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e suas condições financeiras é na verdade uma redução de 12% no valor original.
O candidato a uma vaga de Direito conta que sabia o preço regular e contava com o Prouni para pagar metade deste valor ou, no máximo, R$ 400. “Eu sei quanto custam as faculdades de Direito aqui na Bahia e estava feliz que com 50% de desconto eu conseguiria pagar”, diz.
O iG procurou oficialmente a faculdade e a telefonista passou para a mesma responsável do financeiro que desta vez informou que o preço de R$ 690 é um desconto.
MEC diz que instituição pode ser descredenciada
A assessoria do Ministério da Educação (MEC) informou que a instituição pode ser descadastrada se as informações forem confirmadas. O estudante prejudicado também terá o direito de tentar a bolsa em outra instituição.
Aluizio Mercadante, que assumiu o ministério nesta terça comentou o caso e disse que regras do Prouni serão cobradas.
Se você conhece outros casos ou gostaria de comentar esta situação, use o espaço para comentários no fim desta página e informe o seu email para retorno no corpo do texto. Se preferir, escreva para educacao@ig.com
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