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terça-feira, 9 de junho de 2015

CORRUPÇÃO NA EDUCAÇÃO:

CORRUPÇÃO NA EDUCAÇÃO: 

UM RIO DE DINHEIRO QUE NUNCA SECA.


Máfia da merenda escolarSemana passada publiquei aqui no blog a primeira parte da reportagem do Conexão Repórter, intitulado "Os Senhores da Fome". Escrevi um pouco sobre a máfia da merenda e fiz algumas considerações. Quem não leu, pode ler clicando aqui. No final da postagem, é possível assistir o vídeo.






A segunda parte dessa matéria traz alguns "ganhos" com a ótima investigação comandada pelo Cabrini. Prefeitos que se afastam do cargo, leiloeiros que foram afastados, contratos que foram suspensos, inquéritos e comissões que se formaram, mas, fica a pergunta: E o dinheiro público que foi roubado, será devolvido?


Quantas notícias envolvendo corrupção na educação temos pelo Brasil e quantas vezes a impunidade reinou e o dinheiro não foi devolvido aos cofres?

Só para citar um exemplo, desde 2012 que José Bernardo Ortiz (ex presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) responde processo por improbidade administrativa, por superfaturar mochilas escolares através de licitações, com a comissão de 5% do valor em seus contratos. Em apenas um desses contratos, a "gorjeta" teria chegado a R$ 1,74 milhão. Mas, e ai? estamos em 2015 e até agora, nada. A apuração dos fatos é lenta, o tempo passa, e as coisas caem no esquecimento.

Em outro esquema envolvendo uniforme escolar, em São Bernardo do Campo, com um rombo de aproximadamente R$ 4 milhões, o máximo que aconteceu até agora, foi a substituição da secretária de educação. O dinheiro? vai saber por onde anda.

Exemplos de corrupção envolvendo a educação tem aos montes. No meu texto anterior deixei vários exemplos...

Ficam algumas perguntas:

1. Como é tão "fácil" sabermos o que acontece e as apurações são sempre lentas?
2. Quando há o julgamento, por que o dinheiro não volta aos cofres públicos?
3. Todos os Estados e municípios deste país afirmam categoricamente que não há dinheiro nos cofres públicos. Alguém já se perguntou os motivos?
4. Por que a população tem tanto medo de denunciar os esquemas de corrupção?
5. Defensores da privatização tem a consciência de que essas corrupções acontecem justamente entre as Parcerias Público Privada?
6. Independentemente de partidos políticos, fica claro que a corrupção é um câncer que está acabando (literalmente) com o país?
7. É para isso que querem 10% do PIB na educação?
8. Você vai aceitar isso sem fazer nada? 
9. Você tem a consciência de que é o SEU dinheiro que está indo para o bolso de "empresários da educação"?
10. Dá para entender por que a educação no Brasil não vai para frente e por que é importante que ela nunca vá para frente? 




terça-feira, 2 de junho de 2015

MÁFIA DA MERENDA E INDÚSTRIA DA FOME

MÁFIA DA MERENDA E INDÚSTRIA DA FOME

Quem ganha com uma educação sem qualidade?

Corrupção na educação

Que a educação é um ralo de dinheiro que flui como as águas do Rio Amazonas, isso todo mundo com um pouco de curiosidade já sabe. Que a miséria é necessária para que muitos ganhem com ela, isso também não é novidade.

Notícias envolvendo corrupção e educação não é novidade. No Programa E Agora José? gravado em 2013 discutimos durante um pouco mais de uma hora várias reportagens sobre diversas formas de corrupção envolvendo a educação (clique aqui para assistir).




Por força de Lei, a União deve empregar 18% da arrecadação dos impostos com a educação. Estados, Municípios e o Distrito Federal devem investir 25%. Na prática, é muito dinheiro. O Plano Nacional de Educação prevê nada menos que 10% do PIB para a educação. Para que tanto dinheiro? para alimentar mais corrupção. 

Além da corrupção, também existe o desperdício de dinheiro público. Obras mal realizadas, materiais de baixa qualidade, duplicidade de material didático que não se complementam, livros que ficam empoeirando nos depósitos...

O fato é que a corrupção na educação é um câncer que deve ser combatido, mas, quem vai combatê-lo? A sociedade? o Ministério Público? a Justiça? Quantos casos já foram realmente julgados, os corruptos presos e o dinheiro devolvido aos cofres públicos?

Podemos ver várias máfias inseridas no ambiente escolar. Máfia dos uniformes, da merenda, dos materiais escolares, das mochilas, das reformas nas escolas, enfim... muita gente ganha dinheiro com a educação, menos aquele que está na escola trabalhando com os alunos.

Recentemente várias pessoas de diferentes lugares me relataram que, nas escolas, são servidas em torno de 350 merendas/dia. As merendeiras são instruídas a preencherem suas planilhas com 450 ou 500 merendas/dia. Consequentemente, quem ganha com isso é a empresa terceirizada para servir a merenda. Quem não o fizer, é demitida!

Na recente onda de terceirizar tudo, o que se observa é que os corruptores e os corruptos não são exclusivamente os membros do poder público, mas sim da iniciativa privada. Portanto, o fato de ser público ou privado não difere quando se trata da corrupção. Ambos são corruptos.

Fazendo uma rápida análise, é possível verificar que as baixas notas do IDEB estão diretamente relacionadas com os altos índices de corrupção em Estados e Municípios. O Brasil é o país da alta corrupção e da baixa escolarização. É importante manter uma linha de pobreza sempre ativa, pois assim se justifica mais recursos para "salvar a educação".

No mais, deixo aqui meu protesto dizendo que todos nós somos responsáveis pela corrupção. Nós votamos nas máfias que se instalam nos três poderes, nós somos o grande gatilho que se ativa na corrupção. Precisamos escolher melhor os nossos representantes e precisamos que boas pessoas nos representem. Precisamos acompanhar, denunciar, cobrar e lutar para que este país realmente seja um país de verdade.

No Conexão Repórter de 31/05/2015 foi tratado sobre a máfia da merenda no Estado de Alagoas. O vídeo, deixo abaixo para quem quiser assistir e ver como funciona, na prática, as licitações na educação.

Leia o outro texto que escrevi após a publicação da segunda parte dessa reportagem e acompanhe o vídeo completo pelo canal do STB clicando aqui.


sábado, 7 de fevereiro de 2015

A HISTÓRIA SOBRE O SALÁRIO DO PROFESSOR


A HISTÓRIA SOBRE O SALÁRIO DO PROFESSOR



A primeira referência que se tem noticia sobre o assunto vem do “subsídio literário”








O texto conduzido pelo Prof. Pedro Félix, apresenta uma breve história sobre o salário do professor. Ainda que eu discorde do autor quando coloca o "policial" como alguém que possui "regalias" e alto salário, o texto é bem conduzido e dá uma ideia geral sobre o assunto. Também ressalto a ausência, no texto, dos nobres "representantes da nação" dos poderes executivo e legislativo que recebem muito pelo que fazem.

O importante desse texto é trazer realmente a história do salário do professor. Diante de uma época em que não haviam professores remunerados, nem recursos para se pagar pelo seu trabalho, entretanto, ressalto que mesmo naquela época, até os dias de hoje, o salário está muito aquém do que realmente deveria ganhar um professor.

Boa leitura para todos.
Ivan Claudio Guedes


Jornal do Brasil: Quinta-feira 18 de Março de 1937, página 9.
Jornal do Brasil: Quinta-feira 18 de Março de 1937, página 9.


Todo mês ao completar 30 dias em média, o trabalhador recebe um percentual em papel moeda, geralmente depositado em sua conta bancária. A princípio, o valor corresponde a sua força de trabalho em seu correspondente emprego.

O termo salário tem origem no império romano, onde os soldados recebiam uma porção de sal, uma raridade na época e que se podia trocar com outras coisas, como comida, vestimenta, transporte, etc.

Todo salário hipoteticamente está ligado à força de trabalho desenvolvido por essa ou aquela categoria, e proporcionalmente pelo valor da riqueza produzida. Outro fator determinante do valor salarial é a quantidade de profissionais existentes no mercado.

Um fiscal tributário recebe X de salário por que tem no seu trabalho um ganho muito grande para a União, Estado ou Município.

O médico por ter a vida e a morte em suas mãos cobra valores extraordinários, se comparado à maioria da população, que não chega a ganhar mais que mil reais mensais.

O delegado, promotor, juiz e policiais de modo geral, têm regalias cada vez maiores, diante de uma sociedade violenta e cada vez mais seus salários, benefícios diretos e indiretos sobem igual a foguete, tudo em nome da segurança da sociedade.

E nós professores quanto ganhamos? Qual a origem do nosso salário?
A primeira referência que se tem noticia de salários para professores no Brasil vem do “subsídio literário”, criado pelo alvará de 10 de novembro de 1772.

Nome chique não? Historiando esse termo, ele foi criado a partir da Reforma Pombalina de 1759, quando da expulsão dos jesuítas do Brasil e de todo reino português.

Esta ordem religiosa cuidava da educação dos “curumins” abrasileirados e era uma educação essencialmente religiosa.

A expulsão dos jesuítas trouxe a educação laica, administrada pelo Estado Português. O ensino compreendia os Estudos Maiores (universidade) e os Estudos Menores (cadeiras das Humanidades e Cadeiras das primeiras letras). No Brasil o ensino na prática ficou apenas na instrução das primeiras letras.

O Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo dentro do projeto iluminista do rei filósofo D. Jose I, reorganizou a educação no reino português, e, portanto, também no Brasil sob o controle estatal, ou aulas Régias.

Dois problemas advieram daí. O primeiro era onde buscar mestres, não religiosos para tampar a lacuna dos jesuítas. O outro problema era de ordem financeira. De onde viria o dinheiro para pagar estes profissionais?

Resolveram as autoridades criar um imposto sobre a produção da aguardente, do vinho e do vinagre. No ultramar, ou seja, nas colônias o imposto seria cobrado da aguardente e da carne.

Serviria esse imposto para pagar os salários dos professores. O que vem logo na mente é pensar em qual seria o valor pago ao professor na época? A arrecadação era muito alta? Quem se habilitava a ser mestre na época? A arrecadação era suficiente para o pagamento das despesas?

A realidade nua e crua ditou a nossa sina desde então. A arrecadação era em parte subtraída e mandada para Portugal para financiar a instrução de filhos da nobreza portuguesa.

Havia também a sonegação por parte dos produtores coloniais. A educação era para pouquíssimas pessoas e o professor aqui recebia por quartel, ou seja, a cada três meses.

O subsídio literário foi cobrado até 1831, quando a Educação passou a ser incluída em um planejamento administrativo e no orçamento público. Durou o subsídio literário todo o primeiro reinado, do governo de D. Pedro I.


PEDRO FÉLIX é professor de História em Cuiabá.
Publicado originalmente pela Revista Biografia:

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

GERAÇÃO NEM NEM:

GERAÇÃO NEM NEM:

Nem trabalha nem estuda, essa geração mostra o desinteresse pelo trabalho e pelo estudo


Geração nem nem


Estamos vivendo uma época, no mínimo inusitada, pois a geração de jovens que aí está recusa-se a sair da casa dos pais para enfrentar a vida e seus desafios. Se voltarmos um pouco no tempo, e isso se faz necessário, veremos que os filhos não viam a hora de fazer dezoito anos para terem liberdade de ir aonde quisessem e chegar em casa fora da hora marcada, além claro, de se buscar um emprego e trabalhar para ter o seu dinheiro e poder comprar o que quisesse, apesar de que parte do salário que se ganhava ficava com os pais. Hoje em dia, está ocorrendo justamente o contrário, ou seja, os jovens não querem sair da casa dos pais. Também, pudera quem quer perder a mordomia – casa, comida e roupa lavada? Ninguém com certeza. O problema, a nosso ver, que irá desencadear uma situação insustentável, é o fato de que eles não querem estudar nem trabalhar. E daí o nome Geração NEM – NEM, nem estuda e nem trabalha.






            Na contramão dessa tendência, quem está voltando ao mercado de trabalho são os aposentados. Seja para manter seu padrão de vida, ou para bancar os remédios. Aproximadamente 159,4 mil dos 265,7 mil aposentados pelo INSS voltaram ao trabalho. Enquanto isso, seus filhos ou netos, enquadram-se na geração nem-nem.

Acontece que sem estudo como irão conseguir um emprego que lhe gere renda?

Esse fenômeno não é recente. Estudos da OIT (Organização Internacional do Trabalho) em 2014, através do Relatório de Tendências Mundiais de Emprego, mostram que o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos continua aumentando e já esbarra em 74 milhões de pessoas. Entre os 40 países pesquisados 30 deles tiveram sua população NEM – NEM aumentada.

Pesquisa efetuada no Brasil pelo PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) demonstra um crescimento entre os jovens da geração NEM-NEM. Em 2001 eram 22,5 % dos jovens entre 18 e 20 anos e em 2009 estava em 24,1%.

Poder-se-ia pensar que são jovens desfamiliarizados, porém nem tanto, pois já existe até uma classificação para aqueles que têm estrutura familiar definida, eles são chamados de geração NEM-NEM acolchoados. Estudos mostram que esse fenômeno nada tem a ver com o fato de um pais ser capitalista ou não, evoluído ou emergente. É um fenômeno mundial.

O termo surgiu no Reino Unido como NEET (not in education, employment or training) e lá já está na casa dos 15 %. Na Espanha, conforme o Instituto Metroscopia, 54 % dos jovens até 34 anos não estudam e nem trabalham. A situação é tão preocupante que já se fala em intervenção do Estado para tentar resolver o problema.

Nesses países, assim como no Brasil, o que se nota é uma falta de interesse nos estudos e consequentemente a má preparação para o mercado de trabalho que cada vez está mais exigente e necessitado de mão de obra qualificada. Evidentemente, sem o estudo necessário, principalmente na área técnica, o jovem irá encontrar enormes barreiras para se colocar no mercado de trabalho, achando melhor continuar sob as asas dos pais. Já os programas governamentais, tais como, Jovem Aprendiz e ProJovem não atingiram as metas projetadas inicialmente pelo governo, trazendo uma enorme preocupação pois é uma massa de pessoas à  margem do processo, que não está produzindo nada.

Num país como o nosso, essa massa de jovens é potencialmente perigosa, pois a ociosidade faz fronteira com a criminalidade e a violência. Atendendo a uma lei natural de similaridade, ou seja, semelhante atrai semelhante, vemos que fatores negativos acabam se somando, o que leva o jovem a se juntar com más companhias e formando grupos de pensamento semelhante (não estudam e nem trabalham). Esses fatores unidos a uma sociedade consumista são, com certeza, material combustível suficiente para um incêndio bastando apenas uma centelha para o início da combustão.

Ainda que em outros países esse movimento seja transitório, no Brasil o problema tende a permanecer, uma vez que boa parte dos jovens brasileiros não conseguem encontrar um trabalho, por conta da baixa formação (e desistem facilmente de continuar procurando) e por entender que a escola não os preparam para o trabalho. No limite, o país não tardará para entrar em uma grave crise de mão de obra aprofundando a crise econômica nacional.

Na ânsia de melhorar a educação brasileira o Estado promulgou lei que estabelece as 20 metas do PlanoNacional de Educação, em um esforço para atender às demandas empresariais e responder positivamente aos péssimos índices educacionais do nosso país. Dentre essas metas, o esforço que o Estado pretende investir (claramente pressionado por setores não muito preocupados com a educação) na remodelação do currículo do Ensino Médio, eliminando disciplinas e juntando tudo em um bloco só. O objetivo? Criar um currículo atrativo. Será?

O que pode (e vai) acontecer, realmente, é piorar o que já está ruim, ou seja, nivelar por baixo. Ensinar o mínimo possível, melhorar as notas mas não ensinar de verdade, mas isso já é outra história que merece ser discutida.

Mas e sobre essa geração Nem-nem, o que fazer? O Estado deveria intervir? Qual o papel dos pais nesse processo que consideramos de autodestruição do futuro? Qual o papel da escola? A sociedade capitalista estaria ameaçada por essa força? O governo com seu pacote de assistência social (Veja nosso artigo sobre Pedagogia da Esmola) não estaria promovendo essa inércia?  A facilitação da promoção escolar, nos moldes atuais, não é um fator que beneficia esse desinteresse pelos estudos?


Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química
omacam@gmail.com

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo
Consultor e assessor pedagógico


ivanclaudioguedes@gmail.com

Referência:

CAMARGO, O.; GUEDES, I.C. Geração Nem-nem: nem estudar nem trabalhar é uma bomba relógio para quebrar o Brasil. Gazeta Valeparaibana [online], São José dos Campos, 01 nov. 2014. Espaço Educação. Disponível em: http://www.gazetavaleparaibana.com/084.pdf Acesso em 03 nov. 2014. 


Conheça o jornal Gazeta Valeparaibana:

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

APRENDA O QUE SE ESPERA DA EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI

APRENDA O QUE SE ESPERA DA EDUCAÇÃO DO SÉCULO XXI

Relatório da UNESCO traz as principais orientações para a educação mundial








A série de nove programas sobre o Relatório da Comissão Internacional de Educação para a UNESCO, denominado EDUCAÇÃO: Um tesouro a descobrir, traz a reflexão crítica sobre as orientações gerais da UNESCO para a educação no século XXI. Ainda que estejamos na metade da segunda década deste século, muito ainda temos por fazer para que alcancemos uma educação de qualidade. Alias, fica a pergunta: o que é qualidade na educação?

Os programas apresentam os preceitos que a UNESCO tem para com a educação mundial, sempre lembrando que cada pais tem sua singularidade 
Educação um tesouro a descobrir

A princípio, é importante lembrar que a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a educação a ciência e a cultura) é um órgão da ONU (Organização das Nações Unidas), fundada em 1945 com o objetivo de manter a paz mundial e promover o desenvolvimento econômico dos países. Dentro desta concepção todos os órgãos, ou departamentos, da ONU devem contribui para que tal meta seja alcançável.

Os sistemas de ensino, por sua vez, sejam federais, estaduais ou municipais devem contemplar tais orientações para que possam alcançar as metas estabelecidas para o desenvolvimento da educação e pleitear os financiamentos de programas educacionais e de desenvolvimento.


Por fim, essa série traz os principais aspectos contidos no documento original de Delors. Esperamos que seja de grande valia para os estudos dos professores e demais interessados no tema, e que possa contribuir com a sua criticidade.

PROGRAMA 1: DA COMUNIDADE DE BASE À SOCIEDADE MUNDIAL




PROGRAMA 2: DA COESÃO SOCIAL À PARTICIPAÇÃO DEMOCRÁTICA


PROGRAMA 3: DO CRESCIMENTO ECONÔMICO AO DESENVOLVIMENTO HUMANO


PROGRAMA 4: OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO




PROGRAMA 5: A EDUCAÇÃO AO LONGO DE TODA A VIDA



PROGRAMA 6: DA EDUCAÇÃO BÁSICA À UNIVERSIDADE



PROGRAMA 7: OS PROFESSORES EM BUSCA DE NOVAS PERSPECTIVAS


PROGRAMA 8: OPÇÕES EDUCATIVAS: O PAPEL DO POLÍTICO

PROGRAMA 9: COOPERAÇÃO INTERNACIONAL: EDUCAR A ALDEIA GLOBAL

terça-feira, 29 de julho de 2014

PROFESSOR GANHA MAL PORQUE É BRASILEIRO!

PROFESSOR GANHA MAL PORQUE É BRASILEIRO!

Com graduação em Ciência política e em Administração estratégica pela Wharton School, na Universidade da Pensilvânia e mestrado em Economia internacional e Desenvolvimento econômico, pela Universidade Yale, nos EUA, Gustavo Ioschpe adora atacar os professores e a pedagogia brasileira. 







O economista Gustavo Ioschpe ataca novamente os professores (deve ter um sério problema de trauma na infância) e lança seu novo livro "O que o Brasil quer ser quando crescer". A matéria publicada na revista Veja traz o título "Gustavo Ioschpe derruba 12 mitos da educação".

Será que são realmente mitos?

Entenda a "análise" de Ioschpe e vejam os nossos comentários a respeito.



domingo, 1 de junho de 2014

A EDUCAÇÃO AO LONGO DE TODA A VIDA

O capítulo 5 do relatório da comissão internacional de educação para a UNESCO, conhecido como o relatório de Delors, et al. EDUCAÇÃO: Um tesouro a descobrir, "A educação ao longo de toda a vida", apresenta o que a comissão entende por educação e como ela deve ser contínua por toda a vida, independentemente de formação acadêmica ou não. O século XXI é entendido como o "século da democracia", em que a educação pluridimensional deve preparar o cidadão para todos os campos da sociedade.

Acompanhe essa discussão, com a apresentação de Omar de Camargo e Ivan Claudio Guedes sobre este capítulo do relatório.
Esperamos que seja útil para o conhecimento sobre políticas públicas.

Deixem os comentários abaixo.

Um forte abraço.
Ivan


terça-feira, 20 de maio de 2014

UNESCO Educação um tesouro a descobrir cap 1 DA COMUNIDADE DE BASE À SOC...


O Prof. Omar de Camargo e eu discutimos o primeiro capítulo do Relatório da Comissão Internacional de educação para a UNESCO.

Um convite à discussão sobre a globalização cultural e seus reflexos nas escolas.


EDUCAÇÃO: Um tesouro a descobrir.
Discussão sobre o capítulo 1:


Da comunidade de base à sociedade mundial


quarta-feira, 14 de maio de 2014

PROFESSORES, REALMENTE ACORDEM!

PROFESSORES, REALMENTE ACORDEM!

Economista de formação, Gustavo Ioschpe ataca professores, escola e pensamentos pedagógicos.



Em 11 de maio deste ano o economista Gustavo Ioschpe, articulista da veja, publicou um ilustre artigo tecendo suas críticas (novamente) aos professores. Independentemente de o referido conter sérios problemas mal resolvidos na infância, ou se ele é pago para escrever tais bobagens, não vamos nos ater a isso, pois não levaria a nada, e sim no que se discutiu no artigo. Para quem quiser ler o artigo, basta acessar a página http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/professores-acordem.

Em primeiro lugar, se o Gustavo acredita que “a educação só vai avançar quando houver demanda pública por melhorias”, porque ele sempre só critica o setor público e elogia o privado? Será que realmente as escolas particulares são tão boas assim? Da mesma forma que existem bons colégios particulares, existe péssimos colégios particulares. Devemos lembrar que muitas escolas particulares são tão “depósitos de crianças” quanto às da rede pública. Se na rede pública existe a aprovação automática, na particular existe o padrão PPP (Papai Pagou Passou).




A princípio, Ioschpe ataca os professores dizendo que “o discurso é sempre o mesmo: o professor é um herói, um sacerdote abnegado” etc, etc. Muito bem, é preciso deixar claro que professor, é uma profissão. É regulamentada por legislação e tem seus direitos e deveres como qualquer outra. Se existe funcionário que não a cumpre, deveria ser demitido, mas os estatutos dos funcionários públicos (que enquadra muitos outros profissionais, além dos professores) não permite! Entretanto é preciso deixar claro que atualmente é muito fácil ser professor, basta fazer um cursinho qualquer em uma faculdade qualquer e voilá: seu diploma está pronto! Vale lembrar que esta “faculdade qualquer” não se refere à faculdade que tem poucos alunos e poucas salas de aula, muito pelo contrário, o maior problema do ensino superior são os Mc Donald’s da educação que oferecem uma mensalidade de R$ 199,00 e atolam 150 alunos em uma sala de aula. Ora, considere a seguinte situação: um cidadão que ganha um salário mínimo por mês se vê diante da possibilidade de cursar uma fast food da educação e ganhar a bagatela de R$ 1.697,39 por 40 horas trabalhadas. Sabendo que o salário é um dos (se não for o) mais baixos de quem tem ensino superior, mas a garantia de contratação pelo poder público é quase que imediata, qualquer ser humano dentro das suas faculdades mentais toparia este desafio.

É claro que este cidadão não tem um bom ensino médio (até porque se o tivesse não ganharia apenas um salário mínimo, mas ao mesmo tempo reduziria as possibilidades de ser explorado), obviamente também não terá um bom ensino superior, pois é impossível querer qualidade de ensino com 100 ou 150 alunos em uma sala de aula, ou pior ainda, via EaD. Em menos de três anos o sujeito estará com diploma na mão e poderá ser efetivado na rede pública, ou em algum colégio particular meia boca.

Ao discutir os 10% do PIB na educação, gostaríamos de contar uma novidade que o nobre não deve saber: o problema do dinheiro na educação não é a quantidade, mas sim o “como é utilizado”.

Membro da Fundação Ioschpe e ligado ao Todos pela educação, o articulista deve conhecer os bastidores da educação. Ele deve saber que o que sai dos cofres públicos não é o que chega às escolas. Construções, reformas, mochilas, materiais escolares, manutenções, pregões eletrônicos, tomadas de preços, tablets, computadores, notbook’s, lousa digital, enfim, tudo o que se faz para a educação é superfaturado, e neste ponto se sobressaem as OnG’s que também levam suas parcelas do dinheiro público para serem utilizadas como bem quiserem, isso sem falar em lavagem de dinheiro, apresentação de projetos caríssimos aos cofres públicos que não existem... Acrescentar 10% ou até mesmo 30% do PIB na educação não vai resolver nada, enquanto a corrupção imperar em todos os segmentos da sociedade.

Em seguida é discutido sobre a relação “valor investido na educação – entre eles o salário do professor – e o aprendizado dos alunos”. Não vou gastar linhas neste assunto (já o fiz em outros artigos), mas gostaria de ver como o Gustavo sobreviveria nas condições citadas acima, com o salário anunciado. Dentro das suas perspectivas, muito provavelmente arrumaria outras escolas para trabalhar (Estado, prefeitura, particulares...). É preciso colocar na cabeça de algumas pessoas (e de alguns economistas) que o professor não trabalha 60 ou 70 horas em sala de aula por semana por amor à educação. Não, não se trata de “furor pedagógico” e sim de necessidade. Indicar atividades para casa, acompanhar os cadernos, corrigir minuciosamente as provas e os trabalhos é obrigação do professor! Mas tente fazer com uma somatória de 1200 alunos? Para não dizer que estou extrapolando nos números, citarei outro exemplo concreto: Professores de História, Geografia, Física, Química, Biologia, Educação Física, Sociologia, Filosofia, Inglês e Arte possuem duas aulas por semana, por turma. Cada turma tem em média 40 alunos (no melhor dos exemplos). O professor trabalha 30 aulas de manhã (das 7h às 12h20min), em seguida vai para outra escola com mais 30 aulas (das 13h às 18h20min), e/ou para o período noturno (25 aulas – das 19h às 23h). Pronto! Fez as contas? Animador, não?

A presença da comunidade na escola é fundamental. Este próximo item abordado no artigo diz que se a comunidade for para dentro da escola “vão descobrir que a escola brasileira é uma farsa (...) verão a quantidade abismal de professores que faltam ao trabalho, que não prescrevem nem corrigem dever de casa (...)”. Sim, seria muito interessante se a comunidade realmente fosse para a escola. Diversos exemplos demonstram que as escolas em que a comunidade participa, tiveram um salto de qualidade: os problemas de incivilidade diminuem, a comunidade passa a cobrar melhor os políticos, as brigas, furtos e ofensas diminuem, mas o grande problema é o “como” trazer a comunidade (que trabalha, que é de baixa renda, que precisa sustentar uma família – isso quando o próprio aluno não é este, o responsável) para dentro da escola. É possível sim, trazer todos para dentro da escola, o objetivo é o de melhorar, e não o de denegrir como o ilustríssimo o faz comumente na vossa coluna.

Adiante, Gustavo Ioschpe elenca quatro itens que os professores precisarão fazer para “melhorar a qualidade do ensino”. Dos itens elencados, respondo
:
Primeiro. Não somos vítimas. Somos profissionais e queremos ser respeitados, e nos dar ao respeito como tal. Se o professor está nesta situação e continua nela, pode haver duas hipóteses: 1. Incapacidade de arrumar outro emprego (como já discutido acima) e, 2. Ideologia. Sim, muitos professores fazem o que fazem por ideologia, mas não política-partidária, nem de direita nem de esquerda. A ideologia de que a educação poderá ajudar a construir uma sociedade menos hipócrita e mais humana, e obviamente que o salário é bem vindo, pois quanto mais eu ganhar, em menos escolas precisarei trabalhar e assim poderei estudar mais.

Segundo. Cada ser humano possui um conjunto de valores morais e éticos que é preciso respeitar. Ainda que o professor deva ser “neutro” e oferecer aos alunos diferentes pontos de vista, o professor é um ser humano e carrega consigo todo conjunto de valores que foi construindo ao longo da sua vida. Creio que o professor que estuda constantemente tem um bom discernimento sobre isso, portanto, para que os professores não negligenciem a literatura como Ioschpe diz, o professor deve estudar (e isso está ligado ao primeiro item tratado).

Terceiro. Todos tem o direito de debater a educação, assim como a saúde, a segurança, o transporte, etc. o debate deve ser democrático e as opiniões fundamentadas são sempre bem vindas. Entretanto é preciso deixar claro que o professor (sobretudo o Pedagogo) é um especialista da educação. Ele detém o conhecimento da fundamentação pedagógica para avaliar um aluno, bem como verificar a situação de aprendizagem. Se assim não o fosse, todos nós poderíamos dar palpite no procedimento em que o cardiologista está utilizando ao realizar uma operação, ou sobre como o policial deve empunhar a sua arma durante uma troca de tiros, ou ainda mais: o quanto o urologista deve se empenhar no exame de próstata!.

Quarto: qualquer ser minimamente pensante já terá compreendido a questão do salário. Caso não tenham entendido, podem encaminhar suas perguntas!

Para finalizar, gostaria de dizer que, realmente o respeito da sociedade não virá quando nós tivermos um contracheque mais gordo. O respeito virá quando conseguirmos educar a sociedade para que todos percebam que o problema não está nos jogadores do time, nem no técnico, muito menos no presidente do clube, mas sim na FIFA.

Talvez se “falar com o professor médio brasileiro (...) é mais inútil do que o proverbial pente para careca”, argumentar com um economista pode ser como discutir com uma porta. Vamos ver o debate!

Esse vídeo traz outra análise sobre as "ideias" de Gustavo Ioschpe:
https://www.youtube.com/watch?v=9iwDQZgntEE&feature=youtu.be

Ivan Claudio Guedes, 33, Geógrafo e Pedagogo
www.facebook.com/prof.ivanclaudioguedes 

terça-feira, 13 de maio de 2014

UNESCO Educação um tesouro a descobrir: Do crescimento econômico ao desenvolvimento humano


O terceiro capítulo desta série de nove capítulos o Prof. Omar de Camargo e eu apresentamos a discussão da carta da UNESCO em que se trata do papel da educação para o desenvolvimento econômico e social.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

SOBRE FALTAS E EVASÃO ESCOLAR: A responsabilização da Escola

No mês de Janeiro de 2014 publicamos o artigo “Quem é o maior responsável pela educação do meu filho?” e tal artigo gerou uma discussão que não foi o nosso objetivo. Não tivemos como pretensão discutir os “porquês” dos alunos não frequentarem a escola. Não tivemos como objetivo discutir o sistema escolar e a falta de vontade em estudar. Tivemos, sim, como meta apresentar os aspectos legais sobre a frequência do aluno à escola, e isso foi bem exposto.



            Chegamos à conclusão de que a escola é o grande responsável por acompanhar, orientar e, se necessário, acionar o Conselho Tutelar e/ou o Poder Judiciário para que a criança e o adolescente estejam dentro da escola. A tarefa de acompanhar sistematicamente a presença dos alunos é árdua e trabalhosa. Nas escolas públicas os números de alunos variam de 1.000 a 2.000 alunos. O acompanhamento sistemático é difícil diante das diversas tarefas que os professores, coordenadores, orientadores educacionais e diretores realizam rotineiramente, isso sem contar as tarefas que não estão na rotina administrativa tais como: atendimento inesperado de pais de alunos, brigas entre alunos, materiais que somem, solicitações diversas de outros órgãos, etc. Entretanto é preciso incluir na rotina administrativa o acompanhamento sistemático da frequência escolar, pois ao chegar ao final do ano ou no término do bimestre, o pai ao ser comunicado que seu filho está há algum tempo faltando à escola, tem como primeira reação impulsionar a responsabilidade da comunicação à escola. E não está errado.

            Para uma escola de ensino fundamental II e médio em que os alunos tem cinco ou seis aulas por dia, com cinco ou seis professores diferentes por dia se torna inviável acompanhar diariamente de oito a doze diários, ainda mais com escolas que funcionam com quinze ou vinte salas por período (três períodos por dia).

            Em escolas particulares em que o número de alunos e de salas é menor, e o número de funcionários é maior, torna-se mais fácil fazer este acompanhamento, entretanto é necessário lembrar que a quantidade de ausências é bem menor e, via de regra, conhecem-se os alunos e seus pais pelo nome e sobrenome.

            É fato que o acompanhamento dos pais causa muita diferença na vida do escolar do seu filho. Mesmo na rede pública, o acompanhamento escolar dos pais, avós, tios ou um irmão mais velho traz para o aluno a visão de que ele está sendo acompanhado e cobrado pelas suas tarefas, por isso é importante apresentar e executar alguma estratégia que os tragam para a vida escolar das crianças e adolescentes.

            No caso da escola pública com uma grande quantidade de alunos e de salas é possível realizar tarefas simples, que vai custar algum tempo, mas que vai diminuir muito o problema do excesso de faltas e a evasão escolar (sem a ciência dos pais -, por vezes, é preciso lembrar, que os pais também são coniventes).

            Uma pasta simples, com um quadro dividido em datas, e folhas impressas por semana, é possível marcar a chamada dos alunos e verificar, logo na segunda feira subsequente, quem teve muitas faltas. Orientamos para que os alunos que tiverem 2 faltas na mesma semana, deverão ter seus pais comunicados, mesmo pelo telefone. Ao realizar o telefonema, anote o horário e o nome de com quem conversou. A anotação deverá ir para o prontuário do aluno para que não se perca no meio de “livros de controle”. Se não for possível colocar tais controles nos prontuários da secretaria, a coordenação pode criar sua própria gaveta de prontuários de acompanhamento pedagógico (com as fichas de aproveitamento, faltas, ocorrências escolares, etc.).


Acreditamos que o acompanhamento sistemático possa trazer bons frutos no que diz respeito à falta do aluno. Concomitante a isso é necessário investigar as causas de tal falta de interesse dos alunos e partir para outra frente de batalha, mas isso já é outra conversa.




OMAR DE CAMARGO
Técnico Químico
Professor em Química
decamargo.omar@gmail.com

IVAN CLAUDIO GUEDES
Geógrafo e Pedagogo
Articulista e Palestrante
Especialista em Gestão Ambiental, mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
icguedes@ig.com.br

Artigo publicado originalmente em http://www.gazetavaleparaibana.com/075.pdf - p. 9

Para referenciar este artigo:
CAMARGO, O.; GUEDES, I.C. Sobre faltas e evasão escolar: A responsabilização da escola. Gazeta Valeparaibana. Ed. 75. Ano VII. Disponível em , 2014, p. 9.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

REPROVAR OU APROVAR? Eis a questão!

REPROVAR OU APROVAR? Eis a questão!


Desde que o prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou algumas reformas na educação, temos acompanhado e participado de alguns debates. Sob a alegação de que a “aprovação automática não estava dando certo”, a reforma prevê a diminuição dos ciclos para que as reprovações ocorram nos 3º, 6º, 7º, 8º e 9º anos. Também está prevista a recuperação de alunos nas férias e a possibilidade de se carregar dependência (DP), ou seja, a reprovação somente na disciplina que se faça necessária, por fim também será implementada a obrigatoriedade da lição de casa, provas bimestrais e a alteração dos conceitos (insatisfatório, satisfatório e plenamente satisfatório) para notas de 0 a 10.


Diante deste quadro a opinião de diferentes educadores e escritores se divergem. Ambos apresentam seus pontos de vista e argumentam.

Nós entendemos que nenhum professor (sério) comemore a reprovação de um aluno. Ninguém deve ser reprovado por causa de comportamento, mas sim por critérios bem definidos para que se avance nos estudos. E é ai que mora o problema.

Nem sempre a escola tem os critérios bem definidos. A aula fica restrita a cópia da lousa e a resposta das atividades. A prova, quando é aplicada, reproduz o modelo exposto. Ou então, limita-se a repassar aos alunos uma lista de perguntas para que sejam respondidas de acordo com o modelo utilizado. Se um aluno não decorar o que se passou, fica com nota vermelha.

A falta de conhecimento teórico-pedagógico em grande parte dos professores corrobora com este quadro, mas, felizmente, nem sempre é a regra. Também existe a situação em que o professor tem ciência do seu dever, diversifica a metodologia das aulas, aplica diferentes tipos de avaliação e mesmo assim o aluno não consegue ir adiante, porque apresenta algum problema na (aprendizagem - na aquisição do conhecimento) ou simplesmente porque não quer aprender.

No caso da primeira hipótese, acreditamos que seja necessário um acompanhamento diversificado. Encaminhamento a um psicopedagogo já é um bom começo! De nada vai adiantar colocar um aluno com dificuldade de aprendizagem em uma sala de reforço com a mesma metodologia. Já na segunda hipótese, o aluno que não demonstra interesse pelo estudo deverá ser reprovado, uma vez que a escola não pode ser um mundo paralelo à sociedade. Se uma das funções da escola é o seu “preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, como será esse funcionário que opta pelo que quer fazer, quando quer fazer e como quer fazer? O que acontece com um funcionário quando faz seu trabalho totalmente errado causando prejuízo para sua equipe e para a empresa?  

O que observamos nesses quase dezoito anos de aprovação automática é que a qualidade dos serviços prestados nos diferentes estabelecimentos piorou. São médicos que não tem bagagem mínima de química. Engenheiros com defasagem em matemática, jornalistas com erros crassos de português, advogados com dificuldade de interpretação de textos, professores com defasagem de conteúdo e preguiça de ler, caixas de supermercados e lojas dando troco errado, atendimento mal feito e por ai vai...

A geração de “funcionários folgados” que a progressão automática criou, causou e ainda irá causar muitos prejuízos sociais e econômicos. A falta de responsabilidade e de cidadania ainda vai deixar cicatrizes por todos os lados.

Para o poder público reprovar significa custos, mas será que alguém já calculou os prejuízos que um cidadão mal formado traz para a sociedade?

Muitos educadores sonhadores crucificaram essa atitude do governo paulistano. Dizem que os alunos tem que ter uma escola alegre e que essa atitude vai aumentar a evasão. Eles até podem ter sua parcela de razão, mas é sempre importante lembrar que a escola deve preparar para a vida, para a cidadania e para o trabalho e não é esse o tipo de sociedade em que vivemos. Também não é preciso radicalizar e transformar a escola em um aparelho de tortura. É possível unir uma escola com um bom projeto pedagógico, aulas diversificadas e até mesmo divertidas em uma ponta e a cobrança na outra ponta. Aluno que não estudar, independente da série ou ciclo, deve ser reprovado. 

Talvez tenhamos que considerar a reprovação como um produtor de desigualdade social, pois uma vez reprovado o aluno poderá abandonar a escola. A reprovação, de certa forma, escamoteia as afirmações liberais de igualdade pela instrução, porque interrompe o curso de muitos alunos. Sabemos  que o “desenvolvimento humano não volta atrás”, mas sozinho não é capaz de dar ao aluno o conhecimento necessário para diminuir o processo de exclusão ao qual será submetido fora da escola.



Segundo o relatório, de 2010, do Monitoramento da Educação para Todos, da ONU/UNESCO, no Brasil a cada ano são reprovados 7 milhões de estudantes.

Assim como a aprovação automática, a reprovação por si só também não irá garantir a qualidade do ensino. Muito se tem discutido, mas em base ao custo da educação, porém estamos esquecendo que educação não é custo e sim investimento. O que poderia, talvez, garantir o aprendizado seriam medidas sócio-político-educacionais alinhadas a decisões pedagógicas efetivas. Essas são questões ideológicas que afugentam os liberais e os neoliberais, visto que para eles tudo se resume em custos.

A repetência poderá gerar problemas futuramente, mas a progressão continuada, implantada a partir da LDB de 1996, já está dando frutos, pois excluiu e continua excluindo milhares de pessoas do processo seletivo, visto que são analfabetos funcionais e não adquiriram competências e habilidades necessárias para suprir a expectativa da sociedade relativamente ao emprego.

Para que não seja uma arma nas mãos de professores menos preocupados é necessário prover condições dignas e acesso e permanência dos alunos na escola, bem como uma melhor preparação dos professores e valorização dos profissionais. Melhorar a formação pedagógica do professor especialista provendo de ferramentas disponíveis para aplicarem no desenvolvimento dos seus alunos, já seria um avanço. De posse dessas ferramentas os professores poderiam repensar a avaliação meramente classificatória, que é injusta e não auxilia em nada. Ela é estática e freia o processo educativo, pois classifica o aluno em aprovado, reprovado, bom ou ruim.

A avaliação tem que ter um objetivo diagnóstico, um momento dialético no processo educacional visando o crescimento da autonomia. A avaliação não pode ser entendida como ponto final de um processo em que tudo poderá ter sido em vão. A questão não é uniformizar o comportamento, mas sim criar condições de aprendizagem e com isso evoluir na construção do conhecimento.

Portanto, a aprovação ou reprovação após um ciclo qualquer tem quer ser meticulosamente repensado em função daquilo que se pretende avaliar no aluno. O que queremos saber?Suas competências e  habilidades? Ou se ele é apenas  bom ou ruim?

Reprovar por reprovar não vai trazer benefícios, mas aprovar por aprovar também não. Uma coisa é importante dizer. O poder público deve acabar com a aprovação automática, e nós professores precisamos estudar mais, para podermos enfrentar mais um desafio que é :
 - Aprovar  ou reprovar?  

Ivan Claudio Guedes
Geógrafo e Pedagogo. Especialista em Gestão Ambiental, Mestre em Geociências e doutorando em Geologia.
Articulista e palestrante.
icguedes@ig.com.br

Omar de Camargo
Técnico Químico
Professor em Química.
Pós-Graduado em Química.
decamargo.omar@gmail.com

Para referenciar este artigo:

GUEDES, I.C.; CAMARGO, O. Reprovar ou aprovar? Eis a questão! Gazeta Valeparaibana. Ed. 70. Ano IV. Disponível em: http://www.gazetavaleparaibana.com/070.pdf; Set, 2013, p.09.  


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